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A pior operação policial no Rio de Janeiro será sempre a próxima

 

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Quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A pior operação policial no Rio de Janeiro será sempre a próxima


Só um esforço nacional resolverá o caos deste RJ de corrupção permanente, sem política de segurança e com um governador fraco como Cláudio Castro, do PL.

A tragédia da segurança pública no Rio de Janeiro não é isolada nem ocorre só de vez em quando. A operação que resultou em 130 mortes — até a manhã desta quarta-feira, 29 — é só mais um capítulo. Mas por que isso ainda se repete e nada muda?


Primeiro, é importante dizer que a gente já vem de dias muito violentos. Só no fim de semana passado, houve muitos tiroteios na região da Tijuca, no Morro do Borel, com o Comando Vermelho, CV, invadindo um lugar chamado Casa Branca. Também houve muito tiroteio em Costa Barros.


Nessa disputa entre CV e o Terceiro Comando Puro, o TCP, a dona Marli Macedo dos Santos, de 60 anos, foi morta a tiros dentro da própria casa. Já Elisson Nascimento Vasconcelos, 33 anos, foi atingido no peito quando saía de um pagode.


A UPA que ficou fechada por sete dias, após ter sido invadida por criminosos, reabriu na segunda-feira, 27. Mas funcionou por poucas horas e foi fechada de novo por conta do tiroteio.


Eis que, na terça-feira, 28, o dia amanheceu com uma megaoperação da polícia contra o Comando Vermelho. O objetivo seria cumprir 100 mandados. O saldo até a manhã desta quarta-feira é de 130 pessoas mortas, sendo quatro delas policiais, 81 presos e 93 fuzis apreendidos.


Para fazer a apreensão dessas armas e cumprir os mandados, centenas de milhares de pessoas passaram o dia na linha de tiro. A polícia estima que há 500 fuzis na área onde ocorreu a operação — ou seja, a ofensiva não mexe com o problema. Mais de 100 linhas de ônibus não rodaram. Escolas e postos de saúde foram fechados.


Ainda não contabilizamos todas as vítimas de balas perdidas. Uma moça foi baleada na academia e um rapaz em situação de rua, também. Quer dizer, o custo de verdade da operação jamais será medido. E vai ficar por isso mesmo. Quer apostar quanto?


Talvez você esteja pensando: ora, não tem como cumprir mandado de prisão se os criminosos atiram contra a polícia. É verdade. Também fiquei impressionada com os drones do CV jogando bombas na polícia.


Agora, pensa bem: como chegamos até aqui? Como esses drones chegaram lá? E os fuzis? E a imensa quantidade de munição? O problema é muito maior.


O estado do Rio de Janeiro não tem política de segurança. Tem um governador fraco — Cláudio Castro, do PL. Tem polícias que não conversam entre si. Convive com um permanente estado de corrupção. E aí, na hora de cumprir mandados, sobra para quem? Para quem sai todo dia pra trabalhar, porque fica na linha de tiro. Para as crianças que não foram pra aula.


O governador Castro disse que foi tudo planejado: que merda de planejamento é esse que parou uma cidade do tamanho do Rio de Janeiro? Demitam logo quem fez esse planejamento porco.


Vou te lembrar de uma coisa: as três maiores chacinas policiais da história do estado foram no governo Castro – esse “gênio”. Foram 28 pessoas mortas no Jacarezinho, em 2021, 24 na Vila Cruzeiro, em 2022, e agora 130.


O que mudou com essas mortes todas?


Para acabar, preciso lembrar que o CV, assim como o PCC, é uma organização que há décadas vemos crescer. Os muitos governos federais não fizeram nada. Os muitos governadores também.


Não é culpa do PT ou do Jair Bolsonaro. O CV e o PCC são resultados de um país que decidiu empurrar o problema da segurança para debaixo do tapete por mais de 30 anos.


E aí é muito triste, mas muito triste mesmo, ver uma operação como essa de terça-feira. São 130 mortos — até agora — e não vai adiantar nada. Se matar resolvesse – e a gente mata muito —, o Brasil seria a Suíça!


E não é porque a gente não sabe como faz não. Ou vocês já esqueceram a operação da Polícia Federal contra o PCC que deu um prejuízo enorme à facção sem dar um tiro?


Hoje, tudo está na mesma: o tráfico, a polícia, o arrego, os tiroteios, tudo estará funcionando como se nada tivesse acontecido. Por quê? Porque esse é um problema que precisa de um esforço nacional para ser resolvido. Precisa de governo federal, de governador, judiciário, parlamento e sociedade atuando juntos.


Todos os países que deram respostas a esse problema, atuaram assim. No Brasil, isso parece impossível. E, enquanto for impossível, tenha certeza: a pior operação policial será sempre a próxima.


Você pode me perguntar: então, o que deve ser feito? Combater o crime exige outra lógica: atacar fluxos financeiros e patrimoniais, fortalecer corregedorias independentes e combater a corrupção dentro do Estado. Sem isso, as ações apenas deslocam a violência e alimentam o ciclo de poder entre crime, política e polícia.


Pensa nisso! E se você ficou na linha de tiro ou teve que se esconder com seus filhos por conta do tiroteio, saiba que eu lamento demais.


Não deveria ser assim com ninguém.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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