segunda-feira, abril 28, 2008

Net segue iludindo assinantes

Ministério Público quer obrigar operadora a dar desconto nas mensalidades por interrupção dos serviços
Carlos Newton
Diante da omissão do Ministério das Comunicações e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que não tomam providências para coibir irregularidades cometidas pela Net Serviços, o Ministério Público de São Paulo quer obrigar a operadora a descontar, nas mensalidades dos assinantes, os valores correspondentes aos períodos em que estiver interrompido o sinal da TV por assinatura ou da internet banda larga.
Uma vez que o cliente paga por 24 horas diárias de fornecimento do serviço, o Ministério Público de São Paulo classifica a falta do desconto proporcional às interrupções como "enriquecimento ilícito" da empresa. Em resposta, a Net afirma que já efetua o abatimento, mas apenas mediante solicitação do assinante.
Porém, como esse tipo de procedimento jamais foi divulgado pela empresa, o Ministério Público considera pouco provável a possibilidade de realmente existirem clientes que obtenham desconto por falhas na prestação dos serviços, pois o que se vê é um número crescente de assinantes que recorrem aos juizados especiais de pequenas causas ou aos órgãos de defesa do consumidor.
O Ministério Público se viu obrigado a intervir por constatar que, além de freqüentes problemas na internet banda larga, há muitas reclamações de assinantes da TV por assinatura. No caso do chamado Plano Standard, que é o mais barato, desde o Carnaval a Net procedeu a uma quebra de contrato unilateral, cortando diversos canais, como Universal, Multishow, GloboNews, National Geographic e Discovery Kids, mantendo apenas os sinais das emissoras de TV aberta, de transmissão obrigatória.
Reclamações
Com o crescimento do número de reclamações, o atendimento por telefone da Net ficou caótico e agora pode demorar até mais de dez minutos, enquanto o cliente fica ouvindo a autopropaganda da empresa, como os novos planos de TV digital, os próximos filmes a serem exibidos etc.
Quando afinal consegue falar com algum atendente, o consumidor é informado de que a Net terá de instalar um decodificador no aparelho de TV, para que volte a receber todos os canais contratados. Mas o assinante é informado também de que, se comprar um novo plano de TV digital ou o Combo, que inclui banda larga, TV a cabo e telefone fixo, imediatamente voltará a ter acesso livre a todos os canais, sem necessidade de instalar o decodificador.
Para tranqüilizar o consumidor que não aceita trocar o Plano Standard por um mais caro, o atendente do telemarketing da Net informa que será agendada uma visita de um técnico para proceder a instalação de um novo decodificador, com data certa e hora marcada. Mas lamenta que a demanda seja tão grande que ainda não haja a menor perspectiva de agendar a tal visita.
As queixas são tantas que o próprio serviço de telemarketing da Net sugere, em gravação, que o assinante mande um e-mail para a empresa explicando seu problema. Se o fizer, receberá em 24 horas uma resposta-padrão, nos seguintes termos:
"A troca de tecnologia está ocorrendo para os clientes de determinadas seleções, pois a transmissão de alguns canais será digitalizada, ou seja, os clientes que possuem estas seleções devem trocar de equipamento quando solicitado, para que possamos continuar oferecendo todos os canais contratados pelo cliente.
A troca do equipamento é totalmente sem custos, assim como o equipamento, pois continuará em regime de comodato. Agradecemos seu contato e colocamo-nos a sua inteira disposição para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários".
Equipamento
Segundo a assinante Maria Chrisá Azevedo, moradora de Laranjeiras, a explicação da Net é inadmissível. "Desde que os canais foram tirados do ar, há dois meses e meio, a Net chegou a restabelecê-los, no dia 17 de março, durante algumas horas. Depois disso, ao longo de uma semana, minha TV surpreendentemente passou a receber os sinais dos canais Telecine, que são 61, 62, 63, 64 e 65, que jamais constaram de nossa assinatura. Tudo isso demonstra que a instalação do tal equipamento é desnecessária", assinala.
Em sua opinião, a Net cortou os sinais do Plano Standard para forçar os clientes a aderirem aos novos planos digitais da operadora, que são muito mais caros. "Sou recém-formada em Comunicação pela PUC e minha tese foi justamente sobre TV digital. É sabido que nenhum aparelho antigo de televisão, do tipo analógico, deixará de captar o sinal da TV digital. O aparelho antigo continua captando o sinal, analogicamente. Se for instalado um conversor, aí então receberá o sinal digital, de melhor qualidade", explica.
"O mais impressionante é que a Net, que massifica permanentemente seus assinantes com campanhas publicitárias, não tenha se interessado em alertá-los para a cassação dos sinais de alguns canais, para que, ordenamente, pudesse providenciar a instalação dos tais equipamentos, sem a bagunça que está hoje, pois ninguém é atendido direito", protesta a assinante.
Enganação
O especialista em eletrônica Enio Ferreira Andrade confirma que a Net está utilizando publicidade enganosa, omitindo informações fundamentais e fazendo o consumidor acreditar que seu aparelho de TV passará a receber transmissão digital mediante a simples aquisição dos novos planos da operadora, que custam muito mais caro.
"Não adianta o sinal da Net ser digital, se o aparelho de TV não tiver um conversor. Minha dúvida é saber se esse tal equipamento que a operadora diz que vai instalar gratuitamente é ou não um conversor digital. Todos sabem que não é necessário instalar o conversor se o cliente já estiver satisfeito com a imagem atual e não quiser pagar mais caro para receber a transmissão digital", explica.
A professora Sonia Maria Seraphim, moradora da Lagoa, adquiriu há alguns meses um Plano Combo, que inclui internet banda larga, TV digital por assinatura e telefone fixo. "Pensei que a transmissão digital seria automática, porque o vendedor assim me afirmou. Só fui saber que não tinha TV digital nenhuma quando meu cunhado me visitou, há algumas semanas, e esclareceu que ainda nem havia transmissão no Rio de Janeiro, apenas em São Paulo. E eu nem sabia que era necessário instalar um conversor", reclama.
A assinante acrescenta que na casa de sua filha Renata Seraphim Leitão, que acaba de comprar um novo plano da Net, a operadora instalou imediatamente um conversor de TV digital. "Na minha casa, porém, até agora a operadora ainda não instalou o conversor, embora eu esteja pagando há meses por um plano digital que não existe", denuncia.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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