segunda-feira, maio 30, 2022

Campanha de Bolsonaro terá mais Michelle, investida em Minas e pitadas de ‘conspiração’

Publicado em 29 de maio de 2022 por Tribuna da Internet

O presidente Jair Bolsonaro e a primeira-dama Michelle.

Bolsonaro coloca Michelle em campo para atrair as mulheres

Vera Rosa
Estadão

Em público, está tudo sob controle: aliados do presidente Jair Bolsonaro ainda minimizam a pesquisa do Datafolha, que causou rebuliço no mundo político ao mostrar nesta quinta-feira, 26, que, se a eleição fosse hoje, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria no primeiro turno. Nos bastidores, porém, o comitê bolsonarista planeja mudanças na estratégia da campanha. E não é de hoje.

Levantamentos em poder do Palácio do Planalto também indicam que Bolsonaro tem perdido votos nas classes mais pobres e entre as mulheres, além de enfrentar dificuldades no Nordeste e em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País.

HÁ CONTROVÉRSIAS – O problema é que há divergências na equipe e no Centrão sobre os rumos a seguir. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), coordenador da campanha, e o núcleo militar do governo avaliam que o presidente deve não apenas insistir como reforçar o discurso sobre a existência de uma “conspiração” em curso para eleger Lula, incentivada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na outra ponta, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o presidente da Câmara, Arthur Lira – ambos do Progressistas – são contra os ataques ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Não sem motivo: temem as consequências da crise entre os Poderes e represálias do Judiciário.

Nos últimos tempos, Flávio está mais afinado com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, do que com Ciro Nogueira. Bolsonaro, aliás, disse que o PL – partido ao qual se filiou há seis meses – vai contratar uma empresa privada para fazer auditoria nas urnas eletrônicas durante as eleições.

FÁBRICA DA FACTOIDES – Essa auditoria do PL, na prática, é mais um lance saído da fábrica de factoides para desviar o foco das turbulências e ocupar espaço político, assim como os vários recursos impetrados contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, por abuso de autoridade.

Acusado de movimentos golpistas, Bolsonaro age para associar a Lula a mais alta Corte do País. Em mais de uma ocasião, disse que três ministros do Supremo “infernizam” o País. Acusou Edson Fachin, presidente do TSE; Luís Roberto Barroso, o antecessor, e Alexandre de Moraes, que estará no comando do tribunal a partir de agosto, de quererem tirá-lo do cargo “na canetada” para beneficiar o petista.

Na mesma toada, Flávio afirmou, em entrevista ao SBT News, que “as pesquisas estão servindo para legitimar um golpe”.

ECONOMIA VAI MAL – A influência da economia na campanha também tem sido objeto de embates, embora as últimas sondagens eleitorais indiquem que a desaprovação do presidente subiu diante da escalada da inflação, do desemprego e do aumento dos combustíveis.

Enquanto os responsáveis pelo comitê da reeleição dizem que Bolsonaro precisa introduzir o cenário internacional em seus discursos, sob o argumento de que o custo de vida tem subido no mundo inteiro, a ala ideológica quer destaque para outros temas.

“A campanha precisa entrar logo na pauta de costumes, falar contra o aborto, defender a família, os valores cristãos, o armamento. É o fator ideológico, e não a economia, que levará Bolsonaro para o segundo turno”, afirmou o deputado Capitão Augusto (SP), vice-presidente do PL. “Esta será uma eleição muito polarizada, um plebiscito entre a direita e a esquerda.”

MICHELLE NA RUA  – Apesar das divisões, a equipe de Bolsonaro já bateu o martelo sobre alguns pontos. Um deles: a primeira-dama Michelle terá agenda própria nos próximos meses, principalmente no meio evangélico, na tentativa de atrair o eleitorado feminino. Michelle vai viajar e aparecer mais. O Nordeste, celeiro de votos do PT, também entrará no roteiro da primeira-dama.

A pesquisa Datafolha mostrou que 51% das mulheres consideram a gestão de Bolsonaro “ruim ou péssima” – entre os homens, esse patamar é de 45%. 

O presidente também vai ampliar a ofensiva sobre Minas Gerais, terra do general Braga Netto, “pule de dez” para ser vice na chapa. No Planalto, auxiliares brincam que está faltando pão de queijo na campanha. No Estado que representa o segundo maior colégio eleitoral do País, atrás apenas de São Paulo, Lula conseguiu fechar acordo com o PSD de Gilberto Kassab e apoiará o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil na corrida ao governo mineiro.


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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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