sexta-feira, outubro 31, 2025

Governadores de direita lançam consórcio eleitoral

 

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Arte: Marcelo Chello

Os seis governadores de direita (note que eles nem falam mais em Bolsonaro) aproveitaram a operação mata-mata no Rio para lançar o bonde do “bandido bom é bandido morto”, com nome fantasia de Consórcio da Paz. Paz se faz usando armas, segundo esses governadores. Se ontem foi o Boulos que lançou a campanha da favela x Faria Lima, hoje foram os governadores de direita (sem Bolsonaro) que usaram a guerra trágica da violência no Rio para lançar seu próprio consórcio eleitoral. Se você não se ligou ainda, se liga, que as eleições de 2026 já estão na rua.

E aqui começa o resumo da política brasileira, BRASEW, na newsletter mais lida.

Oi virtual

Tarcísio, o governador paulista, não quis aparecer na foto antes de ter certeza de como isso tudo vai bater no eleitorado e entrou só online (mas faz parte do consórcio). O tal consórcio dos seis governadores (Zema, de Minas; Castro, do Rio; Caiado, de Goiás; Jorginho, de Santa Catarina; Tarcísio, de São Paulo; e Riedel, do Mato Grosso do Sul) foi formado não sei bem para quê. Segundo eles, para trocar informações.

Esses governadores não querem a PEC da Segurança lançada por Lula e que está em discussão no Congresso, porque acham que vão perder poder. A PEC, no fim das contas, também propõe uma espécie de consórcio para combater o crime organizado. Hoje, cada estado combate do seu jeito, e aí ninguém fica seguro.

Os terroristas

A outra pauta da direita, reforçada em coro pelos tais governadores da paz (que não citam mais Bolsonaro), é a de que os traficantes precisam ser enquadrados como terroristas. Para isso, é preciso mudar a lei. O governo Lula resiste a essa pressão, mas, segundo algumas fontes, existe um motivo. Se os traficantes virarem terroristas sob a lei brasileira, governos estrangeiros como o de Donald Trump podem usar a desculpa do terrorismo para fazer operações em território brasileiro, como têm feito na Venezuela?

Esse assunto vai ganhar a pauta das próximas semanas. Huguito Motta, dono da Câmara frigorífica, sinalizou que pode levar o projeto que equipara a atuação de milícias e facções criminosas a terrorismo. A ideia seria votar ainda nas duas primeiras semanas de novembro. Já se fala até que Derrite, que é o secretário de Segurança do Tarcísio, largue o cargo temporariamente para reassumir o mandato de deputado e relatar o projeto que é dele.

Hoje, a lei antiterrorismo prevê que uma ação é terrorista se envolver xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião. O projeto que deve ser apreciado na Câmara inclui na lista ações que imponham domínio ou controle de área territorial. Que é o que as facções criminosas fazem hoje.

Uma coisa está clara, darling. A direita vai se agarrar com tudo na pauta do “bandido bom é bandido morto” e que o governo Lula não está fazendo nada para garantir a segurança da população e que protege a bandidagem.

Bonde da Faria Lima

Já o Planalto está tentando emplacar o discurso de que não adianta matar 200 bandidos no morro, que serão substituídos em 2 minutos por outros 200 bandidos, e que é preciso usar inteligência para tirar o dinheiro dessa galera. Aí a ideia é exaltar a operação da Faria Lima.

Pergunta que não quer calar: toda essa história de narcoterrorismo pode mudar a química entre Lula e Trump?

Vale Tudo

Vale tudo, até aprovar projeto feito pelo Moro. Lula sancionou o projeto do senador Sergio Moro que endurece penas contra quem tenta impedir ou obstruir investigações contra organizações criminosas.

A ministra de Lula

Dona da pasta dos Direitos Humanos, a ministra Macaé Evaristo prometeu às famílias de mortos na operação dos complexos da Penha e do Alemão, no Rio, que vai encomendar uma perícia independente dos corpos dos mortos. A ministra disse que a operação foi um fracasso, uma tragédia, um horror inominável. E repetiu o que já virou o mantra eleitoral do governo: tem que combater o crime organizado começando por cima e não expondo as comunidades.

Mudando de assunto

O Congresso aprovou a medida provisória que muda o setor elétrico e permite que os consumidores possam escolher de quem querem comprar. A ideia é abrir o setor até 2028. Mas, junto, passou o bonde da usina a carvão. Que venha a COP (o evento mundial das Nações Unidas mais importante sobre mudanças climáticas).
Pelo menos uma notícia boa para a COP30: o desmatamento na Amazônia foi o menor em 11 anos.

Trumpices

Vocês viram que o Trump mandou que os Estados Unidos retomem testes com armas nucleares? Que beleza. O mundo que lute, BRASEW.

E chega, que amanhã é sexta.

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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