Senadores do PMDB decidem romper acordo. Agora, admitem acumular as duas presidências
Márcio Falcão
Brasília
A um ano das eleições para as presidências da Câmara e do Senado, a campanha já está pegando fogo. E tudo porque cresce nos corredores do Congresso a notícia de que o PMDB do Senado não cogita cumprir o acordo de revezamento das cadeiras firmado no ano passado com o PT. No entendimento dos senadores peemedebistas, a aliança diz respeito, exclusivamente, ao tapete verde da Câmara. A idéia mais repetida dá conta de que o PMDB do tapete azul quer a volta do ex-presidente José Sarney (AP) ao comando do Senado.
A união de PT e PMDB, as duas maiores bancadas da Câmara, foi que permitiu a eleição de Arlindo Chinaglia. O PMDB, maior bancada e que teria direito ao cargo, abriu mão para que em 2009 o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), ocupasse a cadeira máxima da Câmara. O acordo de cavalheiros previa que em troca, o PT indicaria o presidente do Senado, com apoio dos peemedebistas.
0 escolhido pelos petistas é o senador Tião Viana (AC), que comandou a Casa durante a crise no ano passado envolvendo o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Considerado moderado e de perfil conciliador, Viana coloca abaixo as pretensões do senador Aloízio Mercadante (PT-SP), que também sonha com a vaga. Para os senadores peemedebistas, no entanto, o acordo está longe de ser mantido. Não há problemas regimentais para que a presidência das duas Casas seja ocupada pelo mesmo partido.
Antecedentes
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), lembra que o DEM, antigo PFL, e o próprio PMDB já ocuparam simultaneamente as presidências do Congresso. Raupp reconhece que os peemedebistas não pensam em ceder a cadeira.
– Somos a maior bancada da Casa e temos o respaldo regimental. Não é nenhum absurdo – defende.
O senador Tião Viana diz que a sucessão começou a ser discutida discretamente pelo PT, mas descarta entrar em rota de colisão.
– Era de se esperar que o PMDB fosse querer a vaga - desconversou Viana.
Em meio à rebeldia do Senado, os peemedebistas e petistas da Câmara reforçam o compromisso. Caciques dos dois partidos almoçaram juntos há duas semanas e reafirmaram que estão dispostos a cumprir o trato. No encontro, eles lembraram que a aliança foi selada por meio de uma carta assinada por líderes dos partidos no final de 2006.
– Foi um encontro que não tinha a intenção de discutir este assunto, até porque essa questão não cabe neste momento, mas da parte do PT o compromisso está mantido – explica o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).
Nos bastidores, no entanto, a confirmação da dobradinha PT e PMDB nas presidências também foi classificada como um recado ao deputado Ciro Nogueira (PP) que pretende derrubar Temer na corrida pela presidência da Câmara. Afilhado político do ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, que foi eleito com o apoio do baixo clero - aqueles parlamentares que não tem poder nem prestígio dentro da Câmara, Nogueira faz o mesmo caminho e tem intensificado as negociações. Apesar de negar, deputados garantem que ele está em campanha.
Uma de suas últimas movimentações teria sido incentivar deputados a cobrarem o aumento da verba de gabinete, propondo aumentando os recursos em R$ 10 mil, passando para R$ 60 mil. Chinaglia foi alertado e abortou a idéia. A preocupação de Temer e dos petistas é que os cálculos de Nogueira se concretizem. O deputado teria confidenciado a amigos que tem apoio também da oposição, especialmente na bancada democrata, e que pode conseguir votos no PT e no PMDB.
O líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), rechaça a idéia.
– Está tudo certo para que o Temer fique na Câmara e o Tião Viana seja o presidente do Senado - diz Rands.
Questionado sobre uma possível quebra de acordo, Rands demonstra apreensão.
– Está é uma casa da democracia. Acredito que esta dominação não seria saudável para ninguém - completa o líder petista.
Para o presidente do PMDB e candidato interessado, é precipitado tratar o assunto agora, mas tudo será conversado.
– A sucessão ainda está longe. Não adianta ficar trantando deste tama agora. Temos outras discussões mais urgentes a fazer. Temos uma reforma tributária para melhorar, temos as eleições para cuidar - afirma Temer.
Fonte: JB Online
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