RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), enviou uma carta com quatro parágrafos à direção da revista britânica "The Economist" cobrando reparação pela reportagem que comparou sua eleição com uma "vitória para o semifeudalismo" -- referindo-se à disputa ocorrida no Senado.
Na carta, Sarney informa que acionou seus advogados e quer a reparação das informações publicadas. O peemedebista rebateu as críticas da publicação britânica, lembrando que há sete anos o Estado do Maranhão está sob o comando de seus adversários políticos e há 20, a capital do Estado é administrada por forças políticas antagônicas a ele.
O peemedebista se disse um homem cujo papel será reconhecido como o de "presidente da transição democrática" que possibilitou que um operário fosse eleito o presidente da República --numa referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"A história julgará meu papel, mas sou reconhecido como o presidente da transição democrática, da convocação da assembleia constituinte e que priorizou o desenvolvimento social, o que permitiu o surgimento de uma sociedade verdadeiramente democrática e levou um operário a ser eleito presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva", disse o senador.
A "Economist" diz que não é incomum que apenas um homem ou uma família domine Estados no Nordeste, mas que isso estaria mudando. Mas o controle da família Sarney no Maranhão é reforçado pelo fato de ela ser proprietária de uma estação de TV que passa programas da Rede Globo e que, no meio das novelas, "costuma exibir reportagens favoráveis ao clã".
"Nos últimos sete anos um grupo político rival controla o governo estadual do Maranhão [ o governador Jackson Lago, do PDT]", afirmou ele."Concordo plenamente que o estado de conservação da cidade de São Luís [MA] é lamentável, mas é um absurdo debitar-me este fato, uma vez que meus adversários políticos administram a capital há 20 anos", disse.
No último dia 6, Sarney disse, por meio de assessores, que a reportagem da revista era "imprecisa e leviana". Também criticou a suposta irresponsabilidade da publicação.
A reportagem, intitulada "Onde dinossauros ainda vagam" faz referências ao passado político de Sarney e ao número de vezes em que foi eleito para cargos públicos, afirmando que talvez fosse "hora de [Sarney] se aposentar".
"A revista pergunta se seria hora de eu me aposentar da vida pública, mas não é da tradição brasileira nem britânica limitar a atuação na vida pública devido à idade", afirmou Sarney, que está com 79 anos.
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