quinta-feira, janeiro 25, 2024

PF investiga se Abin de Ramagem atuou contra Moraes, Gilmar e Camilo Santana

Publicado em 25 de janeiro de 2024 por Tribuna da Internet

Operação da PF sobre Ramagem aumenta incerteza sobre sua candidatura a  prefeito do RJ

Ramagem investigou muita gente e agora virou o alvo

Paolla Serra e Thiago Bronzatto
O Globo

A Polícia Federal investiga se a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu dossiês envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e se monitorou o ministro da Educação, Camilo Santana, quando era governador do Ceará. Na manhã desta quinta-feira, foi deflagrada uma operação para apurar o uso indevido de espionagem de celulares pela Abin na gestão do hoje deputado Alexandre Ramagem.

Ao longo da investigação, a PF descobriu anotações de operações na Abin envolvendo os ministros do Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, do STF. O documento, analisado por agentes, indica uma tentativa de relacionar os integrantes da Corte a uma facção criminosa com o intuito de difundir notícias falsas. Procurada, a Abin não se manifestou.

PROGRAMA SECRETO – A PF também descobriu indícios de que a Abin monitorou Camilo Santana quando era governador do Ceará. Em 2021, policiais flagraram integrantes da Abin operando drones que sobrevoavam a residência oficial de Santana em Fortaleza. A agência chegou a instaurar um processo administrativo contra dois servidores, mas o caso foi arquivado.

Como revelou O Globo, a Abin utilizou um programa secreto chamado FirstMile para monitorar a localização de pessoas pré-determinados por meio dos aparelhos celulares durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Após a reportagem, publicada em março, a PF abriu um inquérito e identificou que a ferramenta foi utilizada para monitorar políticos, jornalistas, advogados e adversários do governo.

A ferramenta foi produzida pela empresa israelense Cognyte (ex-Verint) e era operada, sem qualquer controle formal de acesso, pela equipe de operações da agência de inteligência.

OUTROS ALVOS – A lista completa das pessoas espionadas irregularmente ainda não é conhecida, mas a PF já identificou indícios de que adversários políticos do ex-presidente foram alvos: entre eles estão o ex-deputado Jean Wyllys e David Miranda, deputado federal pelo PDT do Rio que morreu em maio retrasado.

Há ainda a suspeita de que foram feitas vigilâncias durante as eleições municipais e em regiões próximas ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), além de áreas nobres em Brasília e no Rio de Janeiro.

Nesta manhã, foram alvos dos mandados de busca e apreensão o deputado Alexandre Ramagem (PL), diretor da Abin à época, policiais federais cedidos e servidores do órgão. O parlamentar foi procurado, mas não se manifestou sobre a operação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 O inquérito do fim do mundo, que não termina nunca, é muito interessante, porque envolve cada vez mais instituições e personalidades. Mas está faltando investigar o Exército, que comprou serviços israelenses de espionagem para melar as eleições e incriminar opositores de Bolsonaro. Há possibilidade de que o sistema usado pela Abin seja exatamente o que foi adquirido pelo Exército, em negociação com uma empresa criada por especialistas que trabalhavam no Mossad, o serviço secreto israelense. (C.N.)

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