terça-feira, janeiro 30, 2024

Prato do Povo do governo deixará milhares com fome

 em 30 jan, 2024 8:27

Adiberto de Souza

O governo Mitidieri promete fornecer, a partir de fevereiro, um prato de comida por dia aos miseráveis de Cumbe, Feira Nova, Gararu e Itabi. Isso significa que os deserdados pela sorte de outros 17 municípios, que seriam contemplados pelo benefício, vão continuar de barrigas vazias sabe-se lá até quando. Anunciado no meio do ano passado, o propagandeado “Prato do Povo” prometia entregar 75 mil refeições mensais aos pobres de 21 municípios. Agora, o governador Fábio Mitidieri (PSD) anunciou que, por enquanto, a gororoba só chegará em cinco cidades. Pela demora em colocar o programa em prática, é bem capaz que no final da gestão pessedista os famintos dos demais municípios também recebam a “quentinha” oficial, isso se ainda estiverem vivos. Aliás, o governo de Sergipe prometeu pão e está entregando circo a três por dois. Só Jesus na causa!

Boa nova

Veja que ótima notícia: a Unigel está terminando adequações contratuais para a retomada das operações da fábrica de fertilizantes de Laranjeiras. Isso será possível porque a companhia fechou, em dezembro último, um acordo de industrialização por encomenda com a Petrobras. Segundo a Unigel, as Fafen’s de Sergipe e da Bahia estão prontas para a repartida, mas ainda há detalhes a serem alinhados. O contrato fechado com a Petrobras é de curto prazo: são oito meses, visando permitir a retomada do suprimento do mercado doméstico. Então, tá!

Conversas ao vento

Os governistas voltaram a se reunir, ontem, para tratar sobre as eleições em Aracaju. Depois de muito bolodório à porta fechada, todos deixaram o recinto sem um acordo. Cada qual com seu pré-candidato debaixo do braço, foram embora prometendo voltar a se reunir depois do Carnaval. A dificuldade para se chegar a um entendimento é que só existe uma vaga de prefeito e todos querem emplacar os seus protegidos. Os mais otimistas apostam no andar da carruagem para a arrumação das abóboras, mas os pessimistas juram que não se chegará a um consenso nem que a vaca tussa. Home vôte!

Turista quer sossego

Ao que parece, é enorme o número de pessoas que preferem a tranquilidade à fuzarca carnavalesca. Ao menos foi o que deixou transparecer um levantamento feito sobre a ocupação da rede hoteleira de Aracaju. Segundo a pesquisa, durante o feriado de Carnaval a taxa de ocupação de leitos na capital sergipana deve beirar os 90% de sua capacidade. Os entendidos em turismo garantem que quem visita a cidade nesta época do ano quer sossego, coisa que a nossa Barbosópolis oferece de sobra, além de atividades ao ar livre, sol, praias, parques e uma culinária de dar água na boca. Aff Maria!

Novo procurador

O Ministério Público de Sergipe ganhou num novo procurador de Justiça. É o lagartense Deijaniro Jonas Filho, promovido ao cargo pelo critério de merecimento, após 31 anos atuando como promotor. Durante a concorrida solenidade de posse, Deijaniro prometeu continuar com o mesmo foco, as mesmas metas e os mesmos objetivos: servir a sociedade sergipana. Tendo ingressado no MPE em 1992, o novo procurador de Justiça trabalhou em 18 comarcas espalhadas pelo interior de Sergipe, além de ter atuado como promotor de Direitos Humanos, Controle Externo da Atividade Policial e Questões Agrárias. Boa sorte na nova empreitada!

Tapa na macaca

A Polícia Civil de Sergipe apreendeu algo em torno de 300 quilos de maconha que seriam vendidas em Aracaju. Parte da droga foi apreendida no município sergipano de Cristinápolis, enquanto o restante estava na cidade baiana de Esplanada. Aqui pra nós e a torcida do Flamengo, é fumo pra endoidar um batalhão da Cruz Vermelha. Nem precisa dizer que cá por essas bandas está difícil e bem mais caro dar um tapa na macaca. Misericórdia!

Fica com quem?

Os governistas se uniram em favor da pré-candidatura de Marival Santana (PSD) a prefeito de Simão Dias. O martelo foi batido após uma reunião entre o governador Fábio Mitidieri (PSD), o presidente do União Brasil, André Moura, e o ex-governador Belivaldo Chagas (PSD). Mas se na terra do “Galeguinho” houve consenso, há quem garanta que em Lagarto a turma da situação sairá dividida, pois a Prefeitura é disputada pelos grupos “Saramandaia” e “Bole-Bole”. Resta saber se o governador Fábio Mitidieri (PSD) subirá no palanque dos Reis ou dos Ribeiros, todos seus aliados de primeira hora. Crendeuspai!

Grana pra campanha

Sugestão aos pré-candidatos que não sabem como conseguir dinheiro para gastar na campanha eleitoral deste ano: peguem R$ 5,00 e façam uma fezinha na Mega-Sena a ser sorteada nesta terça-feira. A loteria está acumulada, devendo pagar R$ 76 milhões a quem acertar sozinho as seis dezenas. De uma coisa pode ficar certo: para alguns pré-candidatos a prefeito e vereador é mais fácil ganhar a bolada da Mega-Sena do que conseguir os votos suficientes para se elegerem em outubro deste ano. Arre égua!

Ai que calor!

E o Tribunal de Contas de Sergipe está funcionando pela metade por conta da manutenção preventiva e corretiva do sistema de ar refrigerado. Diante do forte calor, o TCE recorreu ao regime de teletrabalho parcial, voltado para os setores em que não há instalação de aparelhos do tipo split. Segundo a assessoria de comunicação do Tribunal, tal medida não acarretará na descontinuidade dos serviços prestados interna e externamente. Aqui pra nós, a falta de ar-refrigerado no TCE lembra aquela música da impagável Maria Alcina: “Papai ai qui calor/ Qui calor na bacorinha”. Cruz, credo!

Polícia humanizada

O experiente delegado de polícia Mário Leony entende ser possível combater a criminalidade e, ao mesmo tempo, defender os direitos humanos de todas as pessoas. “A minha trajetória de mais de 20 anos na Polícia Civil e os últimos anos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), demonstra isso”, frisou. Leony lembra que os índices de homicídios, especialmente no bairro Santa Maria, em Aracaju, “foram reduzidos sem infringir a lei, sem violar nenhum direito humano, sem criminalizar a pobreza, e sem fazer espetacularização midiática de nenhum caso”. Supimpa!

Mala preta oficial

Para conquistarem a simpatia dos eleitores, os candidatos às prefeituras e câmaras municipais vão dispor da bagatela de R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral. Com uma mala preta oficial tão recheada, não faltará quem queira se travestir de candidato laranja para botar a mão grande em parte dessa dinheirama. Ao ouvir falar em cifra tão vultosa, o suplicante pensa que o Brasil não tem milhões de desempregados e uma legião de miseráveis morrendo de fome. Portanto, este indecoroso Fundo Eleitoral é mais um tapa na cara do cidadão, que paga imposto para ver seu santo dinheirinho fazer a alegria dos políticos e encher os bolsos de bandidos de colarinho branco. Danôsse!

INFONET

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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