sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Nilo será eleito hoje presidente da AL

Depois de negociações e impasses que se estenderam por quatro meses, finalmente ontem foi organizada uma chapa de consenso para a eleição da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa no biênio 2007/2009, que terá como presidente o deputado Marcelo Nilo, do PSDB, representando a bancada governista. Os oito cargos da Mesa foram distribuídos por oito partidos, num fato apontado como inédito pelos parlamentares e funcionários mais antigos. O pleito será hoje, em sessão marcada para as 14h30, e, além de Nilo, serão eleitos os deputados Ângelo Coronel (PR, 1º vice), J. Carlos (PT, 2º vice), Roberto Carlos (PDT, 3º vice), Luciano Simões (PMDB, 1º secretário), Luiz de Deus (PFL, 2º secretário), Edson Pimenta (PCdoB, 3º secretário) e Aderbal Caldas (PP, 4º secretário). Das três suplências, os governistas ficarão com duas, sendo uma para a deputada Maria Luiza Laudano (PTdoB) e outra a ser indicada pelo PT. A Ouvidoria da Assembléia será ocupada pelo deputado Tarcízio Pimenta (PFL), enquanto na Corregedoria permanecerá o deputado Reinaldo Braga, que foi eleito pelo PFL, mas deixará este partido para integrar a base do governo. Mesmo sendo o último dia antes da eleição, o processo não foi fácil. Governo e oposição fizeram, separadamente, seguidas reuniões desde as 13 horas, e somente às 20h30 foi possível anunciar o resultado dos entendimentos. O primeiro ato coube ao deputado Jurandy Oliveira (PDT), que pressionado pelos oposicionistas, desistiu de sua candidatura, em razão da derrota iminente, já que a base governista tinha folgada maioria. “Eleição no Legislativo não se pode perder”, disse Oliveira, reconhecendo “a migração de deputados da oposição para o governo” e autorizando os líderes dos partidos que o apoiavam, especialmente PFL, PP e PR, a negociar com o candidato Marcelo Nilo. O líder da oposição, deputado Paulo Azi, elogiou “o gesto nobre” de Jurandy, que permitiu a composição com Nilo baseada “no fortalecimento do Poder Legislativo”, com uma agenda em que estão incluídas a votação de projetos de parlamentares, a reestruturação das comissões técnicas, a implantação de uma rádio na Assembléia e a ampliação da emissora de TV que começou a funcionar na Casa justamente ontem. “O deputado Marcelo Nilo”, disse Azi, “tem uma grande oportunidade e também uma grande responsabilidade. Demos a ele um crédito de confiança ao qual, pela sua experiência de 16 anos no parlamento, ele está capacitado a corresponder, e nós cobraremos integralmente seus compromissos”. O deputado Nilo declarou-se “feliz” pela “chapa plural” que conseguiu formar e disse que conseguiu, nos dois lados, evitar confrontos. “Cada um tinha suas armas, suas posições e suas estratégias, mas eu, pela experiência que tenho e pela base forte e consolidada que me apóia, nunca tive medo de perder”, afirmou. Confirmando os compromissos assumidos, disse que já era sua intenção trabalhar pela implantação da emissora de rádio, ampliação da TV Assembléia e instrumentação das comissões técnicas para seu melhor funcionamento. Nilo negou que, entre os acordos que fez para construir a unidade, tenha incluído a não-criação de comissões de inquérito para investigar atos do governo passado. “A CPI é um instrumento regimental que passa a existir pela vontade de um terço da Casa. Determinarei a instalação de qualquer uma que tenha esse número, seja solicitada pela bancada do governo ou da oposição”, garantiu. Reconhecendo a “crise de credibilidade” que o Legislativo vive em todo o País, destacou como seu “trabalho prioritário a aproximação da sociedade com o parlamento”, e para isso conta com o funcionamento da TV Assembléia, “uma felicidade que os presidentes anteriores não tiveram. Ele vai tentar, também um acordo com as lideranças partidárias para reduzir os recessos parlamentares anuais de 90 para 55 dias, como ocorre no plano federal. Determinado a conduzir “um Poder Legislativo independente, transparente e harmônico”, disse que a partir de sua eleição, embora continue a ser um deputado da base do governo, será “um magistrado”, defendendo os interesses de todos os seus pares dentro dos limites regimentais e constitucionais (Por Luis Augusto Gomes)
