terça-feira, novembro 29, 2022

'Gaslighting' é a palavra do ano, diz dicionário Merriam-Webster

 

'Gaslighting' é a palavra do ano, diz dicionário Merriam-Webster

por Redação

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Foto: Divulgação

O dicionário Merriam-Webster escolheu nesta segunda (28) aquela que considera a palavra do ano de 2022: gaslighting.

 

Sem equivalente em português, o termo é descrito pelo mais famoso dos dicionários americanos como "manipulação psicológica de uma pessoa, geralmente por um longo período de tempo, o que faz com que a vítima questione a validade de seus próprios pensamentos", de acordo com a Folha de São Paulo. 

 

O Merriam-Webster aponta, no entanto, que o significado de "gaslighting" tornou-se nos últimos anos ao mesmo tempo mais amplo e mais simples: "ato ou prática de enganar grosseiramente alguém, especialmente para vantagem pessoal". Segundo o dicionário, houve aumento de 1.740% em buscas por "gaslighting" em 2022.

 

A palavra surgiu em 1938 em uma peça teatral do dramaturgo britânico Patrick Hamilton. Na trama, que serviu de inspiração para a última obra escrita por Jô Soares, um homem tenta fazer sua esposa acreditar que está enlouquecendo quando ela aponta que a intensidade das luzes da casa está diminuindo.

 

A impressão da mulher estava correta --o efeito sobre as luzes decorria de atividades misteriosas do marido no sótão--, mas o homem insistia em negar qualquer alteração e buscava convencê-la de que ela não pode confiar em suas percepções.
 

Nesse contexto, o termo "gaslighting'' é frequentemente utilizado para se referir a um tipo de violência de gênero --a manipulação psicológica de mulheres por seus parceiros--, embora essa definição não seja citada pelo Merriam--Webster.
 

"Ao contrário da mentira, que tende a ocorrer entre indivíduos, e da fraude, que tende a envolver organizações, o gaslighting se aplica tanto a contextos pessoais quanto políticos", diz o comunicado divulgado no site oficial do dicionário.
 

O Merriam-Webster exemplifica alguns usos da palavra; o gaslighting médico, em que profissionais da saúde desdenham ou minimizam relatos dos pacientes; o gaslighting como forma de fugir de discussões e nunca admitir erros; e o gaslighting de empresas de combustíveis fósseis que se vendem como parte da solução da crise climática sem alterar seus modelos de negócio.
 

"Nos últimos anos, com o grande aumento de canais e de tecnologias utilizadas para enganar, gaslighting tornou-se a palavra preferida para a percepção de engano", diz o Merriam-Webster. "É por isso que ganhou seu lugar como nossa palavra do ano."

 

Veja outros destaques:

Oligarca: Embora "oligarquia" se refira a um sistema de governo ou gestão concentrado nas mãos de poucos, o que impulsionou as buscas pelo termo em 2022 foi a Guerra da Ucrânia. "Oligarca", segundo o Merriam-Webster, pode se referir a "classe de indivíduos que por meio da aquisição privada de bens estatais acumulou grande riqueza que é armazenada especialmente em contas e propriedades estrangeiras e que normalmente mantém laços estreitos com os círculos mais altos do governo". Os exemplos mais frescos são os oligarcas russos, bilionários próximos ao presidente Vladimir Putin.

 

Ômicron: A 15ª letra do alfabeto grego foi escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para nomear, em 2021, uma das variantes mais contagiosas do coronavírus. Batizar as diferentes cepas do vírus com letras gregas foi uma estratégia da OMS para, entre outras razões, desvincular as variantes dos países em que elas foram identificadas.

 

Codificar: Embora pouco utilizada nesse sentido em português, a palavra se refere ao ato de criar uma lei. Segundo o Merriam-Webster, o termo "codify", em inglês, teve picos de buscas em maio e junho, em decorrência da decisão histórica da Suprema Corte dos EUA, que deixou de reconhecer o acesso ao aborto como direito constitucional.

 

LGBTQIA: Acrônimo para lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, queer, intersexuais e assexuais, a sigla busca representar diferentes formas de orientação sexual e identidade de gênero —e é frequentemente utilizada acompanhada pelo símbolo "+" para se referir a outras possíveis classificações. O pico das buscas se concentrou em junho, tradicionalmente o mês em que se celebra em vários países o Orgulho LGBTQIA+.

 

Senciente: Também traduzido do inglês "sentient" como "autoconsciente", o termo ganhou impulso em junho, quando um engenheiro do Google disse que o chatbot de inteligência artificial da empresa teria adquirido consciência. Blake Lemoine foi demitido pelo Google por violar políticas internas de segurança de dados.

 

Raid: Traduzido para o português como "incursão" ou mesmo "batida policial", o termo se refere operações de agentes de aplicação da lei, geralmente sem aviso prévio. A palavra ficou mais popular no Merriam-Webster depois que o FBI, a polícia federal americana, fez uma operação na mansão do ex-presidente Donald Trump, em agosto.

 

Rainha consorte: A morte da rainha Elizabeth 2ª, em setembro, alçou seu filho mais velho, Charles, ao trono. A esposa do agora rei Charles 3º, Camilla Parker-Bowles, tornou-se automaticamente rainha consorte. Camilla poderia continuar com o título de princesa consorte, como forma de evitar a animosidade que grande parte dos britânicos nutriam contra ela. Neste ano, porém, a própria Elizabeth expressou o desejo de que a nora recebesse o título de rainha consorte quando surgisse a ocasião apropriada.

Bahia Notícias

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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