Rosane de Oliveira
Pela gravidade das acusações que fizeram à governadora Yeda Crusius e a pessoas próximas a ela, o vereador Pedro Ruas e a deputada federal Luciana Genro (PSOL) empenharam seus mandatos na entrevista concedida ontem à tarde. Se conseguirem provar a existência das gravações e se o conteúdo corresponder ao que foi descrito provocarão uma hecatombe no governo. Se não conseguirem, sua credibilidade ficará irremediavelmente comprometida e passarão os próximos anos respondendo a processos na Justiça. A imunidade parlamentar não é absoluta.
Ruas é advogado. Mais do que os leigos minimamente informados, sabe que o ônus da prova cabe a quem acusa, embora na política o mais comum seja os adversários acusarem e o atingido ter de provar que é inocente.
Tanto o vereador quanto a deputada Luciana Genro disseram ter visto as provas, mas não apresentaram nenhum vídeo, nenhum áudio, nenhum documento. Ruas fez observações sobre a qualidade dos vídeos e a clareza das vozes. Coisa de cinema, segundo sua definição. Como a imprensa não teve acesso a esse material, ficou apenas com a palavra dos dois, reforçada pelo depoimento do presidente do PSOL, Roberto Robaina.
No mérito, as acusações são extremamente graves: recebimento de doações de campanha que não foram informadas à Justiça Eleitoral, distribuição de dinheiro desviado do Detran, pagamento de contas pessoais com dinheiro público, uso de sobras de campanha em negócio privado. Sem provas, nada disso tem valor.
Por evasiva, a negativa do procurador Adriano Raldi não encerra o assunto. Apesar do sigilo que cerca a delação premiada e as investigações em andamento, o Ministério Público Federal terá de dar respostas cabais à sociedade. Não se pode conviver por muito tempo com uma dúvida como a que os líderes do PSOL levantaram com tanta convicção.
Fonte: Zero Hora (RS)
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