Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Jamais se viu coisa igual. O governo e a mesa da Câmara estão conspirando contra os velhinhos. Ainda mais em se tratando de um presidente da República que pertence ao Partido dos Trabalhadores, sem esquecer que a Câmara é presidida por um petista. Ficou acertada na reunião de quinta-feira do Conselho Político a estratégia para não ser votado projeto já aprovado no Senado, dando 16.5% de reajuste aos aposentados e pensionistas que recebem mais do que um salário mínimo.
Para eles, apenas os 5% concedidos faz pouco. Imaginando não submeter-se ao vexame de rejeitar a proposta, pois maioria para isso eles dispõem, decidiram os detentores do poder empurrar a votação com a barriga. Deixá-la para o ano que vem ou para o outro, quer dizer, para nunca.
O pretexto é de que o tesouro nacional não suportaria o encargo e que a Previdência Social iria à falência. Mentira. Apesar da generalização endossada há décadas, exceção apenas para Waldir Pires e Antônio Brito, quando ocuparam o ministério respectivo, seria mais ou menos como convocar o Herodes para ministro, encarregado de resolver o problema dos bebês. Ou os bebês, como os velhinhos, não dão prejuízo, obrigando os pais a despesas com mamadeiras, fraldas e remédios?
No caso dos pensionistas e aposentados, só condenando à morte, depois de trabalharem a vida inteira, descontando para ter o direito de um fim de existência digno e agora, quando mais enfrentam despesas com médico, remédios e sucedâneos, encontram-se garfados por obra e graça de um governo e de uma Câmara plenos de benesses, vantagens e mordomias.
O Senado cumpriu o seu dever, mas os deputados, pelo jeito, darão de ombros para o deles. Como este é um ano eleitoral, mesmo no âmbito municipal, encontraram um subterfúgio. Em vez de derrotar o projeto, vão protelá-lo.
Aqui para nós, fica ainda pior quando, no mesmo dia, o Palácio do Planalto anunciou mais uma rodada de cortes no orçamento: vão sumir 6,5 bilhões destinados à educação e à saúde, bem como 5,3 bilhões para obras de infra-estrutura.
Dois pesos e duas medidas
Desde a presidência de José Sarney que se baixam medidas provisórias para tudo o que não é nem urgente nem relevante, como a Constituição exige. De Fernando Collor a Fernando Henrique, registrando-se apenas a parcimônia de Itamar Franco, e chegando ao Lula, tem sido a mesma coisa.
Pois agora que se abre a oportunidade de o poder público realmente enfrentar a grave e premente questão da defesa da soberania da Amazônia, decidiu o governo aguardar a aprovação da nova Lei dos Estrangeiros, no Congresso.
Concordam, no Palácio do Planalto, com a necessidade de reduzir a influência de ONGs internacionais sobre os índios, assim como de limitar a venda de terras a estrangeiros.
Nada mais natural do que medida provisória afastando quantos estranhos alienígenas vêm para cá pretendendo transformar tribos em nações e preparando, talvez para breve, o reconhecimento de sua independência por algum organismo internacional qualquer. Não haverá que perder de vista, também, a rapidez com que são compradas ou arrendadas por estrangeiros imensas glebas na floresta, a pretexto de evitar queimadas.
Em seu primeiro mandato o presidente Lula, da noite para o dia, baixou medida provisória suspendendo as restrições na televisão para a propaganda de cigarros feita nos bólidos da Fórmula 1. Só para que pudesse realizar-se em São Paulo, transmitida pelas telinhas, uma dessas competições diabólicas. Urgência? Relevância? Na verdade, dois pesos e duas medidas.
Idealistas e fisiologistas
Acurado observador da economia interna do PMDB alerta para a importância de o partido recuperar a imagem adquirida nos tempos da luta pela redemocratização do País. Lembra o perigo que pode estar no estreitamento de relações entre os dois grupos em que o PMDB se dividiu: os idealistas e os fisiologistas. Continuando as coisas como vão, dentro em pouco só haverá, para diferenciá-los, uma questão de cifras. Parece que os idealistas custam mais caro, em se tratando das nomeações e dos favores do governo...
Justa homenagem
O Senado homenageou os cem anos da Associação Brasileira de Imprensa, esta semana. Nada mais justo. Há, porém, que fazer um reparo à acuidade dos senadores, inclusive o autor da proposta da homenagem, Ignácio Arruda: o bravo presidente da entidade não se chama Maurício Azevedo, como foi chamado. O nome dele é Maurício Azedo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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