domingo, fevereiro 28, 2021

Entenda por que a pandemia mata os pobres e a classe média, mas poupa as elites

 Publicado em 28 de fevereiro de 2021 por Tribuna da Internet

Veículos estrangeiros retratam postura de Bolsonaro em charges - 10/05/2020 - Poder - Folha

Charge de Luff (jornal alemão Stuttgarter Zeitung)

Carlos Newton

A pandemia da covid-19 parece ser um flagelo de Deus eivado de extrema injustiça, porque atinge preferencialmente os pobres e a classe média baixa. Pode-se alegar que sempre foi assim, as elites sempre estiveram mais protegidas. Realmente é verdade, porque quem tem mais recursos pode se isolar e fazer uma melhor quarentena. Mas desta vez, no caso da covid-19, a desigualdade social ficou ainda mais patente, porque os governantes e as elites podem usar recursos que estão inacessíveis aos pobres e à classe média.   

Por volta do ano 541 d.C., a humanidade enfrentou a peste bubônica,  que foi perdendo a intensidade, porém durou mais de 200 anos. Depois, ressurgiu em 1343, sob o codinome de Peste Negra, durou dez anos até perder a intensidade, matou um terço da população da Europa e resistiu até o começo do século XIX. Pode ter matado até 200 milhões de pessoas. Foi a pior pandemia de todos os tempos.

OUTROS FLAGELOS – Em 1580, surgiu a primeira pandemia de gripe, que se espalhou por Ásia, Europa, África e pela recém- colonizada América.

Séculos depois, em 1889, a Gripe Russa foi a primeira a ser documentada com detalhes, com proliferação inicial de duas semanas sobre o Império Russo e chegando até o Rio de Janeiro. Ao todo, um milhão de pessoas morreram por conta desse subtipo da Influenza A.  Na mesma época, houve na Europa as epidemias de cólera, mas com menos mortes, por serem controladas com melhoria no abastecimento de água.

Em 1918, a Gripe Espanhola causou a morte de até 50 milhões de pessoas, afetando não só idosos e pacientes com sistema imunológico debilitado, como também jovens e adultos. Com possível origem nos Estados Unidos, essa enfermidade quase dizimou as populações indígenas americanas e levou a óbito cerca de 35 mil brasileiros.

PANDEMIA SELETIVA – A grande diferença para a covid-19 é que desta vez a Humanidade tem recursos para enfrentar a pandemia. E não espanta o fato de as mortes ocorram basicamente entre os pobres e a classe média. Mas qual é o verdadeiro motivo dessa situação, além da facilidade de as elites fazerem quarentena?

Na verdade, no Brasil e no mundo a situação é semelhante, porque toda doença é mais facilmente combatida quando descoberta no início. Eureka! Bingo! Bestial! É por isso que em nosso injusto país, a contaminação de alguma autoridade ou figura de elite sempe é divulgada assim pela imprensa: “Fulano testou positivo para coronavirus”.  

Foi assim com o presidente Jair Bolsonaro, com o vice Hamilton Mourão, com muitos outros ministros, integrantes das Forças Armadas e demais membros das classes dominantes, como se dizia antigamente. A diferença entre eles e o resto da população é que sempre estão fazendo testes, que identificam a doença no início, por isso o índice de mortalidade das elites chega a ser ridículo.

EXEMPLO DE BOLSONARO – É por isso que Bolsonaro impediu com tanto empenho a divulgação de seu prontuário médico ou sua cartilha de vacinas, porque neles estão registrados os testes frequentes que fazia.

Assim é fácil tirar tanta onda, dizer que é resistente por ter sido atleta na juventude, já que tem se queixado apenas das hemorroidas e do problema no abdômen (descolamento da tela implantada). É por isso que a covid-19 tem poupado os membros das Forças Armadas. A coisa mais difícil é ver um militar contaminado.

Enquanto o caricato presidente se diz “imbrochável”, os brasileiros e brasileiras estão morrendo em escala industrial, mas nossas autoridades estão protegidas. Lembrem que durante a primeira onda, em 2020, foi um escândalo quando encontraram quase 7 milhões de testes que o Ministério da Saúde estocava  no aeroporto de Guarulhos. 

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P.S. – 
O problema é igual no mundo inteiro, como exemplo da desigualdade social que hoje economistas como Arminio Fraga e André Lara Resende tanto combatem. A diferença para outros países é que somente no Brasil tem um governante pregando que todos saiam às ruas, para se contaminarem logo e produzir a chamada imunidade de rebanho, que caracterizou as demais pandemias que a Humanidade enfrentou. Isso significa que Bolsonaro está doente, não tem equilíbrio mental e emocional, deveria fazer reabilitação, pelo menos(C.N.)    

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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