BRASÍLIA - Apontado como peça-chave na montagem e vazamento do dossiê com despesas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o auditor José Aparecido Nunes Pires pediu ontem exoneração da Secretaria de Controle Interno da Casa Civil.
Aparecido passou o dia sumido. A CPI dos Cartões não conseguiu entregar o ofício da sua convocação. No início da noite, seu novo advogado, Maximiliano Telesca, entrou em contato com a presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), para avisar que seu cliente irá depor na Polícia Federal (PF) hoje ou amanhã.
Com receio das revelações de Aparecido sobre a montagem do dossiê na Casa Civil, os aliados exigiram, antes de o ex-secretário do Planalto depor na CPI, ter cópia do seu depoimento à PF. Dessa forma, a base governista quer evitar ser surpreendida com o teor do depoimento de Aparecido.
Ontem, num sinal de que não pretende falar e que sua exoneração pode ser um movimento sincronizado com o Planalto, Aparecido entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de habeas-corpus para poder ficar calado em depoimento à CPI dos Cartões Corporativos, marcado para terça-feira.
No habeas-corpus, ele pede ainda que tenha assegurado o direito de não ser preso em flagrante pelo crime de desobediência, que não precise assinar termo de compromisso na comissão e que possa deixar de responder perguntas para não se auto-incriminar.
O pedido será julgado pelo ministro Carlos Ayres Britto. A CPI aprovou a convocação de Aparecido na terça-feira. Ele foi o responsável por enviar a André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), cópia da planilha preparada no Planalto com gastos dos cartões corporativos.
Antes de depor na CPI, Aparecido deverá ser ouvido pela Polícia Federal na investigação sobre o vazamento do dossiê. Sem saber o que Aparecido dirá aos integrantes da CPI, os governistas resolveram se resguardar e aprovar a convocação do secretário condicionada ao conhecimento do conteúdo de seu depoimento à PF.
"Aprovamos que o José Aparecido e o André seriam ouvidos no mesmo dia pela CPI e depois que os documentos da PF com os dois depoimentos chegarem à comissão de inquérito", observou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). "Precisamos dos depoimentos deles para termos subsídios para fazer as perguntas", argumentou a petista. A presidente Marisa Serrano remarcou à noite os depoimentos para terça-feira. A previsão era que os dois fossem hoje à CPI.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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