terça-feira, maio 31, 2022

Os políticos vira-casaca

Adiberto de Souza

em 30 maio, 2022 8:04

Na política tem gente que muda de lado com a mesma facilidade como troca de camisa. Em 2018, o pastor Heleno Silva (Republicanos) saltou da canoa governista meses antes das eleições visando disputar o Senado pela oposição: deu com os burros n’água e voltou para o bem bom do governo. O caso mais emblemático de vira-casaca ocorreu no distante 1998, com o ex-governador Jackson Barreto (MDB). Após passar a vida falando mal da família Franco, JB aceitou disputar o Senado justamente na chapa do governador e candidato à reeleição Albano Franco (PSDB). Tal qual Heleno, o emedebista foi punido nas urnas e ficou quatro anos sem mandato. a troca de lados mais recente aconteceu com João Fontes, pré-candidato ao governo pelo PTB. O hoje ardoroso bolsonarista era, até um dia desses, oposição ferrenha ao capitão de pijama: “Bolsonaro não está à altura da liturgia do cargo. Basta ver o comportamento dele em relação à pandemia do coronavírus”, discursava o fidalgo. Pois bem, bastou ganhar o comando do PTB, para Fontes mudar completamente a sua visão sobre o inquilino do Palácio do Planalto. Alguém aí sabe o motivo de mudança tão radical? Crendeuspai!

Prefeitos paquerados

Muitos prefeitos já estão reservando espaços nas agendas para atender visitantes ilustres, que têm batido pernas pelo interior prometendo apoio político e emendas do Orçamento da União. São os pré-candidatos a cargos majoritários, todos interessados no apoio dos gestores municipais. Podem anotar: com o passar do tempo e a aproximação das eleições, vai ter fila de candidatos a deputado estadual e federal nas cidades do interior para pedir a bênção eleitoral dos prefeitos. E haja tempo para ouvir tanta ladainha. Só Jesus na causa!

No banco dos réus

Sergipe aguarda o julgamento, pelo Tribunal Superior Eleitoral, do recurso de Valmir de Francisquinho (PL). O processo está na pauta da próxima quinta-feira e de seu resultado dependerá a pré-candidatura a governador do político liberal. O ex-prefeito Valmir e o filho Talysson (PL) foram condenados pelo TRE por abuso do poder econômico nas eleições de 2018. O Ministério Público Eleitoral acusou o pai de ter usado a Prefeitura em favor da eleição do filho para a Assembleia. Há quem acredite que o TSE será favorável a Francisquinho, mas também existem os que pensam o contrário. Aguardemos, portanto!

Atenção prefeitos!

Termina nesta segunda-feira, o prazo para os municípios atualizarem os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), sobre abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos e águas pluviais. Os municípios que atualizarem os dados no sistema ficarão inadimplentes e terão bloqueados os acessos aos recursos federais para saneamento básico. Esta informação é da coluna Radar, assinada pelo amigo jornalista César Cabral.

Tapa na macaca

Quase metade dos universitários já usou alguma droga ilícita ao menos uma vez. A experiência foi relatada por 49% dos estudantes entrevistados para o Levantamento Nacional sobre uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários. Além disso, um em cada quatro faz uso regular de drogas. A pesquisa revela ainda que 86% dos jovens já consumiram bebidas alcoólicas. Destes, 22% correm risco de desenvolver dependência de álcool. Santo Cristo!

Sem empolgação

O grande número de eleitores que prometem votar nulo, em branco ou simplesmente se abster do processo, reflete a insatisfação popular com a classe política. Há quem garanta que este quadro mudará durante a campanha. Tomará! Ao se declararem desinteressados pela política, os eleitores revelam que não se sentem representados por nenhum pré-candidato específico. Portanto, os pretendentes a cargos eletivos terão que se desdobrar durante a campanha para convencer a população a ir às urnas. Resta saber se vão conseguir. Marminino!

Rasgando dinheiro

Veja o que publicou no Jornal da Cidade a amiga Thaís Bezerra: A falta de uma política de incentivo à reciclagem em Aracaju foi criticada pelo vereador Breno Garibalde (UB). Segundo ele, tem muita coisa que não é lixo, é dinheiro e pode gerar renda para muitas famílias carentes. O parlamentar lamentou que não exista nenhuma cooperativa de reciclagem na zona norte da capital. No entendimento de Garibalde, enquanto a Prefeitura não der a devida prioridade à reciclagem, a cidade vai continuar jogando dinheiro fora. Tomara que a administração municipal de Aracaju ouça e atenda o justo apelo do vereador. Oremos!

INFONT

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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