quarta-feira, fevereiro 14, 2007

RAIO LASER

Sem comissão
A demora na definição do líder do governo na Assembléia deixa em estado de ansiedade também a bancada oposicionista, sem interlocução formal para definir e negociar seus indicados às comissões, assim como tratar da proporcionalidade no âmbito dos colegiados.
Sem prazo
Como o regimento da Assembléia estabelece que as comissões devem ser instaladas até 10 dias após a reabertura dos trabalhos legislativos, prevista para amanhã em solenidade com a presença do governador Jaques Wagner na Casa, com o Carnaval, os partidos terão na prática apenas dois dias para definir o assunto.
Trio elétrico
A bem bolada proposta dos governadores Jaques Wagner (Bahia), Sérgio Cabral (Rio) e Eduardo Campos (Pernambuco) de se circularem entre as três capitais que rivalizam as atenções no Carnaval tem como objetivo máximo atrair o presidente Lula para o mesmo roteiro no período.
Vídeo
Foi a exibição de um vídeo sobre a história do PT, produzido pela Fundação Perseu Abramo, que a organização das comemorações do aniversário do partido em Salvador achou que deveria esperar terminar para depois receber o governador, o que mais irritou Jaques Wagner no episódio do encerramento do evento, no Othon.
Ódio
O ex-vereador Celso Cotrin foi quem botou a boca no trombone para a imprensa sobre o teor do encontro dos vereadores com o Ministério Público ontem, no qual a promotora Armênia Pinto fez várias revelações sobre o andamento das investigações a respeito da ex-subsecretária municipal de Saúde, Aglaé Souza, e sua amiga e consultora financeira da pasta, Tânia Pedrosa, acusadas de terem mandado matar o funcionário Neylton Souto.
Emturmado
Bem relacionado com o governador Jaques Wagner e o PT baiano, Marcelo Nilo foi o único tucano presente ao jantar em homenagem aos 27 anos do partido do presidente Lula, realizado em Salvador, no sábado passado. Como presidente da Assembléia, foi chamado a compor a mesa ao lado de Lula e Jaques Wagner.
Abatimento
Inspirado em um programa de modernização tributária criado pela Prefeitura de São Paulo, no qual o cidadão pode abater até 50% do IPTU dos imóveis, o vereador Giovanni Barreto (PT) fez indicação ao secretário municipal da Fazenda, Oscimar Torres, sugerindo a implantação da nota fiscal eletrônica e o abatimento no imposto para o consumidor que pedir nota fiscal.
Apelido
Desesperados com a dificuldade em obter verbas do governo estadual para o desfile do Carnaval, os blocos afros passaram a chamar de “capitães do mato” os secretários estaduais Domingos Leonelli (Turismo), Márcio Meirelles (Cultura) e Luis Alberto (Reparação), responsáveis pela gestão dos recursos para a festa.
Ações
Ao contrário do que noticiou a coluna, com relação ao prefeito Oziel Oliveira, de Luis Eduardo Magalhães, há, em grau de recurso, tramitando apenas dois processos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Na verdade, as ações contra ele que aguardam julgamento estão na Justiça em Barreiras.
CURTAS
* Risco - De acordo com as entidades carnavalescas, por “falta de sensibilidade” dos três secretários, a festa estaria na iminência de inexistir para os blocos afros, que vivem arrocho histórico com a extinção de repasses municipais e viram os estaduais serem reduzidos à metade com relação ao ano passado. * Justiça - Considerado peça-chave no trabalho de investigação que a Polícia está fazendo no Caso Neylton, o delegado Arthur Galas foi, num primeiro momento, brindado até com a pecha de carlista por petistas mais afoitos. À medida que o cenário foi se descortinando, entretanto, a percepção da turma sobre o policial mudou da água para o vinho. . * Campanha - A Câmara Municipal decidiu antecipar para hoje, a partir das 13hs, a tradicional feijoada que oferece às quintas-feiras de Carnaval no camarote dos vereadores, no Campo Grande. Na oportunidade, o presidente da Casa, Valdenor Cardoso, vai lançar a campanha contra a exploração e o turismo sexual, em conjunto com o Juizado de Menores. * Educação - O debate em torno da construção de um plano estratégico para a educação na Bahia vai envolver o pós-doutor em Educação Miguel Gonzalez, convidado pelo secretário estadual de Educação, Adeum Sauer, a ajudar a traçar as ações e diretrizes para a pasta junto com a sua equipe durante encontro previsto para amanhã à tarde. * Fundo - O senador Antonio Carlos Magalhães apresentou à Mesa do Senado uma proposta de emenda à Constituição que cria um fundo de combate à violência e apoio às vitimas da criminalidade. A proposta vai receber o nome de João Hélio, menino que foi brutalmente assassinado na semana passada no Rio de Janeiro e tramitará em caráter de urgência. * Bloco - O deputado Euclides Fernandes foi escolhido líder do bloco formado pelo PDT com o PRTB e o PSC em reunião que contou com a participação dos sete deputados que integram as legendas na Assembléia Legislativa. O bloco pretende indicar ainda a presidência de duas comissões - Defesa do Consumidor e Desenvolvimento Econômico e Turismo. * Diversionismo - Atônitos com as denúncias envolvendo as pastas ocupadas pelos seus partidos na administração municipal, vereadores do PT e do PC do B insistem em querer atribuir a origem dos problemas à gestão anterior, apesar das evidências em contrãrio.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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