Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - No Campeonato Nacional da Lambança, esforçaram-se Legislativo e Judiciário, esta semana, mas acabaram derrotados pelo Executivo. Acima e além dos conflitos entre senadores que se chamavam de boneca ou apelavam para colegas não se dedicarem a trejeitos femininos; superior, até, às singulares trocas de mensagens entre ministros do Supremo Tribunal Federal - coube ao governo federal conquistar o troféu maior.
Dois dias depois de o Palácio do Planalto anunciar a destinação de R$ 2 bilhões para atender necessidades urgentes do sistema público de saúde, vem o ministro Guido Mantega e desmente não só o ministro José Temporão, mas o próprio presidente Lula. Declarou, depois de uma reunião do ministério, não haver garantia nenhuma de que vá liberar aquela importância. Esse dinheiro não existe.
Fôssemos um país diferente daquele que o general De Gaulle referiu, era para o ministro da Saúde ter pedido demissão imediata, ou para o presidente ter demitido sem apelação o ministro da Fazenda. Só a entrega imediata dos R$ 2 bilhões para tapar buracos na saúde pública resolveria. Afinal, quem manda no governo? A equipe econômica ou o presidente que a nomeia?
Nem será preciso entrar no mérito da questão, ou seja, questionar por que recursos existem para pagar com fervor religioso os juros das dívidas externa e pública, mas faltam para manter médicos salvando vidas no Nordeste. Ainda há pouco abriram-se montes de vagas no serviço público, a ser preenchidas sem concurso por companheiros e afins. Agora, para manter hospitais, nem pensar.
Calma senadora
Em matéria de intromissão na vida dos outros, ninguém bate a senadora Ideli Salvati, líder do PT. Ela ocupou a tribuna do Senado para determinar que tipo de notícias os jornais deveriam estampar em suas primeiras páginas. Protestou porque a mídia, esta semana, levou para as manchetes o julgamento dos 40 envolvidos no mensalão, pelo Supremo Tribunal Federal, em vez de noticiar com espalhafato que em vez de 14 milhões o Brasil tem 7 milhões de indigentes sobrevivendo com menos de R$ 40 por mês.
Os jornais não deram destaque à Meta do Milênio, antecipada em dez anos pelo governo Lula, porque preferiram dedicar espaço maior à crise que envolve o senador Renan Calheiros, concluiu a senadora. Dona Ideli, com todo o respeito: tire a colher da nossa panela. É de sua competência, algumas vezes contestada, decidir sobre que tipo de discursos fará ou que projetos sustentará como prioritários. Definir o que é notícia cabe aos jornalistas. Erramos? Sem dúvida, e muito.
Talvez não mais do que os políticos, mas tanto quanto os médicos que esquecem a tesoura na barriga do doente ou os engenheiros que constroem viadutos com areia ruim. Agora, seria ridículo assistir a senadores ensinando como os médicos devem operar, ou os engenheiros construir. Por que, então, negar aos profissionais de imprensa a prerrogativa de compor as primeiras páginas conforme a sensibilidade adquirida pela experiência ou nas faculdades?
Colhendo o que plantou
Exagerou o ministro Nelson Jobim ao ameaçar os militares que vierem a discordar do lançamento, no Palácio do Planalto, de um livro detalhando práticas de tortura durante o regime militar. O ministro da Defesa fez que não viu a ausência dos comandantes das três forças armadas, para as quais foram formalmente convidados. Mas pretendeu dar o troco, enfatizando que se algum militar reagisse, seria punido.
Ora, começa que a reação já havia acontecido, com a ausência dos três, e nenhuma iniciativa foi tomada. Soma-se agora à discordância explícita dos altos comandos o pronunciamento do presidente do Clube Militar. Trata-se de um documento duro, de crítica à iniciativa do presidente de promover tarde de autógrafos na sede do governo. Vai fazer o quê, o ministro Jobim? O general Figueiredo está na reserva, ainda que subordinado a regulamentos castrenses. Haverá coragem para puni-lo?
Provocações
Até agora o PT não perdeu oportunidade de meter a mão em caixas de marimbondo, em seu III Congresso Nacional. Primeiro, foi a solidariedade a José Dirceu. Depois, a simpatia pela Constituinte exclusiva para tratar da reforma política, embutido aí o terceiro mandato. Finalmente, a blitz contra a imprensa, acusada de causadora de todas as desditas por que passa o partido. Não é por aí que o PT se afirmará para disputar a sucessão de Lula...
Fonte: Tribuna da Imprensa
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