sábado, outubro 30, 2021

Bolsonaro entra no ano pré-eleição com economia pior que antecessores, diz estudo




O presidente Jair Bolsonaro é o primeiro mandatário do Brasil a entrar no ano pré-eleitoral pior que seus antecessores, pelo menos do ponto de vista da economia. É o que mostra um levantamento feito pela consultoria financeira Duff & Phelps no Brasil.

Os dados na tabela abaixo dão a dimensão do quanto os indicadores pioraram de janeiro a outubro de 2021, a um ano das eleições majoritárias de 2022. Mas o indicador mais eloquente na retratação da deterioração é a taxa de risco-País, que é um sensor quase que preciso de incertezas e instabilidades políticas de qualquer país.

Tanto que de janeiro a outubro deste ano pré-eleitoral o risco-País disparou de 261 pontos, em 4 de janeiro, para 336 pontos em 21 de outubro, data de corte do levantamento. Isso não aconteceu do governo Fernando Henrique Cardoso, passando pelos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Todos os presidentes que antecederam Bolsonaro e que concorreram à reeleição entraram nos seus respectivos anos pré-eleitorais com uma alta menor ou com uma taxa final de risco-País melhor que a dele. No mesmo período de FHC, em 1997, a taxa havia caído de 514 para 341. Sob Lula, em 2005, a taxa oscilou de 386 para 383. Com Dilma, em 2013, subiu de 136 para 211.

Mais que isso: dados importantes como inflação e câmbio também tiveram deterioração mais importante durante esse ano no governo de Bolsonaro do que no mesmo período dos governos de presidentes anteriores. O levantamento toma como base de análise dados oficiais do Ipea Data e do Banco Central.

De acordo com diretor-executivo da Duff & Pheps no Brasil, Alexandre Pierantoni, a tendência de aumento da deterioração fica mais evidente quando se leva em consideração outro dado revelado pela consultoria relativo ao primeiro ano da pandemia no planeta e seus impactos no custo de capital das empresas.

Neste quesito, 49,3% dos 730 participantes da pesquisa informaram que passaram a incorporar ajustes de risco-país diretamente em suas estimativas de custo de capital, as chamadas taxas de desconto, diante de um mínimo de respondentes de 0,7% que disseram não acreditar que os investidores globais exijam um prêmio incremental pelo risco-país.

“Em mais de um ano de Covid, a percepção de risco do investidor e o custo do capital aumentou no mundo inteiro. Os países elevaram os riscos e hoje os reduziram para o patamar pré-pandemia. Em alguns lugares, o risco-país está até menor porque você teve uma injeção de liquidez e você estimulou com juros todo o sistema financeiro”, disse o executivo.

Esse estímulo do sistema financeiro, segundo Pierantoni, também veio para o Brasil. O País foi um dos que, do ponto de vista da atuação do governo com estímulo ao sistema financeiro, se equiparou a nações de primeiro mundo.

“Agora, o Brasil está mostrando um descolamento da recuperação mundial por conta da piora da percepção de risco-país, muito em função da falta de previsibilidade e da instabilidade provocadas por fiscal, inflação e uma crise energética que afetam a recuperação. E isso recai sobre o risco-país”, declarou o diretor da Duff & Phelps no Brasil.

Sem falar na questão da polarização ou na discussão política de eleição no ano que vem. “E o (ano) pré-eleitoral já tem, na América Latina como um todo, um risco maior associado. Particularmente no Brasil neste ano, porque além da crise sanitária, nós estamos adicionando fatores econômicos e políticos que estão afetando taxa juros, câmbio, dívida e emprego”, continuou.

Ainda segundo Pierantoni, há também uma falta de oferta global que vai afetar todas as cadeias, inclusive a logística. E o Brasil, de acordo com ele, se posiciona no final desta cadeia em nível mundial.

“Tudo isso traz risco para o País. Então, o nosso ambiente mão é só o pré-eleitoral. O pré-eleitoral existe, mas você tem todo um outro cenário. O Brasil sempre flerta com o perigo, na minha opinião, mas nós estamos flertando mais ainda num ambiente de instabilidade política e de falta de previsibilidade”, opinou.

Estadão / Dinheiro Rural

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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