segunda-feira, novembro 28, 2022

Um vergonhoso cemitério de obras inacabadas

em 28 nov, 2022 7:31

Adiberto de Souza 


Entra e sai governo sem que se ponha um fim no desperdício de recursos públicos com as obras inacabadas espalhadas por este Brasil afora. Levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União mostra que somente em Sergipe existem 186 esqueletos do que poderiam ser creches, escolas ou unidades de saúde. Ao todo, dos 22.559 empreendimentos iniciados no Brasil, 38,5% estão parados. Ou seja, de cada 10, praticamente quatro não foram à frente. São 8.674 projetos paralisados, sendo que mais da metade, 4,4 mil, na área de educação. Somadas, as obras inacabadas já consumiram R$ 27,2 bilhões do contribuinte. Em Sergipe, o caso mais emblemático do desperdício de dinheiro público é a duplicação da BR-101. Iniciada em 1998, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a obra se arrasta há 24 anos e não tem previsão para ser concluída, apesar das sucessivas promessas feitas pelos presidentes pós FHC. O pior é que nada pode ser feito para punir os responsáveis por esse imenso e vergonhoso cemitério de obras abandonadas. Home vôte!

Fugindo das pressões

O governador eleito Fábio Mitidieri (PSD) só dará as caras em Sergipe na próxima quinta-feira. Mesmo tendo retornado da Inglaterra no último sábado, o fidalgo optou em permanecer em Brasília ao lado da esposa Érica, que viajou com ele a Oxford, onde participaram de um Encontro de Lideranças. As línguas ferinas andam espalhando pelas esquinas do estado que Mitidieri optou em permanecer alguns dias em Brasília para fugir das pressões de aliados, que querem “nomear” secretários e diretores de órgãos públicos no governo dele. Marminino!

Salve Gil!

Os brasileiros, em sua grande maioria, saíram em defesa do cantor e compositor Gilberto Gil, agredido verbalmente por alguns idiotas quando chegava num estádio de futebol do Qatar. Segundo o senador Rogério Carvalho (PT), o ataque covarde sofrido pelo músico baiano causou revolta e indignação. “Gil é um dos maiores artistas do Brasil, que nos orgulha e contribui com nossa cultura em todo o mundo. Não podemos mais tolerar atitudes estúpidas e intransigentes como essas”, afirmou Rogério. Diante de repercussão negativa, o empresário Ranier Felipe dos Santos Lemache, foi às redes sociais dizer que estava no local, porém as agressões foram proferidas por um amigo dele. Ou seja, tirou o dele da reta. Danôsse!

Espaço para corrupção

Delegado de polícia, o senador Alessandro Vieira (PSDB) garante que o orçamento secreto do Congresso contribui para que pessoas corruptas tirem proveito dos recursos destinados para áreas essenciais. Vieira entende que que o melhor remédio para esse sequestro do dinheiro público é o Supremo Tribunal Federal declarar a inconstitucionalidade desse suspeitíssimo orçamento secreto. Resta saber o que os demais integrantes da bancada federal de Sergipe pensam sobre a posição de Alessandro. Creindeuspai!

Santa de presente

O ex-prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro (PV), ganhou do amigo Joel de Louro uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, trazida diretamente do Santuário, no interior paulista. E por falar em Valmir, o Superior Tribunal de Justiça acaba de negar provimento ao recurso em habeas corpus onde o lagartense pedia o trancamento da ação penal acusando-o de peculato. A defesa alegou ausência de justa causa, mas o colegiado do STJ entendeu que foram demonstrados elementos suficientes para justificar o processo. Monteiro é acusado de ter nomeado para cargos comissionados pessoas que recebiam sem exercer as atividades, os chamados funcionários fantasmas. Misericórdia!

Disputa entre iguais

Veja o que publicou no Jornal da Cidade a amiga Thaís Bezerra: “Os deputados estaduais e partidos políticos estão envolvidos com a eleição da futura Mesa Diretora da Assembleia. Dizem por aí que a Presidência e a 1ª Secretaria são do PSD e ninguém tasca. Partido do governador eleito Fábio Mitidieri, a legenda pessedista quer eleger os deputados Jeferson Andrade e Luciano Bispo, respectivamente, presidente e 1º secretário. Em isso se confirmando, sobrarão para os demais partidos com representação na Assembleia a vice-presidência e as outras três secretarias. Segundo minha amiga abelhinha, o União Brasil e o Republicanos são os mais interessados na Presidência e na 1ª Secretaria, mas sabem que dificilmente conseguirão”. Aguardemos, portando!

Recordar a viver!

Em 1989, o advogado Daniel Tourinho, um sergipano radicado no Rio de Janeiro, resolveu se eleger deputado federal em Sergipe. Presidente do PRN, partido comandando à época por Fernando Collor de Mello, o homem desembarcou em Aracaju montado na grana. Por isso mesmo, o comitê dele vivia lotado de políticos, que lhe prometiam milhares de votos. Porém, ao serem abertas, as urnas expuseram o tamanho da traição. Com menos de 15 mil votos, Daniel Tourinho não ficou nem na primeira suplência. Encabulado, botou a viola no saco e voltou para o Rio de Janeiro, onde vive até hoje. Aff Maria!

Ajuda reconhecida

O Hospital de Amor de Lagarto inaugurou uma placa em homenagem aos deputados federais e senadores de Sergipe que contribuíram com a obra através de emendas do Orçamento da União. Segundo Henrique Prata, responsável pelo importante empreendimento, com a conclusão da primeira etapa, o Hospital deve iniciar os primeiros atendimentos em abril do próximo ano. Réplica do hospital da cidade paulista de Barretos, a unidade de Lagarto será referência no tratamento do câncer. São 61 mil metros quadrados de área, dos quais quase 20 mil metros são de área construída. Legal!

Defesa das mulheres

O Ministério Público de Sergipe reúne a imprensa, nesta segunda-feira, para tratar sobre a campanha nacional “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. “Eu, tu, eles e nós pelo fim da violência contra a mulher!” foi o tema escolhido pelo MPE para conscientizar os homens e a população em geral sobre o papel que precisam desempenhar para colaborar com o fim da discriminação e violência contra as mulheres. De acordo com dados da Superintendência de Polícia Civil, de 2019 até agora foram registradas em Sergipe mais de 21 mil denúncias de ameaças, lesão corporal, injúria e violência física praticadas contra mulheres pardas e negras. Nesse mesmo período, as mulheres trans registraram 169 denúncias, distribuídas nos mais diversos tipos de violência. Só Jesus na causa!

Memorial dos Náufragos

O governador Belivaldo Chagas (PSD) vai deixar pronto para ser tocado por seu sucessor Fábio Mitidieri (PSD) do Memorial dos Náufragos de Sergipe. O empreendimento será construído na Orla Sul de Aracaju e visa relembrar os naufrágios de três navios torpedeados na costa sergipana e que culminaram com a entrada do Brasil na 2ª Guerra Mundial. No dia 15 de agosto de 1942, um submarino alemão torpedeou os navios mercantes Baependi, Araraquara e Anibal Benévolo, matando 607 pessoas no litoral do estado. Segundo Belivaldo, além do resgate deste importante acontecimento da história de Sergipe e do Brasil, o Memorial dos Náufragos fomentará ainda mais o potencial turístico da região. Supimpa!

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Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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