segunda-feira, fevereiro 26, 2007

RAIO LASER

Cobrança
Circula pela internet o discurso do líder do PT na Assembléia, Waldenor Pereira, parabenizando o ex-deputado Padre Joel pela autoria de projeto de lei que benefia autistas no Estado e foi, posteriormente, vetado pelo governo sob o argumento de ser inconstitucional.
Namoro
Ao admitir ontem, pela primeira vez, que tem interesse na disputa pelo Palácio Thomé de Souza, o apresentador Raimundo Varela, da TV Itapoan, se transformou no fato novo da incipiente mas já concorrida sucessão da capital baiana.
Suspeitos
Com o prazo estabelecido para a elucidação do assassinato do funcionário Neylton Souto, da Secretaria Municipal de Saúde, se aproximando, a polícia baiana pode fazer tudo, menos promover o afastamento dos delegados que definiram desde o início a linha de investigação, conforme especulações do final de semana.
Folia do crime
A última edição de Veja não alisa com relação aos indicadores sobre a violência do Carnaval em Salvador, tema que já levou o governador Jaques Wagner a brigar até com a Globo. Sob o título “Carnaval violento na Bahia”, com a retranca “Crime” e gráficos sobre a criminalidade, a publicação supostamente atenta tanto contra o turismo quanto a Globo.
Oposição
Candidatíssimo à sucessão de Jorge Bornhausen na presidência nacional do PFL, o baiano José Carlos Aleluia tem pronto o discurso para conquistar os convencionais da legenda: “Ou nos consagramos como uma legenda de oposição ao governo Lula, como fizemos no início do primeiro mandato do petista, trabalhando para construir uma candidatura competitiva às próximas eleições presidenciais, ou seguiremos como sublegenda do PSDB, com o que não concordo”, afirma.
Grampos I
Na convenção tucana do último sábado, ao dizer que o partido é parceiro da modernização e do desenvolvimento do Estado e se referir aos novos tempos vividos pela política baiana, o ex-presidente do PSDB, Jutahy Jr., fez uma brincadeira com o deputado Benito Gama, sentado na primeira fila do evento.
Grampos II
Lembrou que por volta de 2002 tivera uma conversa ao telefone com Geddel Vieira Lima na Câmara dos Deputados num local em que a pessoa mais próxima era o deputado Benito. Para surpresa do tucano e do peemedebista, o conteúdo da conversa foi quase todo revelado em seguida.
Grampos III
Jutahy disse que chegou genuinamente a pensar que Benito tivesse escutado o telefonema e o reproduzido até que finalmente estourou o escândalo dos grampos baianos, do qual vários parlamentares de oposição foram vítimas. “Inclusive eu próprio, Jutahy”, lembrou Benito, causando risos na mesa e na platéia.
Metralhadora giratória
O pefelista Eraldo Rocha desceu o malho no PT, no Governo e até na Prefeitura em sua estréia como líder do partido na Assembléia Legislativa, na quinta-feira passada. Chegou a cobrar o afastamento do secretário municipal de Saúde, Luis Eugênio, até o esclarecimento da morte do funcionário Neylton Souto.
CURTAS
* Caso Neylton - Um deputado estadual do PT conversou na semana passada com uma das acusadas pela polícia baiana de terem encomendado a morte do funcionário Neylton Souto, da Secretaria Municipal de Saúde. Tenso e emotivo, o encontro deixou o parlamentar visivelmente preocupado. * Tamanho família - Explicação para o recuo na estratégia do presidente regional do PMDB, Geddel Vieira Lima, de trazer o prefeito João Henrique (PDT) para o partido: ele só aceitaria o ingresso do alcaide acompanhado da mulher, Maria Luíza, do cunhado, Sérgio Brito, e do pai, João Durval. E os dois últimos estão com o pé atrás. . * Não anda - O ministro da Relaçôes Institucionais, Tarso Genro, já desmarcou três vezes um encontro com o presidente do Senado, Renan Calheiros, para tratar do projeto de reforma política. Tudo em razão das pressões sofridas pelo governo Lula, que colocou propostas como a de reduzir o número de parlamentares e a possibilidade dos eleitores pedirem a cassação dos que se tornarem corruptos ou indecorosos. Isto confirma a tese de que, no Congresso, "reformas, só se não prejudicarem os interesses dos seus integrantes". O que é difícil. * Sotaque carioca - O secretário estadual que teria tratado com frieza o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), durante a agitada noite de terça-feira no camarote 2222, negou a colaboradores que seu estado de animação foi o responsável por impedi-lo de reconhecer o político carioca. Na verdade, disse, o problema é que de há muito ele "não topa" Cabral. * Na paz - Apesar de brilhar como principal estrela do PSDB para 2008, Antonio Imbassahy fez discurso ponderado na convenção que o elegeu presidente do partido, no sábado,o que agradou imensamente ao Thomé de Souza, onde os tucanos continuam sendo desejados como parceiros da reeleição do prefeito. * Atento - Presente à convenção do PSDB que escolheu Antonio Imbassahy presidente do partido em substituição a Jutahy Jr., no último sábado, o ex-deputado Eujácio Simões (PR) caçou a edição da Tribuna em que foi publicada matéria com Geddel Vieira Lima dizendo que o ingresso de João Henrique no PMDB não está em pauta no momento. * Boa forma - José Carlos Aleluia (PFL) está a mil por hora. Ontem, na orla de Salvador, o deputado fazia cooper não se sabe se para manter a boa forma física ou para testar a popularidade, já que se trata de um dos nomes do seu partido para disputar a prefeitura de Salvador em 2008.
Fonte: Tribuna da Bahia

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Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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