segunda-feira, janeiro 29, 2024

A eleição de Aracaju passa pela briga para o Senado em 2026

 em 29 jan, 2024 8:36

Adiberto de Souza


A disputa para o Senado, no ainda distante 2026, pode ser o principal obstáculo para os governistas chegarem a um consenso em torno das eleições deste ano em Aracaju. Postulante a uma das duas cadeiras senatoriais, o ex-deputado federal André Moura (União) enxerga no prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) um adversário em potencial, podendo ficar ainda mais forte se conseguir eleger Luiz Roberto (PDT) como seu sucessor, agora em 2024. A pré-candidatura de Yandra Moura é, na verdade, a tentativa do pai dela de impedir o sucesso eleitoral de Nogueira, que já anunciou o desejo de concorrer ao Senado. Portanto, André aposta que abortando a pré-candidatura de Luiz Roberto fragilizará o projeto futuro de Edvaldo e, por conseguinte, se fortalecerá para o pleito de 2026. Mesmo que a pré-candidatura de Yandra não vingue, Moura se dará por satisfeito se o grupo da situação optar por outro nome que não seja o do pedetista. Essa disputa paralela entre o PDT e o União Brasil é até salutar politicamente, porém não pode sair do controle. Em isso ocorrendo, ameaça provocar um racha, resultando em sérias consequências para o grupo, pois tanto Edvaldo quanto André são peças importantes dos governistas na disputa pela Prefeitura de Aracaju. Marminino!

Dinheiro na mão

O governo de Sergipe inicia, hoje, o pagamento dos servidores referente a este mês de janeiro. Os primeiros a botar a mão na grana são os aposentados e pensionistas. Quem faz aniversário em janeiro já recebe neste mês a primeira parcela do décimo terceiro. Amanhã, será a vez dos servidores das secretarias da Educação, Saúde e Fundações de Saúde receberem seus salários. Na próxima quarta-feira, receberão os integrantes das demais secretarias, empresas, autarquias e fundações. Então, tá!

Bases agitadas

Veja o que publicou o jornalista Eugênio Nascimento no blog Primeira Mão: “Eles já desmentiram uma série de boatos sobre rachas políticos e até mesmo inimizade. Mas, os seus seguidores em algumas cidades do interior entendem que há uma rivalidade entre o governador Fábio Mitidieri (PSD) e o ex-deputado federal André Moura (União Brasil).  É que lá nas bases, em algumas localidades, há candidatos a prefeito e a vereador dos dois segmentos que não se suportam e até fazem aposta sobre qual deles elegerá a maioria dos prefeitos em outubro próximo”. Misericórdia!

Força da máquina

Apesar de toda fiscalização da Justiça Eleitoral, é inegável que a máquina pública faz grandes estragos no campo da oposição. Os prefeitos, por exemplo, negam a utilização política desse torpedo eleitoral, porém o simples fato de comandarem verbas públicas e disporem da caneta para nomear e exonerar ajuda e muito os candidatos que apoiam. E quando os fidalgos postulam a reeleição é que usam e abusam da máquina em benefício de seus projetos eleitorais. É uma concorrência desleal sem tamanho. Só Jesus na causa!

Nova vereadora

O município de Santo Amaro das Brotas ganhou uma nova vereadora: Simone Cristina Santana Feitosa (Patriota) assumiu o mandato por conta da retotalização dos votos referentes à eleição de 2020. Após a conclusão do processo que apurou a utilização de candidatura laranja pelo Progressistas, a Justiça Eleitoral cassou o mandato do vereador Gildo Moura de Souza e retotalizou os votos, fato que garantiu a eleição de Simone. A posse da nova parlamentar brotense ocorreu na última sexta-feira. Boa sorte!

Menos desocupados

O ex-deputado federal Valadares Filho (SD) está comemorando a recuperação da economia: “No trimestre encerrado em novembro, a taxa de desocupação caiu para 7,5% no país. Significa menos desemprego e mais gente ocupada, empregada, reconstruindo o Brasil”, afirma Vavazinho, que é assessor do ministro Márcio Macêdo (PT). O ilustre conclui lembrando que “esta é a menor taxa de desocupados para um trimestre encerrado em novembro desde 2014, segundo o IBGE”. Ah, bom!

Cozinhando o galo

Apesar da movimentação exibida pelos pré-candidatos à Prefeitura de Aracaju, nenhum deve colocar o carro diante dos bois. Vão esperar o momento certo para se lançar na disputa pra valer. Todos sabem que qualquer passo em falso pode colocar tudo a perder. Cientes disso, os postulantes à cadeira ocupada hoje pelo prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) vão mantendo contatos com os cabos eleitorais, avaliando as ações dos concorrentes e, naturalmente, “plantando” notinhas favoráveis a eles na imprensa. Em outras palavras: estão cozinhando o galo em fogo baixo. Home vôte!

Show de arromba

Sem a presença dos petistas que o impediram de fazer o show em Aracaju no ano passado, o cantor baiano Netinho puxou uma multidão no bloco pré-carnavalesco organizado pelo Iate Clube de Aracaju. “Era para eu cantar por três horas, cantei 4h30 e não senti o tempo passar””, afirmou Netinho, todo satisfeito. Em 2023, um grupo de petistas promoveu o maior barulho contra a presença do cantor baiano no “Bloco Por Amor ao Iate”, sob a alegação de que o artista patrocinou os atos golpistas de 8 de janeiro, em Brasília. Este ano, a galera do PT botou a viola no saco, enquanto Netinho deu um grande show na Treze de Julho. Supimpa!

Montaria dos sonhos

Muita gente que pretende disputar as eleições deste ano alimenta a esperança de um cavalo selado aparecer em sua porta. Estes pré-candidatos sonham em repetir a façanha do delegado Alessandro Vieira (MDB), eleito senador em 2018, para surpresa até dele mesmo. Os candidatos majoritários que inovarem na disputa pela simpatia do eleitor terão mais chances de vitória. E é aí que aparece o misterioso cavalo selado, pronto para servir de montaria aquele ou aquela que melhor se comportar na campanha eleitoral que se avizinha. Por outro lado, o candidato que não souber usar o palanque eletrônico e se fender das fake news, dará com os burros n’água. Só Jesus na causa!

De festejado a renegado

Foi-se o tempo em que todo partido dito progressista queria se aliar ao PT na disputa pela Prefeitura de Aracaju. Os filiados mais maduros devem sentir saudade da época em que a sigla era estrelada pelo saudoso Marcelo Déda. Naqueles idos, a porta da legenda vivia cheia de pretendentes a uma aliança política. Hoje o PT não desperta a atenção da maioria dos partidos, o que pode levá-lo a ir para a disputa com uma chapa “puro sangue”. Renegado pelos outrora aliados e sem um discurso que empolgue, o PT pode até usar a frase “o partido da estrela solitária” como slogan da próxima campanha eleitoral. Crendeuspai!

Nas ondas do rádio

O ex-prefeito de Capela, Manoel Sukita (PT), está prometendo uma super festa no próximo dia 2, quando será inaugurada a Rádio Mega FM. Entre as atrações artísticas, destaque para a Banda Calcinha Preta. O ex-gestor garante que a nova emissora vai estourar a boca do balão, pois tem potencial para ser ouvida em todo Sergipe e nos estados vizinhos. Nem precisa dizer que quem não está gostando desse barulho todo em torno da inauguração da rádio é a prefeita capelense e ex-esposa de Sukita, Silvany Mamlak (PSC). Aff Maria!

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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