segunda-feira, dezembro 27, 2010

Fiscalização eletrônica vai começa

.Fiscalização eletrônica vai começar
Equipamentos numa das avenidas de Aracaju: SMTT reduziu limite de velocidade e não fez campanha educativa


Chegará a 100 o número de equipamentos que controlam a velocidade dos veículos que já estão sendo instalados pela Prefeitura de Aracaju. Além dos equipamentos que controlam a velocidade, que geram multa em caso de desrespeito ao limite máximo de velocidade estabelecido pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito da PMA (SMTT), também serão instaladas 12 câmara de monitoramento de trânsito em pontos estratégicos da cidade. As câmaras servirão para auxiliar a SMTT na fiscalização, mas não será fator preponderante para multar o motorista infrator, segundo informou a Assessoria de Comunicação da SMTT.

A iniciativa da PMA tem gerado polêmica, mas a SMTT garante que a grande maioria dos equipamentos foi instalada por solicitação da própria população devido aos excessos praticados por um elevado número de motoristas nas vias de maior movimentação. Funcionarão, a partir do final do mês de janeiro, 40 radares, 40 equipamentos mistos, instalados nos semáforos, 20 lombadas eletrônicas e as 12 câmaras de monitoramento (Conheça detalhes dos locais específicos de cada equipamento no box abaixo).

O motorista deve ter maior atenção e, principalmente, em cinco pontos específicos, cuja velocidade máxima está limitada em 40 km/h, embora tratando-se de radares e equipamento misto, associado ao semáforo: cruzamentos da avenida Augusto Maynard com a rua Itabaiana - equipamento misto associado ao semáforo, e cinco radares: avenida Matadouro, cujo equipamento está instalada em frente ao número 808, avenida Santos Dumont (Coroa do Meio), em frente à Cantina D´Itália, um na Passarela do Caranguejo (Praia de Atalaia) e outro na avenida Juscelino Kubitscheck, próximo à rua Gumercindo Bessa. Nas 20 lombadas eletrônicas, a velocidade máxima está limitada em 40 km/h, enquanto na grande maioria dos radares e dos equipamentos mistos a velocidade máxima é de 60 km/h.

Para instalar os novos equipamentos, a Prefeitura de Aracaju, segundo informações da Assessoria de Comunicação da SMTT, realizou processo de licitação do qual duas empresas saíram vencedoras, entre as seis inscritas. A partir da licitação, as empresas Splic, de São Paulo, e Copp de Santa Catarina, começaram a instalação dos novos equipamentos em pontos estratégicos da cidade. Além de lombadas eletrônicas e fotossensores, a SMTT também instalará câmaras que vão monitorar todo o tráfego em 12 pontos estratégicos da cidade, entre eles a Praia 13 de Julho, e avenidas Hermes Fontes, Tancredo Neves, Beira Mar, Pedro Calazans, Barão de Maruim e Francisco Porto.

Segundo o jornalista Jairo Almeida, da Assessoria de Comunicação da SMTT, as câmaras não serão utilizadas para aplicar multas ao motorista infrator, mas para coibir as infrações de trânsito. Conforme revelou, ao flagrar situação irregular, a SMTT adotará medidas para identificar o motorista e orientá-lo sobre a infração. A multa só será aplicada se houver resistência por parte do motorista, enaltece o jornalista.

De acordo com a Assessoria de Comunicação do órgão, Aracaju possui 35 equipamentos que controlam velocidade, entre fotossensores e lombadas eletrônicas, e outros 65 já estão sendo instalados pelas empresas que venceram a licitação realizada pela Prefeitura de Aracaju. Todos os equipamentos deverão entrar em funcionamento no final do mês de janeiro. Antes, no entanto, a PMA fará uma divulgação massificada levando à população informações sobre o tipo dos equipamentos e os locais onde estão instalados, destacando a velocidade máxima permitida em cada trecho.

A movimentação da SMTT para instalação dos equipamentos eletrônicos de controle de velocidade chamou a atenção do deputado federal José Carlos Machado (DEM), que criticou as novas medidas e anunciou interesse de solicitar informações à PMA a respeito de todo o procedimento. A manifestação do parlamentar gerou insatisfação na SMTT. As pessoas criticam sem saber a realidade. Basta que as pessoas procurem a SMTT para melhor se informar a respeito da questão, orienta Jairo Almeida.

O jornalista informa que, além de atender pleito da comunidade, a SMTT também realizou estudo técnico antes de definir os locais para instalação dos novos equipamentos. A comunidade solicita quebra-molas, mas a SMTT entende que quebra-mola atrapalha o trânsito e, então, adotou a alternativa de instalar as lombadas eletrônicas, enfatizou o jornalista.

Entre os novos locais monitorados pelos equipamentos eletrônicos de controle de velocidade, está a orla, entre a Coroa do Meio e a Passarela do Caranguejo, onde já estão instaladas duas lombadas eletrônicas e radares que estabelecem em 40km/h a velocidade máxima permitida.

Cássia Santana - cassiasantana@jornaldodiase.com.br

Fonte: Jornal do Diase

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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