quarta-feira, abril 23, 2008

Candidatura do PT será lançada sábado

Quatro tendências internas reunidas no grupo “A Esperança é Vermelha” lançarão no próximo sábado a pré-candidatura do deputado federal Nelson Pelegrino a prefeito de Salvador, em ato que terá início às 9 horas, no Colégio das Mercês, na Avenida Sete. A informação foi prestada ontem pelo secretário-geral do Diretório Municipal do partido, Edísio Nunes, que integra a corrente Esquerda Democrática Popular. Pelo Estatuto do PT, uma candidatura majoritária pode ser lançada se for indicada por três membros da Executiva, dois terços do Diretório ou, ainda, 5% dos filiados, o que, no caso de Salvador, onde há cerca de seis mil militantes, significa 300 assinaturas de apoio. “Vamos por esse último critério para mostrar nossa força na base”, disse Edísio, anunciando que pelo menos mil petistas participarão do lançamento. O secretário-geral acredita que Pelegrino será escolhido candidato do PT, porque “o outro nome que poderia concorrer com ele numa prévia, que é o deputado Walter Pinheiro, já adiantou que não deseja disputar a indicação”. Ele informou que no ato de lançamento de Pelegrino estarão presentes, entre outros correligionários de expressão, os prefeitos de Camaçari e Recife, respectivamente Luiz Caetano e João Paulo, e a deputada federal Maria do Rosário, vencedora das prévias para a candidatura do PT a prefeito de Porto Alegre. Um dos principais articula-dores de Pelegrino é o deputado Yulo Oiticica, para quem seu candidato, no contexto interno, já larga na frente, “porque foi o único que defendeu, desde o início das discussões, a candidatura própria do PT”. Ele ressalva que o parlamentar está “mais à vontade” no processo, mas respeita os postulantes de todos os partidos de esquerda, com os quais, a depender dos entendimentos, poderá criar uma Frente Alternativa. Lembrando que Pelegrino não foi ao segundo turno em 2004 por três mil votos, o que representa 0,23% do eleitorado, Yulo disse que o parlamentar continua desfrutando de “grande popularidade” na capital, onde foi o deputado federal mais votado do PT, com o dobro de votos do segundo colocado. “Ele é também o deputado que, com as emendas que apresentou ao Orçamento da União, mais trouxe verbas federais para Salvador”, acrescentou.(Por Luís Augusto Gomes)
OAB-BA defende envio de lista diretamente a Lula
O presidente da seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil, Saul Quadros, defendeu a apresentação, diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da lista sêxtupla formada pela OAB para o preenchimento de vaga de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A posição foi motivada pela recusa dos ministros da corte em escolher três entre os seis nomes propostos pela Ordem para ocupar uma vaga por meio do quinto constitucional. “Não podemos afagar quem não nos respeita. O STJ está abdicando do direito de escolher três nomes dos seis oferecidos pela OAB e o Conselho Federal não pode admitir esse comportamento desrespeitoso. Por isso vou propor que a lista sêxtupla seja encaminhada diretamente ao presidente da República”, afirmou Saul Quadros. Ele informou que a posição da seccional baiana será discutida no Colégio de Presidentes das subseções da OAB no Estado da Bahia, que acontece no próximo dia 25 em Feira de Santana. Os indicados pela entidade de classe dos advogados brasileiros preenchem os requisitos constitucionais exigidos por lei - como notório saber jurídico, conduta ilibada e comprovação de dez anos na advocacia. Somente se os candidatos não preenchessem tais requisitos o STJ poderia deixar de apreciar a lista. Essa justificativa, no entanto, não foi alegada pelos ministros. Foi a primeira vez em sua história que o STJ não votou uma lista apresentada pela OAB.
Unesco e governo baiano assinam convênio de 1,4 mi
Assinatura de Projeto de Cooperação Técnica Internacional (Prodoc) é mais uma iniciativa na reabilitação sustentável do Centro Antigo de Salvador. A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), instituição com vasta experiência na reabilitação de Centros Históricos, assina com o governo do Estado da Bahia, hoje, um Projeto de Cooperação Técnica Internacional para a criação de uma estratégia de sustentabilidade para o Centro Histórico de Salvador (CAS). O acordo será assinado no Salão de Atos da Governadoria, pelo governador do Estado, Jaques Wagner, pelo secretário de Cultura, Márcio Meirelles e pelo representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny, com presença de outros secretários de Estado, município, Organizações não-Governamentais (ONGs) e representantes da sociedade civil. Baseado na relação entre Cultura e Desenvolvimento, o Projeto de Cooperação Técnica Internacional (Prodoc) reconhece a importância da inclusão da cultura no planejamento urbano da cidade de Salvador e se propõe a criar alternativas para garantir a sustentabilidade econômica, física e social dos moradores que habitam o Centro Antigo. A assinatura do projeto prevê a realização de pesquisas socio-econômicas fundamentais para o desenvolvimento de um projeto de reabilitação sustentável do CAS, que já conta com ações emer-genciais em execução, além da criação de uma unidade gestora vinculada ao Escritório de Referência. “Os dados que dispomos hoje não dão conta de explicar a problemática do Centro Antigo. Com as pesquisas inéditas que serão realizadas, poderemos traçar ações específicas e desenvolver um projeto de longo prazo”, explica Beatriz Lima, coordenadora geral do Escritório de Referência, unidade gerencial da Secretaria de Cultura. Com a assinatura do convênio, a Unesco atuará na região do CAS criando um ambiente que permita aos moradores manifestarem sua expressão cultural e diversidade criativa.
Missa marca 10 anos da morte de Luís Eduardo
Uma missa no início da noite de ontem lembrou os dez anos da morte do deputado Luís Eduardo Magalhães. Familiares, amigos e políticos estiveram presentes na cerimônia realizada na Igreja da Vitória, em Salvador. Na quarta-feira, às 18h, outra homenagem a Luís Eduardo, que faleceu no dia 21 de abril de 1998 aos 43 anos, vítima de enfarte - interrompendo uma trajetória política que tinha a Presidência da República como limite -, será feita no memorial que leva seu nome, localizado na Avenida Paralela. No ano de sua morte, Luís Eduardo, apontado como sucessor natural do pai, Antonio Carlos Magalhães, preparava-se para disputar o governo do Estado. Em um discurso feito no Palácio de Ondina, ele afirmou, em março de 1998, que aquele era o momento ímpar na sua carreira política, quando deixara de concorrer a uma vaga na Câmara Federal para, caso fosse eleito, suceder Paulo Souto à frente do governo baiano. O governador Jaques Wagner (PT), que era próximo a Luís Eduardo, ressaltou a sua admiração pelo deputado, de quem disse ser amigo. “Fui contemporâneo do deputado Luís Eduardo Magalhães, como líder da oposição quando ele era o presidente da Câmara Federal, ligado ao governo Fernando Henrique Cardoso. Desenvolvi, além da amizade, um relacionamento que foi de respeito, apesar das diferenças de pensamento”, frisou Wagner.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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