quinta-feira, julho 17, 2008

Casal Garotinho tem bens e contas bloqueados

Rosinha e Garotinho são acusados de terem se beneficiado de desvios de recursos da Saúde
A juíza da 4ª Vara de Fazenda Pública, Maria Paula Gouvêa Galhardo, concedeu, no início da noite de ontem, liminar requerida pelo Ministério Público Estadual decretando o bloqueio de todos os valores disponíveis em instituições financeiras e o arresto dos bens pertencentes à ex-governadora Rosinha Matheus e ao seu marido, o ex-governador Anthony Garotinho.
O casal e outras 32 pessoas - que também terão os bens bloqueados - são réus em ação civil pública por improbidade administrativa, impetrada pelos promotores de Tutela Coletiva e Cidadania.
Por meio da sua assessoria de imprensa, Rosinha e Garotinho se limitaram a repetir que aguardam a conclusão das investigações e acatará a decisão da Justiça. De acordo com o Ministério Público, a pré-campanha à Presidência de Garotinho teria se beneficiado de um esquema que desviou pelo menos R$ 61 milhões da Secretaria de Estado da Saúde, em 2005 e 2006, durante a gestão Rosinha.
O secretário de Saúde na época, Gílson Cantarino, e o de Trabalho e Renda, Marco Antônio Lucidi, foram presos ontem pela Operação Pecado Capital, que desbaratou o grupo.
Além deles, outras dez pessoas foram capturadas, incluindo uma prima de Garotinho, a ex-deputada Alcione Athayde, e o ex-assessor Itamar Guerreiro. As investigações, que começaram há três anos, deram origem a uma ação penal, que culminou nas prisões e no cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão, e na ação de improbidade administrativa, que pediu a indisponibilidade dos bens do casal.
Na ação civil, os promotores detalharam o papel de cada um dos denunciados na suposta quadrilha. De acordo com o documento, além de ter sido beneficiado pelo desvio de verba pública, Garotinho teria sido o responsável pela indicação política de Alcione e Itamar para as subsecretarias de Assistência à Saúde e Infra-estrutura, respectivamente.
Alcione e Guerreiro foram os responsáveis pela dispensa de licitação na contratação da Organização Não-Governamental (ONG) Procefet, que deveria executar o programa "Saúde em Movimento". Para o Ministério Público, a dispensa foi realizada de forma irregular. A ex-governadora Rosinha teria responsabilidade por ter ratificado a contratação da Procefet.
A ONG subcontratou outras duas organizações não-governamentais, Alternativa Social e Projetos Filipenses, que contrataram outras 138 micro-ONGs, que recebiam até R$ 100 mil, sacados na boca do caixa de uma agência em Botafogo, bairro da Zona Sul do Rio.
Os promotores, que passaram o dia de ontem analisando as 25 caixas de material apreendido, encontraram uma minuciosa contabilidade dos pagamentos efetuados com os recursos desviados do Fundo Estadual de Saúde. Segundo documento, o ex-secretário de trabalho teria recebido entre dezembro de 2005 e julho de 2006 o valor de R$ 250.400. Os diretores da Procefet teriam recebido R$ 309.300.
O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), entidade que congrega os gestores estaduais, divulgou ontem nota de apoio a Cantarino. Assinada pelo presidente do conselho, Osmar Terra, a nota informa que Cantarino "há mais de 30 anos milita no movimento sanitário brasileiro como médico e gestor, tornando-se uma das mais expressivas lideranças na construção do Sistema Único de Saúde".
Fonte: Tribuna da Imprensa

Em destaque

Empresários veem desgaste de Flávio Bolsonaro após áudios com Daniel Vorcaro

Publicado em 27 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email ‘Amadorismo’ decepcionou quem aposta em Flávio Ana L...

Mais visitadas