sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Cidade ilhada

Por Nelson Rocha
As chuvas de Verão que lavaram a cidade após o Carnaval também trouxeram uma enxurrada de transtornos para o soteropolitano. Os bairros situados à beira mar da Cidade Baixa são os mais afetados quando isto acontece. As complicações oriundas do excesso pluviométrico, da maré cheia e da falta de um saneamento básico satisfatório, estenderam-se por toda orla marítima de Salvador nas últimas 24 horas, ameaçando as barracas de praia. O mal tempo também provocou a ampliação de buracos e abertura de verdadeiras crateras em zonas carentes, a exemplo do ocorrido na rua das Pedrinhas, em Plataforma, onde a falta de drenagem contribuiu para expor mais ainda a tubulação local e a erosão de terrenos no entorno pode atingir algumas residências. Se o Instituto Nacional de Meteorologia confirmar a permanência da frente fria na Região Metropolitana até amanhã, o risco de uma tragédia generalizada é evidente, o que faz com que as equipes do Corpo de Bombeiros e da Coordenadoria Especial de Defesa Civil estejam em plantão permanente. Os deslizamentos de terras, desabamentos de imóveis e alagamentos são registros mais ocorrentes segundo a Codesal. O período chuvoso está relacionado a aglomeração de nuvens trazidas do oceano para costa baiana pelo vento, proporcionando uma temperatura que varia entre a mínima de 23º e a máxima de 29º. Como o Outono, a estação de transição entre o Verão e o Inverno, inicia-se no dia 22 do próximo mês, a capital baiana precisa de atenção redobrada por parte das autoridades municipais para enfrentar a investida das chamadas “ águas de Março”
Donos de cavalos soltos na rua serão penalizados por omissão
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) está articulando com a Polícia Rodoviária Estadual uma operação para capturar animais de grande porte que são deixados por seus proprietários para pastar nos canteiros centrais de algumas avenidas de Salvador. A Lei 5.504 / 99 proíbe a presença de animais soltos em áreas públicas, por representar perigo para o tráfego de veículos e à saúde da população e dos próprios animais. Na manhã de quarta-feira um carro colidiu com um cavalo, no início da Avenida Bonocô, próximo ao Acesso Norte, no momento em que o animal invadia a pista, o que causou danos materiais ao veículo. O cavalo fraturou as duas patas e teve que ser sacrificado. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da SMS tem capturado uma média de seis a oito animais de grande porte por mês, encontrados em vias públicas. Esses animais são conduzidos para ao curral do CCZ, onde permanecem por um período de 96 horas, até serem resgatados por seus proprietários. Quando o dono não aparece, o animal é encaminhado para outras instituições. As áreas onde o CCZ registra a infração com maior freqüência com a presença de animais nos canteiros são as avenidas Paralela, Suburbana, ACM, Juracy Magalhães e Estrada Velha do Aeroporto. Em razão da desobediência dos donos dos animais, a SMS resolveu buscar a ajuda da Polícia Rodoviária Estadual, pois o CCZ não tem poder de polícia. A Secretaria Municipal da Saúde possui um caminhão do tipo boiadeiro que é utilizado nas operações de captura. Também desenvolve ações educativas junto a carroceiros proprietários de animais, esclarecendo-os sobre o perigo que a presença de eqüinos em vias públicas representa para a saúde da população. Nas ações educativas realizadas por veterinários da SMS, os donos são orientados a buscar forragem em outros locais, para que seja servida aos animais em instalações fechadas. Também orienta sobre a posse responsável e o manejo apropriado para animais de grande porte.
Obras do metrô são retomadas após o Carnaval a todo vapor
Encerrado o Carnaval, a cidade volta ao trabalho, inclusive técnicos e operários das obras do metrô. Ontem, a Companhia de Transportes de Salvador (CTS) retomou as obras que tinham sido interrompidas durante a festa momesca. O diretor de Planejamento do órgão, Paulo Macedo, explicou que as máquinas ficaram paralisadas durante a folia para evitar possíveis acidentes e permitir que os veículos e as pessoas se deslocassem com mais tranqüilidade. Macedo revelou que, mesmo com essa interrupção, o metrô será entregue à população no tempo previsto, em março de 2008. Mais de 90% das ações na via subterrânea já foram concluídas. A escavação da secção plena do túnel e dos poços de alívio da Estação da Lapa e do Campo da Pólvora já foi completada. Encontra-se em andamento a execução dos poços de ventilação intermediários (PVI) e extremos (PVE), responsáveis pela garantia da circulação do ar na via subterrânea. Mais 30 vigas já foram colocadas no elevado Bonocô, correspondendo a sete vãos e meio de extensão. Neste espaço já foi iniciada a execução do tabuleiro, que é a plataforma do elevado por onde passarão os trens. Nas estações, as obras continuam em andamento. As do Campo da Pólvora e da Rótula do Abacaxi estão em fase de acabamento. Nestes locais, estão sendo feitas pintura, colocação de piso, escadas rolantes e elevadores, além das instalações elétrica e hidráulica. A base da Estação Brotas já está concluída, compreendendo fundação e contenção, obras necessárias para a montagem da estrutura visível. Já a obra da Estação Lapa encontra-se na fase estrutural. A edificação da Estação Bonocô começou no início deste ano. Segundo o cronograma da CTS, em fevereiro do próximo ano serão concluídas as obras de paisagismo e instalações hidráulicas e elétricas de toda a obra do metrô. Nesse mesmo mês chegarão a Salvador os seis primeiros trens, que estão sendo construídos por um consórcio formado pelas empresas Mitsui (Japão) e Rotem (Coréia do Sul). Cada trem é composto por quatro vagões, que permitirá a 1.250 pessoas des??????o??locarem-se ao mesmo tempo. O convênio para a compra dos trens foi celebrado entre a Prefeitura Municipal e o governo do Estado, somando um total de R$ 92 milhões. Logo após a conclusão dessa primeira etapa, em março do próximo ano, será iniciada a segunda, que compreende mais seis quilômetros, entre o Acesso Norte e o bairro de Pirajá. A verba de R$ 403 milhões foi garantida pelo governo federal, a partir do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com toda a linha metroviária, segundo estimativas da CTS, o cidadão vai gastar em média cerca de 30 minutos para fazer o percurso de 12,5 quilômetros, de Pirajá até o centro da cidade.
Fonte: Tribuna da Bahia

Nenhum comentário:

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas