domingo, agosto 30, 2020

Convenções partidárias em novo formato abrem corrida partidária a partir desta segunda-feira

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TSE autorizou convenções partidárias realizadas virtualmente
Alice Cravo e João Paulo Saconi
O Globo
Depois de levar ao adiamento das eleições municipais deste ano, a pandemia da Covid-19 instala, a partir da semana que vem, um “novo normal” na corrida dos partidos políticos até a votação. Com o isolamento social e outras medidas necessárias para conter o contágio, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou, em julho, que as convenções partidárias sejam realizadas virtualmente, o que acontecerá a partir desta segunda-feira em capitais como Rio e São Paulo.
Nas duas cidades, ao menos 12 legendas vão optar por reuniões virtuais com o objetivo de oficializar suas candidaturas. Nas últimas duas semanas, as convenções dos partidos Democrata e Republicano, nos Estados Unidos, país com maior número de mortos na pandemia, contrastaram nos cuidados com o coronavírus.
AGLOMERAÇÃO – Os democratas ungiram Joe Biden numa reunião majoritariamente virtual, com a presença de poucos delegados junto ao candidato. Já Donald Trump lançou-se à reeleição provocando aglomeração no jardim da Casa Branca.
No Brasil, as convenções podem ser realizadas até 16 de setembro, conforme o calendário da Justiça Eleitoral. O presidente da Comissão Nacional de Direito Eleitoral da OAB, Eduardo Damian, considera que, apesar de serem uma opção do partido, as convenções virtuais são recomendáveis para evitar aglomerações. “Os partidos precisam ter consciência e cautela, (encontros presenciais) podem depois ter notícia de que ali foi um foco de propagação do vírus “, afirmou.
DIFERENTES FORMATOS – Nos encontros, os filiados autorizados a votar, chamados “convencionários”, deliberam sobre os nomes que irão compor a chapa ou que serão apoiados pelo partido. Em seguida, como em outros anos, as siglas lançam a ata da convenção no sistema da Justiça Eleitoral. Algumas legendas, como o partido Novo, contrataram empresas para operar a virtualização do processo.
“O voto será sigiloso, como determina o TRE. Em uma das salas de Zoom será a recepção, com os discursos. Na outra sala, que terá um link individual, com senha, e entrarão apenas os aptos a votar”,  disse Rodrigo Rezende, presidente do diretório municipal do Novo. O PSDB também criou uma dinâmica para realizar convenções na internet, através de um portal disponibilizado pela executiva nacional aos filiados. Fizeram opções semelhantes, no ambiente digital, PSOL, PSL, PT, PSD, PRTB, Patriota e PCdoB.
CUIDADOS REDOBRADOS – Entre os que optaram por manter a tradição das convenções exclusivamente presenciais, há promessa de redobrar os cuidados.  Entre eles, está o PL e o PSC, que só permitirá a presença dos pré-candidatos à prefeitura do Rio Glória Heloiza e Otoni de Paula, bem como os pré-candidatos a vereadores e os convencionais com direito a voto. O PTB já tem data e hora marcada para o encontro, mas segue em busca de um lugar em que seja possível garantir a segurança dos participantes.
“Segurança sanitária é a prioridade, estamos vendo o melhor lugar para isso. Mas vamos limitar o número de pessoas, colocar álcool em gel, máscara, higienizador de sapato, distanciamento, vamos ter empresa especializada para isso”, conta Cristiane Brasil, deputada federal e pré-candidata à prefeita do Rio pelo partido.
PRÉ-CAMPANHA – Assim como as convenções, eventos realizados no período de pré-campanha, antes realizados corpo a corpo, foram transformados em lives e videochamadas, como mais um efeito da pandemia. Apesar da falta do contato físico, pré-candidatos ouvidos pelo GLOBO relatam que estão se adaptando positivamente ao meio digital.
Martha Rocha, pré-candidata pelo PDT à prefeitura do Rio, destaca que sua ausência nas ruas foi uma opção pessoal pelo “respeito aos eleitores”. Entre lives, podcasts, encontros populares e reuniões com a equipe de campanha, ela pontua que sente falta da proximidade, mas que se acostumou com o formato depois de um tempo.
“Quero respeitar as pessoas, ainda não estamos em um momento bom. Estamos em flexibilização, mas as mortes estão altas e a contaminação é uma realidade. Eu não me sinto autorizada a fazer alguém me ouvir presencialmente. Como todo carioca, gosto de estar junto, da proximidade, de apertar a mão. No início eu achava difícil, achava que era distante falar olhando para uma câmera, mas em acostumei e hoje acho que trabalho até mais”, afirmou.
VANTAGENS – Eduardo Bandeira de Mello, pré-candidato pela Rede em coalizão com o PDT de Martha e o PSB, já consegue ver vantagens na vida digital, como a economia de tempo. No entanto, ele destaca que o alcance, por vezes, é reduzido.
“Fiz tudo online e acho que hoje não conseguiria fazer boa parte do que fiz se estivesse encontrando presencialmente. A gente fala pra um grupo mais reduzido. Antes, eram 100 ou 200 pessoas, mas é difícil colocar isso numa sala do Zoom. Por outro lado, você ganha tempo, faz mais reuniões, não perde tempo com deslocamentos e atrasos “, pondera.
Clarissa Garotinho, pré candidata à prefeita do Rio pelo PROS, acredita que, em contrapartida às limitações, as lives têm gerado engajamento significativo.
“Fiz uma live que tinham 900 pessoas ao vivo me vendo. Depois, esse conteúdo ainda fica disponível. É um alcance muito grande, embora a gente perca no afetivo. Mas não tive dificuldade de me adaptar. Não consigo ver as pessoas na rua pegando folheto, conversando, tirando foto. Infelizmente, uma parcela do eleitorado ainda não tem acesso à internet, computador, mas podemos sim alcançar mais pessoas nas redes.
SAUDADES DAS RUAS – Benedita da Silva, do PT, relata estar sentindo saudades das ruas, mas também pretende evitar aglomerações. A ideia da deputada federal e pré-candidata é deixar sua casa, na capital fluminense, apenas para agendas seguras e pré-programadas. No isolamento, ela tem superado o desafio de se habituar à nova rotina sem a ajuda presencial da equipe e de familiares.
“Não tinha feito nada disso antes, com toda franqueza. Sem as pessoas por perto, foi preciso me readaptar. Meus netos ainda me ajudam bastante: eles acompanham as novidades e eu me esforço para acompanhá-los. Estou me virando nos trinta e tem funcionado: construí uma rotina digital intensa”, afirma a petista. Já o pré-candidato do MDB, Paulo Messina, ainda está definindo a data e o formato da convenção.
O PSD no Rio lançou um curso de campanhas digitais, cujo objetivo é, segundo a legenda, orientar os candidatos sobre a “importância do bom uso das redes sociais numa campanha, a boa importância da boa comunicação”. O curso apresenta os meios digitais que podem ser utilizadas e a legislação eleitoral sobre o tema.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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