Governo investirá R$ 24 milhões no Carnaval baiano
O governador Jaques Wagner (PT), em seu primeiro mês à frente da administração da Bahia, tornou pública ontem, em tom de bastante descontração, a contribuição do governo do Estado para o Carnaval de 2007. Do total de R$ 24,435 milhões, R$ 4 milhões foram repassados para a prefeitura de Salvador (33% a mais do que no ano passado). Segundo Wagner, o montante só não foi maior por conta dos “problemas herdados da gestão anterior” - R$ 300 milhões de restos a pagar. Wagner falou ainda sobre assuntos delicados, como a derrota petista nas eleições da União dos Municípios da Bahia (UPB), a eleição da Mesa da Assembléia Legislativa, que acontece hoje e, por tabela, desmentiu, nas entrelinhas, qualquer possibilidade de o secretário de Relações Institu-cionais, Rui Costa, ser exonerado. Sempre ressaltando que o orçamento estadual está apertado, o governador não escondeu que o fato de o prefeito João Henrique ser aliado político favoreceu para o aumento da verba. Contudo, garantiu que não foi de forma efetiva. João Henrique havia pedido R$ 6 milhões - o dobro do que conseguiu no Carnaval passado. “É evidente que a relação muda quando o Executivo municipal é aliado ao estadual. Fiz o que estava ao meu alcance, mas é certo que não podemos desconhecer nossas limitações”, afirmou, ressaltando que não se pode esquecer que ele tem 417 municípios para governar, e não apenas Salvador. As tão polêmicas cotas de publicidade também mereceram comentário. Wagner deixou bem claro que reduzirá a despesa ao máximo. “Do total investido, ainda iremos acrescentar algum dinheiro com publicidade, porém bem menos do que os R$ 9,5 milhões que o meu antecessor gastou”, alfinetou. Segundo ele, o item publicidade caiu 75% em relação a 2006. O maior gasto da festa foi com segurança pública (R$ 14,5 milhões), seguido de contratação de trios e entidades carnavalescas (R$ 5,27 milhões), saúde (R$ 600 mil) e Detran (R$ 65 mil). Quanto ao embate presidencial na AL, antes de saber do acordo enfim fechado, o governador se disse bastante confiante nu?=a??E?????????b???ma vitória da base governista. Marcelo Nilo é o candidato e seu nome foi uma indicação pessoal do próprio Wagner como forma de recompensar o apoio do PSDB a sua candidatura. “Acredito numa chapa única. Temos 36 parlamentares na nossa base de sustentação e as articulações entre Nilo e a oposição têm sido intensas. Por isso, aposto num resultado positivo”, disse, enfatizando que o trabalho de Rui Costa está sendo digno de elogios, o que desmente todos os rumores de que num futuro bem próximo ele seria exonerado. No que diz respeito à vitória do PFL sobre o PT no pleito da UPB, o governador petista declarou que foi uma clara e forte demonstração de fragilização e exaustão do grupo político ligado ao PFL. “Começamos com o apoio de 60 prefeitos e ao final tivemos quase 200. Para nós, essa eleição foi bastante positiva, já que não houve nenhuma interferência do Executivo estadual, ao contrário deles, que até no tapetão tentaram ganhar”, disse, referindo-se à tentativa de impugnação da chapa do candidato petista, Carlos Brasileiro, prefeito de Senhor do Bonfim, um dia antes da eleição. Uma liminar garantiu a ele o direito de concorrer ao cargo(Por Fernanda Chagas)
Secretário vê atendimento no HGE e anuncia investimentos na saúde
