quarta-feira, maio 31, 2006

URUGUAI - 1930

Por: Yahoo! Esportes - Copa do Mundo 2006

A 1ª Copa do Mundo
Campeão:
Uruguai
Vice:
Argentina
Ficha técnica
Sede:UruguaiPaíses inscritos: 13Participantes: 13Gols: 70Média de gols: 3,88Média de público: 24.139
Para todo o Uruguai, a primeira Copa do Mundo foi uma sucessão de incertezas. Dois meses antes da data marcada para a abertura oficial, nenhuma seleção européia havia confirmado sua participação. Pelo contrário, as únicas informações que a Associação Uruguaia de Futebol havia recebido do outro lado do Atlântico eram de que Itália, Espanha, Áustria, Hungria, Tchecoslováquia, Alemanha e Suíça definitivamente não viriam a Montevidéu.
As explicações eram sempre as mesmas: para se mandar uma seleção de futebol à América do Sul gastavam-se 15 dias para ir, 15 para voltar, mais 20 para a disputa do campeonato, o que significava uma ausência de quase dois meses. Diante disso, os uruguaios começavam a temer pelo êxito da sua grande festa. A certa altura, chegaram mesmo a pensar em declarar guerra ao futebol europeu e liderar um movimento para fundar uma outra federação, espécie de FIFA latino-americana, dissidente daquela que Jules Rimet presidia. Mas não levaram a idéia avante. O próprio Jules Rimet se encarregou de fazer tudo para que sua França se inscrevesse. Depois de tal iniciativa, a Europa, pelo menos, pôde contar com quatro representantes na Copa: França, Iugoslávia, Bélgica e Romênia.
Brasil sem técnico Alheio a todos esses problemas dos seus vizinhos do Prata, o Brasil vivia, longe dali, seus próprios dramas. Desde que a realização da primeira Copa do Mundo fora confirmada, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) fez questão de se incluir entre as primeiras a garantir sua presença. Em 3 de maio de 1930, em ofício assinado por seu presidente, Renato Pacheco, a CBD enviava à Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) uma lista de jogadores convocados para a Seleção Brasileira. Entre eles, o que havia de melhor no futebol paulista: Friedenreich, Frané, Amílcar Barbury, Heitor, Del Debbio, Filó, Clodô, De Maria, Feitiço, Athiê Jorge Curi, Petronilho de Brito, Araken Patusca.
Mas a APEA não gostou. Concordava com os nomes convocados, mas não com a comissão nomeada pela CBD para fazer a convocação: Píndaro de Carvalho, Gilberto de Almeida Rego e Egas de Mendonça, três cariocas. E por que não incluir entre os membros da comissão pelo menos um representante paulista? A APEA exigia o representante paulista, a CBD firmava pé nos três cariocas e a questão se estendeu em demoradas polêmicas pelos jornais. Finalmente, em 12 de junho, a menos de um mês da abertura da Copa, a APEA comunicou à CBD que não cederia seus jogadores à Seleção. Resultado: a CBD convocou 20 cariocas, mais Poli, de Campos (RJ), e guardou a 22ª vaga para Araken Patusca, que, depois de brigar com seu clube, o Santos, prometera a Renato Pacheco furar o boicote paulista.
Embora improvisada, inexperiente e sem refletir o bom nível técnico que o nosso futebol já atingira em 1930, a Seleção Brasileira chegou a Montevidéu com alguns trunfos, embora não tivesse treinador. Um deles, Fausto dos Santos, centro-médio e líder, então despontando para uma das mais curtas e brilhantes carreiras de todo o futebol brasileiro. Outro, Preguinho, atleta completo, jogador inteligente. Outros mais, Russinho, um atacante cheio de malícia, e Carvalho Leite, um tanque cheio de coragem. E o próprio Araken, excelente no drible.
Surpresa americana Como o número de participantes era de apenas 13, e não 16 como se pretendia, o campeonato não foi disputado pelo sistema eliminatório, mas com os times divididos em quatro grupos, cujos vencedores seriam, automaticamente, semifinalistas. No Grupo 1, com uma seleção bem mais forte do que a que decidira com o Uruguai o título olímpico de 1928, a Argentina se impôs, com categoria, à França, ao Chile e ao México. No Grupo 3, após um começo muito nervoso, naquele jogo decidido num gol de Castro, o Uruguai passou fácil pela Romênia e se classificou.
No Grupo 4, os Estados Unidos, que haviam fracassado em todos os torneios olímpicos anteriores e eram incluídos entre os outsiders da Copa, surpreendiam com uma equipe em que figuravam vários profissionais escoceses e ingleses naturalizados americanos, todos sob o comando do competente Jack Coll. Sua classificação, em duas vitórias sobre o Paraguai e a Bélgica, foi merecida.
