quarta-feira, janeiro 31, 2024

Sonho de petistas, Edvaldo pode ser o pesadelo dos governistas

 em 31 jan, 2024 9:19

Adierto de Souza

Sem nomes competitivos para disputar a Prefeitura de Aracaju, muitos petistas apostam num racha do grupo governista. Embora não confesse nem sob tortura, a turma da estrelinha vermelha reza que os liderados pelo governador Fábio Mitidieri (PSD) rejeitem o pré-candidato Luiz Roberto (PDT) e que, contrariado, o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) chute o pau da barraca. Em isso ocorrendo, será meio caminho andando para o gestor aracajuano montar um palanque de oposição e aceitar um nome do PT como postulante a vice na chapa encabeçada por Luiz Roberto. Caso haja esse racha sonhado pelos petistas, será um pesadelo para os governistas, também carentes de nomes competitivos para disputar a Prefeitura de Aracaju. A maioria dos pré-candidatos da base do governo não passa de balões de ensaios sem gás suficiente para alçar voo. Ressalte-se que uma chapa PDT/PT será difícil de ser batida, principalmente por conta do grande volume de obras desenvolvida na cidade pela gestão de Edvaldo e pela falta de realizações da administração Mitidieri. Apesar do esforço, o governador ainda não tirou do papel a maioria das promessas de campanha. Portanto, é aguardar para ver se, em tendo o seu pré-candidato rejeitado, Edvaldo dá uma banana aos aliados de hoje e pula a cerca pras bandas da oposição. Marminino!

Prefeito censurado

O prefeito de Frei Paulo, Anderson de Zé das Canas (MDB), é figura censurada na Rádio Educadora/FM, pertencente ao ex-prefeito Arinaldo Filho (PL). E para provar que é persona non grata, o emedebista bateu na porta da emissora e exigiu direito de resposta às críticas feitas contra a sua gestão. A apelo não abalou os radialistas que se recusaram a entrevista-lo. Um deles, inclusive, insinuou que para falar na rádio, Anderson terá que recorrer à Justiça. É deveras lamentável que uma concessão pública faça ataque aos adversários e lhes negue o direito de defesa. Assim também já é demais também!

Boca suja

Não chamem para o mesmo regabofe o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), e o ex-aliado dele Manoel Sukita (PT). Ao saber que o petista lhe criticou por ter recusado prestigiar a inauguração da Rádio Mega/FM, o governador subiu nos tamancos. Após lembrar ter visitado Sukita três vezes na Penitenciária de Glória, o pessedista mandou o desafeto lavar a boca para falar no nome dele. Essa briga entre os dois começou em 2022, quando Sukita deixou de apoiar Mitidieri para subir no palanque do então candidato a governador Rogério Carvalho (PT). Crendeuspai!

Golpistas candidatos

Muitos bolsonaristas que ficaram semanas na porta do quartel do Exército, em Aracaju, pretendem se lançar candidatos a vereador agora em 2024. Resta saber se os eleitores conscientes vão sair de casa para votar em quem defendeu um golpe militar apenas porque o seu candidato a presidente foi rejeitado pela maioria dos brasileiros. E como esses mentecáptos opositores das urnas eletrônicas vão se submeter estes mesmos equipamentos nas eleições deste ano? Ora, se fizerem isso, admitem que as urnas são confiáveis. Tomara que, ao se anunciarem candidatos, tais energúmenos sejam reprovados pelos aracajuanos. Aff Maria!

Aposta na educação

O ministro Márcio Macêdo (PT) ficou entusiasmado com o sucesso que foi o encerramento da Conferência Nacional de Educação, na Universidade de Brasília (UNB). Com o tema “Plano Nacional de Educação 2024-2034: Política de Estado para garantia da educação como direito humano com justiça social e desenvolvimento socioambiental sustentável”, o evento foi responsável por produzir diretrizes, metas e estratégias para os próximos 10 anos da educação no país. Macêdo prometeu continuar apoiando e estimulando a participação social para a construção das políticas públicas essenciais para o Brasil. Então, tá!

Terra dos contrastes

Sergipe é mesmo um estado cheio de contrastes. No passado, o principal cabaré da capital sergipana se chamava Vaticano e a Padaria Central ficava numa esquina. Na década de 50, um versinho dizia bem dos contrastes da terrinha: “Aracaju é terra de muro baixo/ Onde pitomba é fruta/ Candieiro dá choque/ Eng Fook Mau é ‘seo’ João/ E Shakespeare é Pipiu”. Home vôte!

Viveiros clandestinos

O Ministério Público Federal quer que a Administração Estadual do Meio Ambiente de Sergipe (Adema) negue licenças ambientais a viveiros de camarões em Nossa Senhora do Socorro, especialmente em áreas de manguezal. Na ação impetrada na Justiça Federal, o MPF também pede que a Adema seja obrigada a realizar, em 180 dias, estudos do impacto ambiental causado por esses criatórios. Segundo o Ministério Público, dos mais de 50 tanques de carcinicultura instalados naquele município, 33 não possuíam licenciamento ambiental. Misericórdia!

Pelo social

A Secretaria da Assistência Social de Aracaju lançou, ontem, o Plano de Desenvolvimento Socioeconômico do Trabalho Social da avenida Perimetral Oeste, Como ação estratégica, serão promovidos cursos em diversas áreas, como gestão de negócios, construção civil e automotivos. Ao todo, serão qualificados 360 profissionais com 18 cursos, além de mentoria para 28 empreendedores e 37 atividades comerciais. O prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) destacou que a obra da Avenida Perimetral é muito importante para a cidade, pois melhorará a mobilidade e será um novo vetor do desenvolvimento para Aracaju. Ah, bom!

Partidos sem votos

Os partidos estão na fase de atrair lideranças boas de votos em Aracaju visando se reforçarem para as eleições deste ano. Mal votadas nos pleitos 2020 e 2022, algumas legendas precisarão “contratar” praticamente um time inteiro, se quiserem fazer bonito na próxima disputa eleitoral. Entre estes nanicos ruins de votos se destacam os DC, PRTB, PSTU, etcétera e tal. Além de atrair candidatos proporcionais populares, as legendas com pouca ou nenhuma representação terão que costurar boas coligações majoritárias. Do contrário, vão repetir o fracasso eleitoral das últimas eleições na capital sergipana. Só Jesus na causa!

Itabaiana em festa

A cidade de Itabaina será palco, a partir de hoje, da Sealba Show, a maior feira do agronegócio dos estados de Sergipe, Alagoas e Bahia. Segundo a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe, esta é a maior vitrine do agronegócio da região, reunindo um grande público durante os três dias de realização e proporcionando negócios que somam mais de R$ 60 milhões. O prefeito de Itabaiana, Adailton Sousa (PL) revela que a Sealba atrai para a cidade milhares de turistas, movimentando o comércio e lotando hotéis, pousadas e restaurantes. Supimpa!

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Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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