sexta-feira, fevereiro 23, 2007

RAIO LASER

Sem veto
Muito ligado ao prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, considerado o mais soutista dos pefelistas baianos, o deputado federal Fernando de Fabinho foi o único oposicionista escolhido relator de uma MP do PAC, depois de sinalizações positivas do PT baiano.
Alerta
Líder do PT na Assembléia, Yulo Oiticica pede calma aos colegas que propõem a redução do atual número de 23 comissões temáticas na Casa. Pondera que a discussão tem que ser madura e a decisão final sobre quem fica e quem sai responsável, a fim de não prejudicar a representatividade da sociedade no Legislativo.
Aproximação
Confiante na participação do partido no novo ministério de Lula, a seção regional do PP afina entendimentos com o governo Jaques Wagner através do deputado estadual Luis Argolo com o objetivo de, gradualmente, vir a integrar a base governista na Assembléia Legislativa.
Alternativo
Nas conversas travadas até agora com o governo baiano, representantes do PP têm deixado claro o interesse da legenda em se tornar uma espécie de guarda-chuva “estável e confiável” para abrigar novos adesistas que não queiram desembarcar em siglas aliadas, como o PMDB.
Combinado
Na Câmara Municipal, casa de ressonância natural das questões relacionadas a Salvador e à sucessão de 2008, as declarações de Geddel Vieira Lima (PMDB) praticamente condicionando apoio à reeleição de João Henrique (PDT) a mudanças na administração, foram interpretadas como sinal emitido com pelo menos consentimento de parcelas do PT, partido que nutre interesse quase manifesto pela Prefeitura e do qual o peemedebista é o principal aliado no plano estadual.
Cutucando fera...
Pefelistas adoraram a sessão de ataques dirigidos pelo governador Jaques Wagner à Rede Globo por conta da cobertura do Carnaval de Salvador, acusada pelo petista de priorizar o aumento dos índices de violência da festa sem considerar o elevado número de pessoas envolvidas na folia.
...com vara curta
O mínimo que os principais adversários de Jaques Wagner recordaram, a propósito da reação do governador, foi sobre o destino do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, e de sua mulher e sucessora, Rosinha Mateus, que resolveram peitar a emissora na cara e na coragem.
Tese de mestrado
Repórter de grande jornal brasileiro enviada para cobrir o Carnaval nos camarotes famosos da Barra ficou tão impressionada com a capacidade de se divertir de políticos e societies baianos que saiu recomendando a colegas locais o lançamento de um livro sobre a participação das “altas-rodas” na folia.
Big brother
Fazendo a linha de que quem faz oposição tem que guardar e ampliar munição sempre, adversários do governador mandaram rastrear desde quarta-feira tudo o que saiu sobre ele ou com ele na mídia local e nacional a respeito do Carnaval, com ênfase para entrevistas suas e de auxiliares às emissoras de televisão.
CURTAS
* Intriga pronta - Um fax com cópia das declarações de Jaques Wagner (PT) a respeito da posição da Rede Globo sobre o Carnaval baiano bateu ontem por volta do meio-dia na sala de um dos filhos de Roberto Marinho, acompanhado de “sutil” ponderação sobre o quanto a emissora e sua afiliada na Bahia são "injustiçados" pelos petistas. * Enigma - Escolhido pelo governador para seu líder na Assembléia Legislativa como forma de reconhecimento a sua atitude de retirar a candidatura, no PT, à presidência da Casa, Waldenor Pereira é visto pela base governista como uma incógnita na condução da liderança, dado o perfil de turrão. . * Chuvas - Com as chuvas, municípios baianos vivem dias de horror. Ontem, o prefeito de Barra, Deonísio Ferreira Assis, ficou apavorado com o rompimento da cabeceira de uma ponte que deixou o município isolado e com problemas de abastecimento. Em Jacobina, as chuvas fizeram também estragos variados, inclusive em órgãos públicos. Como em outras regiões, o apelo é para que o governo não demore a atender os pedidos de ajuda, que crescem a cada dia. * Condição - Presidente da Assembléia Legislativa, o deputado Marcelo Nilo (PSDB) deu ontem uma boa notícia aos colegas: a partir de agora, afirmou, todos os projetos que tiverem sido aprovados na Comissão de Constituição e Justiça serão levados a plenário. A contrapartida é que os parlamentares só aprovem os projetos realmente constitucionais. * MAM - Toma posse na próxima segunda-feira, às 11h, a nova diretora do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) Solange Farkas. Ela é jornalista e foi diretora e curadora do Festival Internacional de Arte Eletrônica Videobrasil. * CEI - O vereador Sandoval Guimarães voltou a garantir que a Câmara de Salvador vai acompanhar de perto as investigações sobre o assassinato do servidor da Secretaria Municipal de Saúde Neylton Silveira. Nesse sentido, uma Comissão Especial de Inquérito está sendo instalada. Os trabalhos, efetivamente, vão começar na próxima segunda-feira junto às autoridades policiais e ao Ministério Público. * Liderança - O PT deve escolher seu novo líder na Assembléia Legislativa na próxima semana sem definição prévia. O atual líder, Yulo Oiticica, ainda não decidiu se prefere permanecer no posto ou ocupar uma comissão de importância no Legislativo.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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