terça-feira, maio 31, 2022

Tropas russas avançam sobre cidade-chave no leste da Ucrânia




Forças de Moscou começam a entrar na periferia de Sievierodonetsk, na região do Donbass, dizem autoridades. Prefeito afirma que uma batalha intensa está em curso na cidade, "completamente destruída" por bombardeios.

Tropas russas começaram a entrar na periferia de Sievierodonetsk, cidade-chave na região do Donbass, no leste da Ucrânia, disseram autoridades locais nesta segunda-feira (30/05).

À agência de notícias Associated Press, o prefeito Oleksandr Striuk afirmou que a cidade está prestes a se transformar numa segunda Mariupol, em referência à cidade no sul da Ucrânia que passou quase três meses sob o cerco russo até que os últimos combatentes ucranianos se rendessem.

Striuk disse que a eletricidade e as comunicações foram cortadas em Sievierodonetsk, que foi "completamente destruída" por bombardeios russos. Uma batalha intensa está em curso nas ruas. Combatentes ucranianos tentam expulsar os invasores russos, que avançaram algumas quadras em direção ao centro da cidade, afirmou.

"O número de vítimas está aumentando a cada hora, mas não conseguimos contar os mortos e feridos em meio aos combates de rua", relatou o prefeito.

Segundo ele, de 12 mil a 13 mil dos antigos 100 mil residentes permaneceram na cidade e se abrigam em porões e bunkers para escapar dos bombardeios russos. Striuk estima que 1.500 civis morreram na localidade desde o início da guerra, em 24 de fevereiro – vítimas tanto de ataques russos quando da falta de medicamentos ou tratamento.

Forças russas entraram em Sievierodonetsk após tentarem, sem sucesso, cercar a cidade. O Exército ucraniano afirmou que tropas de Moscou estavam reforçando suas posições no nordeste e sudeste da cidade e trazendo equipamento e munição adicional para intensificar sua ofensiva. Segundo Kiev, mais de 90% dos prédios de Sievierodonetsk estão danificados.

Depois de não conseguir capturar Kiev em março, a Rússia anunciou que o foco de sua "operação militar especial", como denomina a guerra de agressão contra a Ucrânia, era agora conquistar toda a região industrial do Donbass – e Sievierodonetsk é fundamental para isso. Situada a cerca de 140 quilômetros da fronteira com a Rússia, a cidade transformou-se nos últimos dias no epicentro dos combates no Donbass.

Serhiy Haidai, governador da província de Lugansk, onde Sievierodonetsk está localizada, afirmou que forças russas também estão avançando em direção à Lysychansk. Ambas as cidades estão às margens do estrategicamente importante rio Siverskiy Donetsk e são as últimas grandes áreas sob controle ucraniano em Lugansk.

Capturar as duas cidades daria a Moscou o controle efetivo sobre a província de Lugansk, algo que o Kremlin poderia declarar como uma vitória na guerra. Mas, ao focar seus esforços na pequena cidade de Sievierodonetsk, a Rússia pode estar deixando outras áreas livres para contra-ataques da Ucrânia, segundo analistas.

Em 2014, separatistas pró-Rússia proclamaram Lugansk e a província adjacente de Donetsk, também no Donbass, como "repúblicas populares" independentes. Neste domingo, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, afirmou à emissora Frencht TF1 que "a prioridade incondicional de Moscou é a liberação das regiões de Donetsk e Lugansk", ressaltado que a Rússia as vê como "Estados independentes".

Pressão sobre a região de Kharkiv e no sul

Neste domingo, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, visitou o leste de seu país pela primeira vez desde o início da invasão russa. Ele esteve em Kharkiv, a segunda-maior cidade da Ucrânia, de cujos arredores combatentes ucranianos expulsaram forças russas há algumas semanas.

A Rússia, no entanto, continua bombardeando Kharkiv, e explosões foram ouvidas pouco depois da visita de Zelenski. O presidente afirmou que as tropas russas ainda controlam um terço da área ao redor da cidade.

A pressão russa também se mantém no sul da Ucrânia. Um porta-voz do Ministério da Defesa russo afirmou que um ataque ao estaleiro no porto de Mykolaiv destruiu blindados ucranianos ali estacionados.

Na região da ocupada Kherson, autoridades russas afirmaram que grãos da colheita do ano passado estão sendo entregues a compradores russos. A Ucrânia acusou a Rússia de saquear grãos de territórios controlados por suas forças, e os Estados Unidos têm alegado que Moscou está pondo em risco o abastecimento alimentar global ao impedir a Ucrânia de exportar sua colheita.

Em Mariupol, um assessor do prefeito ucraniano afirmou no domingo que, depois que assumiram o controle total sobre a cidade, forças russas empilharam os corpos de pessoas mortas dentro de um supermercado. Ele divulgou uma foto no Telegram que mostra a suposta cena. Segundo a agência Associated Press, não foi possível verificar a autenticidade da imagem.

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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