sexta-feira, fevereiro 26, 2021

Spray nasal contra Covid citado por Bolsonaro está em fase inicial e não tem dado publicado


por Sabine Righetti E Estêvão Gamba | Folhapress

Spray nasal contra Covid citado por Bolsonaro está em fase inicial e não tem dado publicado
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Entre dezenas de testes em andamento em todo o mundo com diferentes drogas para tratar Covid-19 por meio de spray nasal, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) parece ter escolhido como aposta um dos experimentos mais iniciais e ainda sem resultado publicado.

Há, atualmente, 35 pesquisas em humanos avaliando 22 possibilidades de drogas contra Covid-19 aplicadas por inalação feita em hospital.

Países como Argentina, Colômbia, Egito e Canadá têm pelo menos três pesquisas clínicas registradas em andamento com sprays para Covid-19. Os experimentos estão em diferentes etapas. O estudo argentino, que avalia uma droga diferente da israelense, a Iota-Carrageenan, testada em 400 participantes, está na última etapa de avaliação, por exemplo.

Já o estudo de Israel com o spray nasal EXO-CD24 aplicado à Covid-19, sobre o qual Bolsonaro tem falado mais recentemente, é um dos mais iniciais dentre os registros de pesquisas clínicas.

A chamada fase 1 do EXO-CD24 começou no final de setembro do ano passado e, oficialmente, seria concluída apenas em 25 de março. As informações são da base internacional Clinical Trials, que reúne dados sobre experimentos de medicamentos, diagnósticos e vacinas com pessoas no mundo todo.

Nessa etapa inicial da pesquisa se avalia a segurança de uma droga para uma doença específica, mesmo que a droga já seja testada e aprovada para outra enfermidade. O EXO-CD24 já é usado para tratamento especificamente de câncer de ovário.

"A fase 1 é feita com um pequeno número de pessoas, geralmente na casa das dezenas, para testar dosagem e toxicidade. Não há, nesta fase, uma preocupação em testar se o medicamento funciona", explica Natália Pasternak, microbiologista da USP.

O EXO-CD24 está sendo testado para Covid-19 com 30 voluntários. Por enquanto, não há resultados publicados em artigo científico nem da fase 1 --que, vale lembrar, ainda não está oficialmente concluída. Não dá, portanto, para saber se o spray realmente funciona para a doença causada pelo novo coronavírus.

Desde meados de fevereiro, Bolsonaro tem falado sobre o medicamento israelense. Em 12 de fevereiro, o presidente escreveu em suas redes sociais que estava em tratativas com Israel para "participação do Brasil na 3ª fase de testes do spray EXO-CD24, medicamento israelense que, até o momento, vem obtendo grande sucesso no tratamento da covid-19 em casos graves."

Não há informação, no entanto, sobre quais instituições de pesquisa fariam os testes do spray de Israel no país

Três dias depois, também via redes sociais, disse que o "EXO-CD24 é um spray nasal desenvolvido pelo Centro Médico de Ichilov, em Israel, com eficácia próxima de 100% (29/30), em casos graves, contra a Covid. Brevemente será enviado à Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] o pedido de análise para uso emergencial do medicamento."

Na terça (23), o presidente chegou a afirmar, na entrada do Alvorada, que mandaria uma comitiva para Israel neste final de semana para tratar do assunto. Ministério da Saúde e o Planalto não confirmaram a informação até a publicação deste texto.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, "os governos de Brasil e de Israel têm trabalhado conjuntamente para aprofundar modalidades de cooperação na área de saúde. O Itamaraty tem apoiado o diálogo entre os dois governos sobre o tema, em coordenação com o Ministério da Saúde e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Eventual missão oficial àquele país será informada oportunamente".

Bolsonaro começou a falar sobre o spray de Israel para Covid-19 logo depois que um jornal daquele país, Times of Israel, noticiou, em 5 de fevereiro, que a droga em testes "curou" 29 dos 30 casos moderados a graves de Covid-19. O tom foi de "grande descoberta".

A informação teve base em informações divulgadas pelo hospital Tel Aviv's Ichilov, que está realizando os experimentos. De acordo com a imprensa local, a droga foi ministrada por três a cinco dias.

Não há, no entanto, evidências científicas para se falar em cura da Covid-19.

A eficácia de uma droga é avaliada em grandes amostras de pacientes em pesquisas com grupo controle --basicamente, um conjunto de pacientes recebe a droga e, outro, um placebo, sem que os cientistas e os pacientes saibam quem recebeu o quê, para evitar qualquer viés. Depois disso, avalia-se o resultado.

No caso do spray EXO-CD24, toda essa etapa de estudos ainda nem começou.

O spray nasal de Israel tem sido considerado por cientistas como a nova aposta "milagrosa" de Bolsonaro contra Covid-19 depois de drogas como cloroquina (antimalárico) e ivermectina (vermífugo).

Ambas não têm eficácia comprovada contra a doença causada pelo novo coronavírus. E, diferentemente do spray nasal de Israel, as duas drogas já contabilizam centenas de pesquisas concluídas.

Bahia Notícias

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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