quarta-feira, outubro 29, 2025

PCC e CV. Só vai se falar de crime organizado na eleição

 

Arte: Marcelo Chello

A guerra vivida hoje pela maravilhosa – e falida, nas palavras de seus próprios moradores – cidade do Rio de Janeiro não deixa dúvidas de que a eleição do ano que vem vai ser sobre segurança pública e crime organizado. Medo, pânico, terror. Na operação feita em favelas cariocas para prender criminosos do Comando Vermelho, 64 pessoas morreram. Quatro eram policiais e não se sabe se, entre os outros 60 mortos, havia algum inocente. Mas o que sabemos mesmo é que o caso virou caso de política. Isso, darling, de política, não só de polícia. Mais um caso claro de governadores de direita x governo Lula.

Vem ler tudo o que aconteceu hoje aqui na newsletter mais lida do BRASEW com W.

O governador Cláudio Castro, que é de direita e aliado de Flavitcho Bolsonaro, diante da operação policial mais letal ever de todos os tempos no Rio de Janeiro e que levou à morte de policiais, botou o do governo Lula na reta logo cedo, dizendo que, como nunca recebe ajuda, dessa vez resolveu nem perder tempo. Ele disse que, cada vez que pede algo, recebe um motivo qualquer para não haver colaboração. “Não vamos ficar chorando pelos cantos.”

Em entrevista ao Metrópoles, foi ainda mais enfático:

“Ano passado, o Rio apreendeu 732 fuzis – e o Rio de Janeiro não produz armas. Essas armas estão entrando pelas fronteiras federais. Não há, pelo que a gente tem visto, ações. Elogiei a PF por ter estourado fábrica de fuzis em SP. Mas, mais uma vez: esses fuzis entram pelas estradas federais.”

No X-Twitter, o governador ainda saiu com uma nova: “Não é mais crime comum, é narcoterrorismo.” (Alguém aí lembra quem anda jogando bombas em barcos venezuelanos para combater narcoterrorismo?)

Os blindados

O governador disse que poderia ter pedido blindados, mas não o fez porque já teria pedido ajuda outras três vezes e sempre recebeu negativas do governo federal. A questão é que, para mandar blindados, teria que haver uma GLO, a famosa. A Garantia da Lei e da Ordem teria que botar as tropas nas ruas do Rio, como já aconteceu há alguns anos (e, a bem da verdade, é que nada resolveu).

A operação foi feita em conjunto com a polícia de Castro e o Ministério Público Estadual para cumprir decisões judiciais para prender bandidos do Comando Vermelho. Os bandidos receberam os policiais com bombas atiradas por drones. Vai vendo, BRASEW. E a população não sabe o que fazer quando acordar nesta quarta-feira. Sobre isso, o governador não explicou nada.

Lula voando

Enquanto tudo isso acontecia, Lula estava preso em voo voltando da Malásia, onde encontrou com Trump. Quem saiu em defesa de seu governo foi o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Lewandas disse que o governador precisa assumir sua responsabilidade e, se ele sentir que não tem condições, tem que jogar a toalha e pedir GLO ou intervenção federal.

Ricardo Nunes em outro país

E, no intervalo do Jornal Nacional, em São Paulo, Ricardo Nunes (o prefeito) fazia propaganda dizendo que a segurança está uma beleza. (E a gente só lendo notícias de bandidos agora invadindo casas dos ricos e fazendo babás de reféns).

Em São Paulo, recentemente, quem teve uma vitória no tema segurança foi o governo federal, na operação contra o PCC na Faria Lima. Apesar de ter tido participação da polícia de Tarcísio, o governo logo conseguiu tomar todos os créditos.

Mas o cenário está traçado. Está mais do que dado que, em 2026, a segurança pública vai ser a pauta do momento.

No Congresso

O governo Lula mandou neste ano projeto de segurança pública para que o governo federal pudesse meio que comandar as polícias (o nome bonito é fazer planejamento integrado). Os governadores estrilaram porque querem continuar mandando nas polícias. Agora, já quase no fim do ano, o governo Lula mandou um projeto de lei antifacções. Será que, com a guerra que o Rio viu acontecer hoje, esses projetos andam?

Esses eu não sei, mas Alcolumbre, nosso Davi, que é a estrela mor do Senado, correu para aprovar o projeto que muda critérios de prisão preventiva. O juiz pode considerar que a pessoa é criminosa e perigosa, mandar prender e mantê-la presa.
E o eleitor? Digamos que agora ficou ruim para o Lula aquela declaração infeliz de que o traficante é vítima do viciado, né?

E agora?

O governo federal anunciou que vários ministros vão para o Rio amanhã fazer reunião com o governo Castro. Houve também a autorização para que presos da chefia do Comando Vermelho sejam transferidos para prisões federais de alta segurança. Vamos ver se a política arrefece e a polícia ganha algum comando para tentar fazer algo.

O Xandão entrou na história

O Conselho Nacional de Direitos Humanos pediu ao Supremo que determine que o governo do Rio mande informações sobre as operações. Recentemente, o Supremo chegou a um acordo na conhecida ADPF das Favelas para exigir que o Estado tome certos cuidados ao fazer operações nessas regiões, para redução da letalidade policial. Aí o conselho, que faz a fiscalização do cumprimento da ADPF, pediu e agora o Xandão mandou a Procuradoria-Geral se pronunciar sobre o caso da megaoperação de hoje.

Vai andar o IR dos R$ 5 mil?

Davi Alcolumbre botou para votação uma proposta para alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025, para que a mudança do IR de quem ganha até R$ 5 mil possa valer por mais de cinco anos. É um passo importante para que o projeto, que foi aprovado por unanimidade na Câmara e que é promessa de campanha de Lula, possa funcionar. Mas todo mundo ainda está esperando Renanzito Calheiros, que está enrolando.

Senado americano

E não é que o Senado americano aprovou hoje uma resolução bipartidária para anular as tarifas do Trump contra o Brasil? Gente, nem precisava dessa negociação toda com Trump?

E só para terminar, vocês viram que Israel promoveu novos ataques em Gaza?
Não acaba nunca?

Socorro, BRASEW. E, se quiser entrar na comunidade da Tixa no Zap, é só clicar aqui.

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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