sexta-feira, fevereiro 26, 2021

Emenda da blindagem proíbe prisão até de parlamentar que cometa assassinatos


TRIBUNA DA INTERNET | Custo da violência e da impunidade no Brasil já chega a 6% do PIB

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Luiz Calcagno
Correio Braziliense

Deputados derrubaram a proposta de retirada de pauta e o requerimento de adiamento do debate por cinco sessões da proposta de emenda à Constituição 3/2021, que reforça a imunidade parlamentar, blinda deputados e senadores em caso de diversos crimes, além de enfraquecer a Lei da Ficha Limpa.

A sessão desta quarta-feira (24/2) acabou marcada pela tensão. Parlamentares de diversos partidos criticaram a proposta, apresentada sem passar por debate na comissão especial e na Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça (CCJ). Nos bastidores o que se diz que é a proposta foi levada às pressas ao plenário por pressão de Arthur Lira (PP-AL).

STF SE ASSUSTA – A medida assustou até mesmo os ministros do STF. Fontes ouvidas pelo Correio afirmam que os magistrados já pensam em modificações no texto, caso a matéria passe como está.

O líder do Novo, Vinicius Poit (SP), e a deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS) lembraram que ao assumir a Presidência da Casa, Lira havia prometido previsibilidade na pauta, o que não aconteceu no caso da PEC. Melchionna destacou, ainda, que como está, a PEC impediria a prisão em flagrante de parlamentares que cometerem crimes de corrupção, ou, até, em casos de violência contra a mulher e homicídio.

O texto foi atacado por deputados dos mais diversos partidos. Até membros da comissão formada por Lira para elaborar a matéria criticaram a PEC apresentada. O 1o vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM) precisou conter a voz diversas vezes.

LACUNAS E PRESSA – Um dos membros da comissão de Lira, Fábio Trad (PSD-MS) afirmou que a redação é repleta de lacunas e “fruto da pressa”. “Não tivemos tempo de elaborar um pensamento cuidadoso. Tem falhas irreparáveis”, disparou.

O deputado lembrou, ainda, que se aprovada como está, a PEC, extinguirá a prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que atacou o STF, estimulou o linchamento de um ministro da suprema corte, e fez apologia ao Ato Institucional Número 5, um o mais perverso dos atos institucionais da ditadura militar.

Se aprovada, a medida também beneficiará a deputada suspensa Flordelis (PSD-RJ), acusada de arquitetar a morte do marido e afastada do mandato por decisão judicial. O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) criticou a medida.

FORO RESTRITO – “A primeira PEC pautada em tempo recorde pelo presidente da Câmara não é a reforma tributária, administrativa, privatização de estatais. É ampliação do foro privilegiado, a concessão do foro retroativo em casos de busca e apreensão para crimes cometidos antes do exercício do mandato. A população já tem uma imagem maravilhosa da classe política. Tudo que precisamos para melhorar a imagem é criar um cárcere dentro da Câmara”, ironizou.

BLINDANDO FLÁVIO – Kataguiri fazia referência ao trecho da PEC que diz que “o membro do Congresso Nacional deverá ser encaminhado à Casa respectiva logo após a lavratura do auto, permanecendo sob sua custódia até o pronunciamento definitivo do plenário”. O parlamentar disse, ainda, que o texto parece vir com o nome do filho do presidente da República, Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), denunciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e apropriação indébita.

“Até parece que é uma PEC com nome e sobrenome. Essa é exatamente a tese da defesa do senador Flávio Bolsonaro, que o foro atual se aplica para os crimes que ele cometeu no passado, na assembleia legislativa do Rio de Janeiro”, disparou.

O vice-presidente nacional do Cidadania, deputado federal Rubens Bueno (PR), também condenou a PEC encomendada por Lira.

Monstrengo vergonhoso – “Trata-se de um mostrengo corporativista. Uma blindagem totalmente vergonhosa e que não condiz com os novos rumos que nossa política deve tomar. Já não basta termos parlamentares legislando com tornozeleira eletrônica? Trata-se de uma proposta que envergonha mais uma vez o Parlamento perante toda a sociedade. Voto contra e já estou trabalhando para derrubá-la”, disse Rubens Bueno.

Para o analista político Melillo Dinis, do portal Inteligência Política, a PEC poderia, até, estimular a entrada de mais corruptos na política.

“O time que tem o Lira como capitão está agindo para se proteger, para se blindar. E com a consequência grave de que vai estimular a entrada de mais criminosos na política. Você comete um crime, vai ser obrigado a concorrer para se proteger. É um tiro no pé, pois evidencia as forças que comandam o Congresso Nacional, o paraíso do Centrão, que transforma tudo em proveito próprio, e vai aumentar a quantidade de pessoas com problemas legais na política”, criticou. “Por que a pressa?”, questionou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O que esperar de um rachadista como Arthur Lira, multiprocessado por diversos crimes? Ele não foi eleito por seu currículo, mas por sua folha corrida. (C.N.)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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