terça-feira, novembro 29, 2022

Foto de Eduardo Bolsonaro curtindo na Copa já é motivo para desestimular manifestantes

Publicado em 28 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Eduardo Bolsonaro e esposa aparecem no Qatar durante o jogo entre Brasil e Suíca; imagem irrita grupos acampados em quartéis

Enquanto os manifestantes sofrem. Eduardo se esbalda…

Paula Soprana
Folha

“Estamos na luta para ver isso?”, pergunta um integrante de grupo da militância bolsonarista em mensagem por aplicativo após ver, pela transmissão da TV na tarde desta segunda-feira (28), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) na plateia do jogo entre Brasil e Suíça na Copa do Mundo.

“Achei uma puta falta de respeito o Eduardo Bolsonaro estar no Qatar assistindo à Copa enquanto a gente fica implorando ajuda das FAA”; “Se o Eduardo largou de mão e foi para Copa, o problema é dele, eu vou continuar lutando pelo Brasil”; e “Eduardo Bolsonaro tirando onda na Copa…” são algumas das várias mensagens desses grupos, que acusam o filho do presidente Jair Bolsonaro (PL) de abandonar a empreitada que pretende deslegitimar a eleição.

COM A MULHER – Eduardo aparece sorrindo para uma foto ao lado da mulher Heloísa Bolsonaro e de um homem fantasiado que segura uma réplica da taça. Em um vídeo que circula nos grupos, o frame da transmissão é colocado ao lado de dramática imagem de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) protestando sob vento forte e chuva.

A aparição repentina de Eduardo na Copa, em meio ao longo período de reclusão do clã Bolsonaro após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), irritou os bolsonaristas mais radicais, que estão há 27 dias acampados em áreas militares de algumas cidades do Brasil, como São Paulo e Brasília.

Apesar da revolta, também surgiram nos grupos mensagens conspiracionistas de confiança no filho do presidente. Ele estaria no Qatar não apenas para assistir aos jogos, mas por alguma motivação política oculta, segundo sugeriu uma integrante de um grupo de “resistência civil”.

Outra afirmou que não era para esquecer que Bolsonaro havia viajado à Rússia para comprar fertilizantes. Em seguida, ela escreve entre parênteses “armamento para as Forças”, dando a entender que o presidente, na verdade, teria comprado arma para o Exército, e não insumos agrícolas, quando encontrou Vladimir Putin.

“INFILTRADOS LULISTAS” – Alguns comentários, entretanto, parecem ser de infiltrados lulistas, como um que diz ser muito desanimador estar na frente do quartel. Esse tipo de conteúdo logo é denunciado pela patrulha que não quer deixar o clima nos grupos esfriar.

Outra pessoa relembrou que a família Bolsonaro não poderia comparecer aos atos, diante do cunho golpista, e que a relação principal da militância é com as Forças Armadas, que representariam um suposto poder moderador capaz de intervir contra a vitória de Lula.

Um militante disse que Eduardo Bolsonaro está rodando mundo para repassar as notícias do Brasil e trabalhando “junto com o argentino” nas pesquisas sobre as urnas. O argentino é o consultor político Fernando Cerimedo, o primeiro a aparecer com relatórios sobre fraude nas urnas e que se tornou um herói para bolsonaristas. Suas informações já foram refutadas por especialistas.

MAIS MENSAGENS – Outro membro escreveu que qualquer um que tente colocar Bolsonaro contra os atos antidemocráticos vem do “sistema”. Integrantes dos grupos entendem por sistema um falso conluio que reuniria imprensa, Judiciário e PT.

Um militante respondeu que “o general” já foi claro ao passar o recado de que todos devem permanecer nos quartéis, mas não citou seu nome. Qualquer suposto sinal emitido pelas Forças Armadas, como um membro do Exército filmando a manifestação de dentro do quartel, é interpretado como endosso à pauta golpista.

Um nome que aparece em grupos de Telegram como suposto apoiador, por exemplo, é o do Brigadeiro Baptista Jr., comandante da Força Aérea Brasileira, por este ter curtido publicações no Twitter como “SOS restabelecimento da Lei e da Ordem!”, “SOS FAA” e “Forças Armadas, salvem o Brasil”, o principal grito de guerra dos acampados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Os fanáticos tentam manter o moral alto, mas está muito difícil. A aparição de Eduardo Bolsonaro na Copa é uma idiotice inaceitável. É claro que muitos manifestantes vão se sentir desestimulados. No Estadão, a colunista Mariana Carneiro publica comentário do senador Alessandro Vieira (PSDB-SE). Ele afirma que a aparição de Eduardo Bolsonaro no Catar indica que os bolsonaristas concentrados em frente aos quartéis do Exército Brasil afora estão desconectados da realidade. “Não vejo problema em ir à Copa. Só mostra a distância entre a ficção em que vivem apoiadores do presidente e a realidade”, disse Alessandro Vieira. (C.N.)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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