Ela ajudou a quebrar tabus. Grávida, fez show até um mês antes de parir, pulando pra lá e pra cá com o barrigão no trio e, três semanas após o nascimento de Davi, voltou ao palco energizada. Virou mito e símbolo de força para as mulheres ao aparecer em público com um corpinho mais que perfeito a pinotar por mais de 6 horas por dia em cima do trio. Extravasou o quanto pôde, jogou a violência para escanteio e botou o folião para beijar na boca na avenida, nos blocos que comandou, nos becos, na pipoca e nos camarotes.
Resgatou o orgulho da grande nação tricolor, que agora, além de time e estádio, tem sua musa a levar aos quatro cantos sua paixão pelo Bahêêêa sem jamais deixar de tratar com respeito o Vitória. E nos quatro dias – cinco porque ela amanheceu na avenida hoje, com o amigo Bell – em que reinou em cima do trio, Claudia Leitte mostrou porque é a estrela de maior ascendência da música baiana, para onde os olhos, flashes e câmaras da mídia mais se voltaram neste Carnaval.
- Só tenho a agradecer o carinho desse povo. Foi tudo muito lindo. Confesso que ainda senti um friozinho na barriga na largada, afinal a pressão era grande, mas depois foi só festa. Meu Davizinho ficou em casa com as vovós Ilna e Marcia, bem comportado, como um homenzinho. Tomou o leitinho na hora certa e quem sabe ano que vem já aparece na avenida? - brincou ela.
E Claudia tem mesmo que comemorar. Sua música está na boca do povo, foi a mais tocada, tem ritmo, letra e mensagem e simboliza um dos momentos mais marcantes na vida de duas pessoas que se amam: o beijo na boca. Com sua mensagem, apesar do agito do hit de maior sucesso do verão brasileiro, ela acabou mostrando que o Carnaval da Bahia é uma festa de todos, onde a violência cede espaço ao amor. E para simbolizar isso, fez questão de tascar não um, mas vários beijos na boca do maridão Marcio, em plena avenida, para delírio da multidão.
Motivos não faltaram, desde a paixão que os une e os faz símbolos de uma família ajustada e feliz, à busca pelo recorde de beijos na boca no domingo, quando mais de 10 mil pessoas se beijaram na avenida, no bloco Os Intternacionais, na pipoca e nos camarotes para celebrar o amor. Se o recorde veio ou não, se vai ser reconhecido pelo Guiness Book, isso é assunto para adiante. Importante mesmo é que sua mensagem tocou em milhares de corações e fez até os malhados e brigões de sempre, que costumam se soltar na beira da corda a cultuar a violência e a bestialidade, concluírem que ali só havia espaço para o amor.
- Estou feliz em ter contribuído para mandar essa violência para bem longe da gente. Carnaval é para brincar, extravasar, dar muito beijo na boca. Minha mensagem é da paz e a Bahia está dando um exemplo ao Brasil ao reunir 2 milhões de pessoas nas ruas a brincar e pular atrás do trio.
Nos quatro dias que puxou os blocos Eu Vou, Intternacionais e da Barra, este, segunda e ontem, Claudia desfilou com peças exclusivas, criadas pelo renomado estilista Waldemar Iódice. Todos os modelos adornados com milhares de cristais e confeccionados para ressaltar seu corpo e a vitalidade de uma garota de 28 anos, recém-mamãe, tendo como referência o mar e algumas das praias mais belas do mundo, como Copacabana, Ilhas Gregas, Ibiza e Porto Seguro, a escolhida ontem. Homenagem assumida também por seus músicos que ontem, por exemplo, estavam fantasiados de índios, numa alusão aos nativos aqui encontrados quando do descobrimento do Brasil.
Vips e famosos desfilaram no trio de Claudia e entraram na folia, com destaque para o casal Cássio e Daniela Winits, que lá esteve no domingo, ele se revelando um grande torcedor do Bahia, empunhando a todo instante a bandeira do clube e ela uma animada foliã. E destaque também para os Big Brothers Mirla e Ralf que trocaram o confinamento na casa mais vigiada do Brasil por algumas preciosas horinhas em cima do trio de Claudia, dividindo a alegria com os foliões baianos. Eles não puderam falar com a imprensa, mas seus rostos espelhavam toda a satisfação de poder curtir um pouco do carnaval baiano, ainda mais ao lado da musa Claudia Leitte.
