BRASÍLIA - Depois de pedir licença de 45 dias do cargo de presidente do Congresso, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) entrou ontem com um requerimento de afastamento do mandato, por motivo de saúde, de dez dias. A licença seria para fazer exames médicos de rotina. Essa nova licença não será somada ao período de 45 dias.
Desde que se afastou da presidência, no dia 11, Renan não aparece no Senado. Havia expectativa de que ele pudesse voltar hoje para, mais de perto, tentar negociar com os colegas da Casa a manutenção do mandato. No entanto, a licença não o afastou dos holofotes. Investigações continuaram a ponto de, amanhã, Renan ser alvo de mais uma denúncia ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, a sexta desde da eclosão da crise.
O afastamento do presidente licenciado do Congresso desencadeou um luta sucessória no Senado. O nome mais forte do PMDB para sucedê-lo na presidência, hoje, é o do senador José Maranhão (PB). Diante da movimentação de líderes da oposição, que desde a semana passada se articulam em torno de uma lista de cinco senadores do partido, a cúpula governista da legenda decidiu entrar no jogo em favor de Maranhão, que preside da Comissão Mista de Orçamento.
Consultado pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), sobre a possibilidade de assumir o comando do Legislativo, o senador do PMDB da Paraíba pediu para ficar fora da lista, com o argumento de que aguarda decisão judicial que pode cassar o mandato do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e levá-lo de volta ao governo do Estado, na condição de segundo colocado na eleição de 2006. Um dirigente peemedebista ligado a Renan e ao senador José Sarney (PMDB-AP) afirma, no entanto, que a negativa é "jogo de cena".
"Estou à frente da Comissão de Orçamento e gostaria de concluir este trabalho", afirmou Maranhão ontem. Ele confirma que está, sim, na expectativa de que a Justiça se manifeste sobre o processo contra Lima por abuso de poder econômico na campanha, mas insiste que está "fora da disputa" do Senado.
Para rebatê-lo, o dirigente peemedebista diz que Maranhão aguarda apenas que seu nome seja trabalhado dentro e fora de bancada para que possa surgir como solução de consenso. Afinal, completa a mesma fonte, não há outra opção que agrade o grupo de Renan e Sarney, e ainda transite bem no Planalto e na oposição.
Os outros quatro nomes do PMDB também cogitados pela oposição são os senadores Garibaldi Alves (RN), Gerson Camata (ES), Pedro Simon (RS) e o ministro das Comunicações, senador Hélio Costa (MG), que admitiu trocar o ministério pela cadeira de senador. Nenhum deles, no entanto, desponta como solução natural nem tampouco tem o apoio do grupo ligado a Renan e Sarney.
Costa é alvo de críticas constantes da bancada de senadores e deputados do PMDB, todos queixosos pelos "maus tratos" do ministro que "ignora" os pleitos dos parlamentares. Alves era velho amigo do senador José Sarney (PMDB-AP), mas desentendeu-se com o grupo quando aderiu ao movimento dos rebeldes do PMDB e derrubou uma medida provisória (MP) que criava 660 cargos federais, até mesmo o Ministério de Ações de Longo Prazo. Desde então, Sarney considerou-se traído e seu grupo não o perdoou.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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