segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Incidência de viroses aumenta após o Carnaval

Casos mais típicos são as doenças respiratórias, que representam metade dos atendimentos nos postos


Cilene Brito
O Carnaval acabou há cerca de uma semana e trouxe como resultado a temporada de viroses em toda Salvador. Nos postos de saúde da capital, a incidência de casos já chega a cerca de 50% dos atendimentos e deve aumentar nos próximos dias. Os casos mais típicos registrados nos postos de emergência são as viroses respiratórias, sobretudo devido ao clima úmido registrado nos últimos dias. Outras doenças virais como gastroenterites, dengue, sarampo, rubéola e conjuntivite também estão na mira dos médicos.
O médico plantonista do 12o Centro de Saúde, na Boca do Rio, Anderson Teixeira, explica que, assim como as bactérias, os vírus circulam livremente pelo ar e atingem, principalmente, os organismos mais fragilizados. As viroses são transmitidas pela fala, tosse e secreções. Ele alerta, no entanto, que a temporada de viroses foi iniciada pouco antes do Carnaval, devido à grande presença de turistas que chegaram à cidade durante o Verão. No entanto, é durante a folia momesca que ocorre maior facilidade de contágio, sobretudo pelo aumento do contato pessoal em locais aglomerados.
“Existe uma infinidade de vírus. A cidade estava cheia de turistas e muitos deles trazem esses agentes que não são comuns à nossa comunidade”, salientou. Ele explica que é também durante o Carnaval que muitas pessoas cometem excessos com a bebida e acabam se descuidando da saúde através da má alimentação e da redução do sono e descanso, o que contribui para a queda no sistema imunológico. Dores do corpo e na cabeça, mal-estar, moleza e febre são os sintomas mais comuns dos indivíduos acometidos por viroses. Em alguns casos, elas também podem vir acompanhadas por vômitos e diarréia. Dois dias após o Carnaval, a estudante Marília Pereira, 24 anos, amanheceu com dores por todo o corpo e espirrando muito. “Mal conseguia sair da cama. Foi da noite para o dia. Senti muita dor de cabeça, febre e o corpo mole. Fiquei dois dias sem trabalhar só tomando líquido”, lembra. Já o segurança Maurício Pimentel, 30 anos, conta que a virose, também respiratória, atacou mais duas pessoas em sua casa. “Eu fiquei primeiro e, no dia seguinte, todos já estavam”, conta.
De acordo com a pediatra do 5º Centro de Saúde, Barris, Gessilane Brito, embora as viroses possam atingir qualquer idade, os casos mais comuns são registrados em crianças. Mesmo que muitas não participem diretamente da folia, elas acabam sendo mais suscetíveis com a grande circulação de vírus que se encontram no ar.
A médica explica que as viroses respiratórias, por exemplo, são responsáveis por vários tipos de infecções. O vírus é transmitido pela fala, espirros e tosse. “Geralmente, o período de manifestação dos sintomas é de até 72 horas, mas se não tratada devidamente, a infecção pode evoluir para casos mais graves como pneumonia e bronquite”, alerta.
***Automedicação é sempre perigosa
A especialista ressalta que não há medicamentos específicos para tratar viroses e o tratamento é totalmente sintomático, basicamente com o uso de analgésicos e antitérmicos. O mais recomendável é a ingestão de bastante líquido, repouso e alimentação equilibrada. Seguindo essas recomendações, os sintomas devem aparecer em até três dias. Apesar disso, a avaliação é imprescindível, sobretudo para que seja evitada a automedicação.
“A automedicação pode trazer graves riscos à saúde. Como os sintomas das viroses são muito parecidos, elas podem ser confundidas com outras doenças virais mais graves como a dengue hemorrágica”, alerta. O ácido acetilsalicílico (AAS) e antiinflamatórios não devem ser usados pelo risco de agravar sangramentos.
Fonte: Correio da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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