No Grupo 2, o Brasil. Em 14 de julho, a seleção escalada por Píndaro de Carvalho e Gilberto de Almeida Rego pisava o campo encharcado do Parque Central para enfrentar a da Iugoslávia. Fazia um frio de quase zero grau, os brasileiros batendo o queixo, os iugoslavos seguros de si. Aqui o depoimento de Preguinho: "Nossa seleção era tão boa quanto a deles, mas não tivemos sorte. Para começar, não esperávamos tanto frio. E os iugoslavos, em dois contra-ataques, ganharam o jogo." Os dois contra-ataques a que Preguinho se refere ocorreram ainda no primeiro tempo, de modo que os iugoslavos viraram com uma vantagem de 2 x 0. No intervalo, os brasileiros sentiam-se congelados. Tanto que se aqueceram com cobertores no vestiário. No segundo tempo, jogando bem melhor, a Seleção Brasileira conseguiu um gol, aos 16 minutos, de Preguinho. Mas ficou mesmo no 2 x 1, resultado praticamente eliminatório.
Quando o Brasil jogou com a Bolívia, em 20 de julho, no Estádio Centenário, já estava eliminado: os iugoslavos, ao derrotarem os bolivianos, três dias antes, tinham garantido a passagem para as semifinais. De qualquer forma, aquela segunda e última partida brasileira na Copa serviu para diminuir um pouco a tristeza causada pela má estréia: 4 x 0 foi o resultado final, com dois gols de Preguinho e dois de Moderato.
As semifinais Uruguai e Argentina derrotando, respectivamente, Iugoslávia e Estados Unidos - foram duas perfeitas premières para a grande final. Nelas, uruguaios e argentinos haviam deixado mais que provado que eram, de longe, os melhores entre os 13 participantes. E mais: com goleadas traduzidas em números absolutamente iguais (6 x 1), tinham não apenas arrasado seus temíveis adversários como também acentuado ainda mais o equilíbrio entre as suas seleções.
Por três dias, em Montevidéu e em Buenos Aires, não se falou em outra coisa. Uruguaios e argentinos viviam, pensavam, respiravam futebol. Na véspera do jogo, as barcas cruzavam o Prata cheias de argentinos inflamados, a agitar bandeiras, a cantar canções patrióticas, a exibir faixas pintadas em azul e branco: "Argentina si, Uruguai no!" No outro lado, a confusão era ainda maior. Hotéis lotados, ingressos nas mãos dos cambistas, discussões e até brigas que surgiam aqui e ali.
El Manco, o herói Foi de fato uma grande e emocionante final. Oitenta mil pessoas lotaram o Centenário. Os uruguaios conseguiram o primeiro gol logo aos 12 minutos, quando Castro deu um passe na medida para Dorado completar. Mas a alegria não duraria muito: oito minutos depois, Peucelle empataria. Inspirados no futebol de Luis Monti, nas avançadas dos laterais Juan Evaristo e Pedro Suárez, nas jogadas ofensivas de Peucelle, Varallo e Evaristo, os argentinos passaram a dominar o jogo. Aos 37 minutos, Stabile, o goleador do campeonato, desempatou. E o primeiro tempo chegou ao fim com os uruguaios perdendo de 2 x 1.
Foi espantosa a reação uruguaia na etapa final. Aos 12 minutos, caído, após ter driblado Paternoster e Della Torre, Cea empatou. Aos 23, num chute de fora da área, Iriarte pôs o Uruguai novamente em vantagem. Um gol que levava um país inteiro ao delírio. Mas o jogo ainda não estava decidido. Faltavam 22 minutos, tempo de sobra para os argentinos mudarem novamente o marcador. E, de fato, seguiu-se uma terrível pressão argentina sobre a área uruguaia. O Uruguai vivia momentos de sofrida espera quando, num contra-ataque, Dorado centrou da direita, pelo alto.
O grandalhão Della Torre e o miúdo Castro saltaram, mas Castro, El Manco Castro, que fora um dos gigantes daquela final, saltou tão mais alto que parecia ter molas sob os pés. Com uma cabeçada precisa, mandou a bola às redes. Era o quarto gol. Um minuto depois, o jogo acabava. E o Uruguai conquistava a taça Jules Rimet. Risos, abraços, lágrimas, a emoção tomava conta da Celeste Olímpica e dos milhares de uruguaios que transbordavam pelo Estádio Centenário.
Artilheiro
Stabile (Argentina), 8 gols
Nome completo: Guillermo StabileNascimento: 17 de janeiro de 1906, em Buenos AiresClubes: Huracán, Genoa-ITA, Napoli-ITA e Red Star-FRA
Tinha por característica entrar no meio das defesas adversárias sem perder o domínio da bola, o que lhe valeu o apelido de “Infiltrador”. Depois do Mundial, o atacante se transferiu ao Genoa. Em 1940, se tornou técnico da seleção argentina, cargo que manteve até 1958, após a péssima campanha da seleção na Copa da Suécia.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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