sábado, outubro 13, 2007

Feriado de luto nas estradas

Brasília. O feriado de Nossa Senhora Aparecida começou com um saldo de pelo menos 98 acidentes nas estradas do país, que causaram no mínimo 29 mortes, até o início da noite de ontem. O maior número de colisões foi registrado no Rio, onde a Polícia Rodoviária Federal atendeu a 48 chamadas. Pelo menos nove pessoas morreram e 12 ficaram feridas.
Uma batida entre um caminhão e uma van que ia de Macaé para Cabo Frio deixou cinco mortos e oito feridos. O acidente aconteceu no quilômetro 103, na RJ-106, próximo ao bairro São Mateus, em São Pedro da Aldeia, região dos Lagos. Foi o mais grave do dia no Estado.
Minas Gerais foi o Estado que registrou o maior número de óbitos nas estradas ontem. Foram 46 acidentes e 15 mortes, quatro como conseqüência de colisões em estradas federais e 11 em estradas estaduais.
No Espírito Santo o saldo de dois acidentes foram quatro mortes e 10 pessoas gravemente feridas. Em São Paulo uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas depois de um engavetamento na Rodovia dos Tamoios, que leva ao litoral paulista, envolvendo três carros e uma carreta.
Em Porto Alegre um acidente entre dois caminhões deixou um dos motoristas gravemente ferido. Ele ficou preso nas ferragens, mas os bombeiros conseguiram resgatá-lo. A colisão aconteceu no quilômetro 20 da Freeway, no sentido Osório-Porto Alegre.
Os dois acidentes que ocorreram seguidamente na noite de terça-feira, em Descanso, Santa Catarina, que resultou em 27 mortes, tornaram esta semana uma das mais violentas nas estradas. O primeiro foi por volta das 19h30 e envolveu um caminhão, que, segundo a polícia, tentava fazer uma ultrapassagem, e um ônibus fretado com 40 ocupantes. A colisão deixou sete mortos.
Enquanto as equipes de resgate ainda socorriam os feridos, uma carreta desgovernada bateu nos veículos parados e atropelou as pessoas que trabalhavam no socorro às vítimas, o que elevou o saldo de mortos para 28 e de feridos para 90.
Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito e do Ministério da Saúde, os mais de 300 mil acidentes que acontecem por ano no Brasil matam pelo menos 35 mil pessoas, o equivalente a uma tragédia como o do Airbus da TAM, que aconteceu em julho, a cada dois dias. Os números de mortes e acidentes no trânsito no Brasil são mais cruéis do que o saldo de mortos em países em guerra. Em quatro anos, os Estados Unidos, por exemplo, perderam 3.350 soldados durante a ocupação do Iraque.
Além de vidas, a falta de cuidado nas rodovias custa dinheiro. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima o custo anual com os acidentes de trânsito em R$ 28 bilhões. Uma pesquisa do Ibope também revelou que 30% dos motoristas dirigem sem habilitação.
A falta de segurança nas estradas aliada à ineficiência da Justiça brasileira não ajudam a melhorar os índices. Segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos, apenas uma em cada 10 mil infrações de trânsito é punida.
O álcool é uma das principais razões do alto índice de acidentes de trânsito no Brasil. Um levantamento sobre a relação entre consumo de álcool e acidentes de carro feito pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego no ano passado em quatro capitais brasileiras mostrou que 61% das pessoas envolvidas em acidentes em 2006 tinham consumido bebidas alcoólicas. De acordo com o Ministério da Saúde, os acidentes relacionados ao consumo de álcool representaram cerca de R$ 4,3 milhões em gastos com internações e procedimentos hospitalares para o Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2002 e 2006. (Com agências)
Fonte: JB Online

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