Corpo de menina, vitalidade a toda prova e uma energia contagiante, Claudia fez questão de deixar uma mensagem para os fãs, os baianos e os turistas que nos visitam, ao final do seu desfile:
- Os que aqui vieram pela primeira vez, levem no coração um pedaço dessa terra maravilhosa e abençoada. Os que voltaram para curtir nosso Carnaval tenham a certeza de que estaremos sempre de braços abertos para esperá-los, com o carinho de sempre e que ano que vem vai ser melhor ainda. E para meu povo, baianos de todos os credos, raças e paixões, torcedores do Bahia, do Vitória, um beijo especial. Este Carnaval simbolizou muito para mim e retirei de vocês a força para chegar com toda essa energia ao palco. Sou baiana por opção e tenho um orgulho danado disso. Aqui cheguei com uma semana de nascida, aqui me criei e independente do que Deus me reserve como cantora, como artista, aqui será sempre a minha casa.
Aqui me casei, aqui nasceu meu filho, Davi, que está em casa, esperando pela mamãe. Aqui está meu coração. Beijo, que Deus abençoe a todos e vamos beijar na boca.
Timbalada arrasta a multidão no circuito da Barra a Ondina
Folião de braço pintado na rua e um sorriso estampado no rosto. É a Timbalada sob o comando do cantor Denny puxando o trio ao som do timbau. “É um vai e vem do meu lado, é um sobe desce danado, todo mundo dançando, todo mundo suado”. A música Chuva de Flores narrou bem como é a maior festa de rua do planeta e foi assim da Barra até Ondina. O público vibrou com a banda percussiva durante o trajeto inteiro.
Quem saiu no bloco que leva o mesmo nome da tribo de timbaleiros contou como foi viver essa felicidade. “Saí uma vez há quatro anos e não deixo mais. Todo ano me programo pra isso. Trabalhei antecipado para acumular folgas, mas, não abro mão de sair na Timbalada. Curto a energia, o som que sai do timbau, pintar o corpo. Gosto de vivenciar o ritual completo”, disse o folião José Carlos Santana.
O sucesso que irradiou o País inteiro através dos encontros dominicais no Guetho Square invadiu o mundo e hoje reflete no Carnaval. Com cinco mil foliões dentro da corda sem contar a rapidez com que é vendido os abadás na mão de cambistas faz da revenda uma espécie de cotação de moeda estrangeira. “Paguei quase o dobro do preço porque deixei pra comprar em cima da hora no ‘câmbio negro’. Os cambistas faturam com o abadá da Timbalada porque sabem que é venda certa”, contou Carla de Souza Pires.
Deixando de lado o sacrifício para ver a Timbalada, seja para quem paga por um abadá ou para quem se espreme no meio da multidão só para ver o bloco passar, a expressão era a mesma. “Estou desde cedo aqui só esperando Denny cantar. Adoro o cantor e amo o som que vem do timbau. Sinto uma alegria sem fim. Fico toda arrepiada com a passagem do bloco. A energia da música me faz sentir renovada. Pra mim vale a pena ficar no aperto, tomar empurrão”, falou a auxiliar de escritório Rosimeire da Silva Costa, que estava na pipoca em cima da árvore em Ondina.
Os principiantes na folia também logo entenderam o porquê de tanta procura pelo Carnaval de Salvador. “É a primeira vez que venho e antes do bloco sair, já gostei dos foliões se arrumando, pintando o corpo na concentração”, opinou o arquiteto que estava acompanhado da mulher Marlene Cerqueira. “Já estou pensando no ano que vem. Vamos tirar férias juntos novamente em fevereiro pra curtir o Carnaval e depois seguir viagem para descansar em outro lugar”.
Neste ano a alegria parecia ainda maior, pois a banda completou 18 anos de existência. Denny foi bastante homenageado em vários trechos do circuito por comandar a turma do Candeal com talento, carisma e profissionalismo. Como nos dias anteriores, muitas manifestações de carinho foram enviadas para a banda nos camarotes, pelos associados e pelo público que acompanhou todo o bloco fora da corda. “Timbaleiros, hoje estou sem camisa para mostrar que a minha alma e meu corpo pertencem a vocês”.
Ao final do percurso, em Ondina, suados, porém ávidos por mais um show. “Os dias vão passando e só me resta pensar agora no arrastão da Timbalada na Quarta-feira de Cinzas e na ressaca da Timbalada no Museu du Ritmo. Mesmo assim já estou com saudades dos shows. Sou timbaleiro de corpo e alma”, declarou o contabilista e um dos seguidores da banda como se intitulou, Afonso Almeida.