Com uma média de 300 atendimentos diários na emergência, o Hospital Geral do Estado (HGE), uma referência no tratamento de queimados na Bahia, recebeu a visita do secretário da Saúde, Jorge Solla. Ao visitar as dependências da unidade, o secretário informou que existe uma decisão do governador Jaques Wagner de realizar um grande investimento no serviço de emergência na Bahia. “Como essa é a principal emergência do Estado, estamos aqui com o objetivo de conferir como funciona o atendimento e estudar ações para qualificar o conjunto das emergências, melhorando o acesso e a qualidade da assistência prestada”, explicou. Para isso, haverá aplicação de recursos do governo federal e do Tesouro Estadual - um montante que vai ser investido não apenas em obras físicas e equipamentos, mas também na qualificação de recursos humanos e nas mudanças de processos de trabalho. “Vamos iniciar uma fase de estudos para adequar alguns projetos que já tinham sido planejados anteriormente a essa nova realidade”, disse o secretário. Esta foi a nona visita que Solla fez a hospitais públicos baianos em janeiro. Em Salvador, ele já esteve nos hospitais Ana Neri, Manoel Vitorino e Couto Maia, além da Fundação Hemoba. No interior do Estado, os hospitais Clériston Andrade (Feira de Santana), Mário Dourado Sobrinho (Irecê), Luís Viana Filho (Ilhéus) e o Hospital Geral de Camaçari também já receberam a visita do secretário. Solla afirma que a situação verificada em cada hospital é muito diferenciada. Para ele, o HGE é uma das unidades que evoluíram e apresentaram resultados positivos. “A direção tem se mostrado empenhada. Em outros serviços, obviamente, nós teremos que fazer um investimento maior, acompanhar mais de perto e até fazer transferência de tecnologia, aproveitando o que houve de avanço no HGE em outros hospitais”. Durante a visita, o secretário afirmou que um dos projetos que pode ser implantado na Bahia, sobretudo no HGE, é o QualiSUS, uma iniciativa do governo federal, criada em 2004 e voltada para a qualificação das principais?=a??E?????????b??? emergências no SUS nos hospitais públicos. “Nós estamos trabalhando com o Ministério da Saúde para que esse programa venha a ser implantado aqui no Estado". (Por Priscila Melo)
Prefeito faz balanço das atividades na reabertura dos trabalhos da Câmara
A Câmara de Salvador, após 30 dias de recesso, retomou as atividades ontem. A abertura dos trabalhos foi feita pelo presidente da Câmara, vereador Valdenor Cardoso. Em seguida o prefeito João Henrique leu a mensagem do Executivo à Câmara, onde fez um balanço das principais realizações da prefeitura em 2006. Ele destacou ainda que a harmonia entre os dois Poderes foi essencial para a objetivação das mesmas. “Espero manter a relação de parceria e cumplicidade que tivemos nos anos de 2005 e 2006. A prova disso foram os 38 projetos enviados pelo Executivo aprovados por unanimidade na Câmara”, ressaltou. Para ele, as inúmeras obras nas áreas da educação, saúde, infra-estrutura, melhoria do transporte, turismo, geração de emprego e renda, foram de extrema importância para o desenvolvimento da cidade. “Nós e a Câmara de Vereadores estamos com o mesmo pensamento, o de promover e fomentar o desenvolvimento de Salvador”, enfatizou. O presidente da Câmara, por sua vez, elogiou a postura do prefeito durante todo o processo para a escolha da Mesa Diretora da Casa. “Quero elogiar o prefeito João Henrique pela postura democrática, que deve servir de exemplo para todos que ocupam cargos públicos. O respeito e autonomia dos poderes constituídos devem ser uma prática. Graças ao espírito democrático do prefeito, nós vereadores de Salvador servimos de exemplo para o Brasil em termos de autonomia de poder”. Entre as principais realizações, João Henrique citou a implantação da Gestão Plena do Sistema de Saúde, a Central de Regulação Municipal, disciplinando o acesso dos usuários às consultas, exames e procedimentos especiali-zados; o Grupo de Trabalho de Saúde da População Negra, que implantou o Programa de Combate à Anemia Falciforme; implantação dos Centros de Especialidades Odontológicas e o Samu-192, que já registrou mais de 1,4 milhão de atendimentos.
Fonte: Tribuna da Bahia

Nenhum comentário:

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas