terça-feira, maio 31, 2022

UE chega a acordo para reduzir importação de petróleo russo




Países-membros concordam em banir importação de óleo russo por via marítima, efetivamente cortando 70% das entregas para o bloco. Mas europeus estabelecem exceção para oleoduto chave como forma de apaziguar Hungria.

Líderes da União Europeia chegaram a um acordo nesta segunda-feira (30/05) sobre a proposta de embargo das importações de petróleo da Rússia e concordaram em excluir do sistema Swift o Sberbank, o principal banco russo.

Na questão do petróleo, após uma série de dificuldades e resistência de alguns países, especialmente a Hungria, representantes dos 27 países-membros, concordaram com uma solução salomônica: banir completamente as importações de petróleo por via marítima e manter uma exceção para o envio por meio do oleoduto Druzhba, que liga a Rússia à Europa Central. 

O último ponto foi uma concessão à Hungria, país sem acesso ao mar, que depende fortemente do petróleo e gás da Rússia. Construído na era soviética, o Druzhba é o maior oleoduto do mundo, com cerca de 4.000 quilômetros de extensão e responde por um terço do petróleo importado pela UE, alimentando sobretudo a Hungria, a República Tcheca, a Eslováquia e o leste da Alemanha.

Segundo a Comissão Europeia, somente o embargo do petróleo que chega por via marítima vai efetivamente cortar 70% das importações de petróleo russo que chegam ao bloco. Somado a promessas individuais de alguns países do bloco, como a Alemanha, de reduzir as importações de petróleo russo, o corte pode chegar a 90% até o fim do ano.

A UE obtém cerca de 40% do seu gás natural e 25% de seu petróleo da Rússia. A continuidade dessa dependência tem sido um motivo de tensão para o bloco, já que, indiretamente, a compra de energia dos russos tem ajudado a financiar a máquina de guerra do Kremlin contra a Ucrânia.

"Acordo para proibir a exportação de petróleo russo para a UE. Isso cobre imediatamente mais de 2/3 das importações de petróleo da Rússia, cortando uma enorme fonte de financiamento para sua máquina de guerra. Pressão máxima sobre a Rússia para acabar com a guerra. Este pacote de sanções inclui outras medidas contundentes: cortar [do sistema] Swift o maior banco russo, o Sberbank; banir mais 3 emissoras estatais russas; e sancionar indivíduos responsáveis por crimes de guerra na Ucrânia", informou, por meio do Twitter, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

"Congratulo-me com o acordo esta noite sobre sanções petrolíferas contra a Rússia. Isso reduzirá efetivamente cerca de 90% das importações de petróleo da Rússia para a UE até o final do ano", escreveu na rede a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A proibição das importações de petróleo russo foi proposta inicialmente pela Comissão Europeia há quase um mês. Mas a resistência, principalmente por parte da Hungria, vinha atrasando a implementação da proposta. Reunidos em Bruxelas, representantes dos 27 estados-membros do bloco tiveram um dia intenso de negociações antes do anúncio do acordo.

A Hungria, um país sem acesso ao mar, importa 65% do petróleo que consome da Rússia através do oleoduto Druzhba e, junto com a Eslováquia e a República Tcheca, havia solicitado uma exceção à proibição de importação.

Antes do anúncio, o primeiro-ministro estoniano Kaja Kallas foi franco sobre as chances de que os líderes nesta cúpula anunciassem uma posição definitiva sobre a proposta russa de embargo de petróleo nesta segunda-feira. "Não acho que chegaremos a um acordo hoje", disse Kallas, observando que seria "mais realista" esperar por tal entendimento na próxima cúpula europeia, marcada para o final de junho.

Mais cedo, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, pediu aos líderes da União Europeia que mantivessem a unidade do bloco diante da Rússia e cessassem as disputas internas em relação ao sexto pacote de sanções do bloco.

"É preciso acabar com todas as brigas na Europa, disputas internas que só encorajam a Rússia a colocar cada vez mais pressão sobre vocês", disse Zelenski por videoconferência durante a cúpula da UE em Bruxelas. "É o momento de não estarem divididos, não sejam fragmentos e sim um todo unido", disse ele.

A participação de Zelenski durou pouco mais de 10 minutos e, ao contrário do discurso da última cúpula, quando se referiu pessoalmente a cada líder europeu, desta vez o ucraniano dirigiu-se aos líderes do bloco em geral. "É evidente que deve haver progresso nas sanções pela agressão. E para nós é muito necessário", acrescentou.

Além do corte nas importações de petróleo, a UE concordou nesta segunda-feira em fornecer 9 bilhões de euros em ajuda para a Ucrânia.

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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