No meio do trecho uma chuva, que acabou servindo para refrescar o corpo do folião, segundo o fã Bruno Junqueira. “Não tem problema nenhum em ficar molhado. Pelo contrário, acho até legal porque aliviar a quentura do corpo e despertar mais ainda o povo. No máximo tira a tinta do corpo, mas o som do timbau bate dentro do meu coração”.(Por Odília Martins)
Irreverência de Ivete leva folião ao delírio
Como uma rainha egípcia que não se afasta de seu trono e ou uma deusa que se convém vestindo o dourado da riqueza, a cantora Ivete Sangalo surgiu com muito brilho, acompanhada de seu Bloco Coruja, no Circuito Osmar, Campo Grande. Com sua voz grave, a artista entrou no percurso com os sucessos que marcaram a sua carreira, a exemplo de Levada Louca. O colorido dos abadás foi um dos destaques do bloco que estava lotado de súditos aos encantos da artista.
Quando a cantora entoou Cadê Dalila, tema de sua música de trabalho deste ano, o público do Campo Grande foi à loucura. Uma cadeira no palco da frente do trio servia de trono para ela promover os passos da “Dalila”, jogando as pernas para o alto.
No meio de um dos desfiles no Campo Grande, Ivete não agüentou as mangas do vestido e retirou o que ela chamou de “asas que estão me matando”. Sempre com muita irreverência, cantora brincou com o visual do prefeito João Henrique dizendo que ele só andava encapotado, provocando alguns risos, inclusive do ministro Geddel Vieira Lima.
Dentro do bloco a animação era geral com os associados seguindo os passos de quatro bailarinos que ficavam logo à frente. Bandeiras dos estados da Paraíba, de escolas de samba como a do Salgueiro e de times, a exemplo do Cruzeiro de Minas Gerais chamavam a atenção na multidão de “corujas”. A música Empurra-empurra embalou bastante os foliões. Um encontro também aconteceu com a cantora Margareth Menezes. As duas cantaram juntas o grande sucesso de Maga, Dandalunda.
Uma participação dos cantores Fred e Katê da banda Voa Dois também marcou a passagem do Coruja na Avenida. Bota pra ferver, do grupo Asa de Águia incendiou o Campo Grande de muita alegria.
“Adoramos Ivete, por isso não pensamos duas vezes ao passar o carnaval ao lado dela”, ressaltou o casal Marcelo e Diana Lima. “O bloco está muito cheio, mas com ela o carnaval é garantido”, destacava as foliãs Bárbara Peixoto, 27 anos e Shirlei Santiago, 34 anos.
O pernambucano Allan Robert, 30 anos não pestanejou em trocar o frevo pelo axé de Ivete neste Carnaval. “Tenho muitos amigos aqui e tinha também curiosidade em conhecer a festa. Está sendo ótimo”, elogiava.
As brincadeiras mais uma vez foi uma das marcas do desfile de Ivete Sangalo que cumprimentava as pessoas sempre de forma bem humorada. “Crianças, a mamãe chegou”. Essas foram uma das formas carinhosas pela qual chamou o público. Durante o trajeto, ela relembrava alguns hits, como Carro Velho, Berimbau metalizado e Pererê.
O entusiasmo era evidente no olhar das pessoas que aguardavam com expectativa a chegada do Bloco Corujas, puxado por La Sangalo no circuito Osmar.
Uma corrida para ver mais de perto a cantora dava o tom do momento, sempre que ela surgia no Campo Grande, local de concentração de alguns dos principais camarotes da folia e das emissoras de rádio e TV.
A execução das músicas Cadê Dalila por Ivete e Beijar na Boca por Claudia nos dias de desfile no circuito Osmar reforçou a grande disputa entre as duas canções, já que ambas foram bastante recepcionadas pelo público presente que não parava de cantar.
A enquete nos camarotes e arquibancadas do circuito era grande. Afinal qual era o interesse das pessoas? Ir buscar Dalila ou simplesmente beijar na boca? As duas ganharam pontos máximos entre os foliões. “Não sei quem é Dalila, mas pelo que nossa musa Ivete quis dizer ela é uma homenagem a mulher positiva e guerreira, por isso prefiro essa, que tem um embalo forte”, dizia a pedagoga , Juliana Santos, 28 anos, que curtia na pipoca do Campo Grande.
Já a estudante de publicidade Maria Eduarda “votava” pelo hit Beijar na Boca. “É mais verdadeira, tem a ver com o Carnaval que pede isso das pessoas. Além disso, é bem turbinada e não dá vontade de parar de pular”, destacava.
A advogada Queilla Juliana disse que "curti nos dois circuitos e tenho dúvidas entre as músicas de Ivete e Claudinha, pois ouvi as duas intensamente tanto na Barra quanto no Campo Grande".
Outras também eram citadas como Anjo Bom do grupo Adão Negro, Balança ê papa, do cantor Tomate e Oya por nós de Daniela e Magareth. (Por Lílian Machado)
Fonte: Tribuna da Bahia
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