quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Informe da Bahia

Vexame da prefeita
Oprefeito de Senhor do Bonfim, Carlos Brasileiro (PT), não foi o maior derrotado na eleição para a presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB). A pecha cabe como uma coroa à prefeita de Várzea Nova, Maria Iris Gomes (PP), primeira vice-presidente na chapa do petista. Primeiro, a gestora se colocou como candidata para favorecer a campanha de Brasileiro e tentar dividir os votos do vencedor, o prefeito de Santo Estêvão, Orlando Santiago (PFL). Espalhou por toda a Bahia que tinha mais de 170 votos. Disseminou outdoors por Salvador. Investiu pesado em propaganda, sempre com mais maquiagem do que conteúdo programático. Mas passou o primeiro vexame ao não ter força política para, sequer, formar uma chapa, que obrigatoriamente deve conter a assinatura de 48 colegas. Raivosa, decidiu aderir à chapa petista, a quem prometeu levar os 170 eleitores que contabilizava como garantidos. Exigiu a primeira vice-presidência. Telefonou para as prefeituras, fez novas promessas, manteve toda a propaganda. Fez boca-de-urna com a certeza absoluta da vitória. Não esperava passar pelo segundo e maior vexame: a derrota. A cada voto contado a favor de Orlando Santiago, Iris Gomes, sentada logo na segunda fila do auditório da Fundação Luís Eduardo Magalhães, onde ocorreu a eleição, se doía por dentro. Manteve, no entanto, o orgulho, e nenhuma lágrima derramou. Iris deve guardar como consolo o fato de ter se tornado um pouco mais conhecida na cidade, por conta dos outdoors que espalhou.
Traição
O PMDB oficialmente havia fechado o apoio à candidatura do prefeito de Senhor do Bonfim, Carlos Brasileiro, à presidência da UPB. Ontem, no entanto, os gestores peemedebistas votaram no prefeito de Santo Estevão, Orlando Santiago (PFL), o vencedor. A orientação partiu da cúpula do partido no estado, que estrategicamente não quer ver o PT muito fortalecido.
Desolados
O prefeito de Alagoinhas, Joseildo Ramos (PT), estava desolado com a derrota na eleição para o comando da UPB. Outro desolado foi o deputado estadual Zé das Virgens (PT). Ao contrário, o deputado estadual Sandro Régis (PR) era uma festa só.
Convênios
Alguns prefeitos foram convidados ontem para assinar convênios na Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza. Ao chegarem lá, no entanto, segundo contam alguns, receberam a informação de que os convênios estariam em mãos do prefeito de Senhor do Bonfim, Carlos Brasileiro (PT), candidato derrotado à presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB).
Filiação
O deputado estadual Arthur Maia, ex-PSDB, se filiou ontem ao PMDB.
Coletivas
O governador Jaques Wagner (PT) realiza hoje, às 15h, na Governadoria, uma entrevista coletiva para falar sobre a participação do estado no Carnaval de Salvador. Antes, às 11h, o presidente da Empresa de Turismo da capital (Emtursa), Fernando Ferrero, fala também à imprensa sobre a realização da festa deste ano. A coletiva será realizada na sede do órgão, no Dique do Tororó.
Posse
Tomam posse hoje, na Câmara Municipal do Salvador, os vereadores Paulo Câmara (PSDB), Walnilton dos Santos (PSB), Pastor Dórea (PTN) e Virgílio Pacheco (PDT). Eles ocupam as vagas deixadas pelos quatro vereadores eleitos deputados estadual e federal.
Desempenho
O diretor geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Geraldo Reis, apresentou ontem para o secretário do Planejamento, Ronald Lobato, os números que comprovam o esforço do ex-governador Paulo Souto (PFL) para incrementar o desenvolvimento da economia do estado. Em 2006, as exportações da Bahia cresceram 13%, enquanto as importações tiveram um incremento de 35% em relação a 2005.
Educação
A gestão do PCdoB à frente da Secretaria de Educação e Cultura de Salvador desagrada a outros partidos da base de sustentação do prefeito João Henrique Carneiro (PDT). Fontes do Palácio Thomé de Souza informam que pedidos de demissão já chegaram ao prefeito, acompanhados de novas indicações políticas para a pasta.
Baixa
Voz destoante entre os governadores da bacia do Rio São Francisco, por conta da posição favorável ao projeto de transposição do Velho Chico, o governador baiano Jaques Wagner (PT) começa sua gestão com prestígio em baixa no Nordeste. Tanto que ele nem representa a região em reuniões com outros governadores. Os representantes são Cássio Cunha Lima (PMDB), da Paraíba, e Marcelo Dedá (PT), de Sergipe.
Inviabilidade
O deputado federal Jairo Carneiro (PFL) avalia que o governo do presidente Lula não tem segurança de que a transposição do Rio São Francisco vá gerar os resultados que o Planalto anuncia. O parlamentar pondera que pesquisas apontam para a inviabilidade do projeto e, mesmo assim, o governo federal não se dispõe a aprofundá-las. Carneiro se mantém no posicionamento contrário ao projeto adotado pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL) e pelo ex-governador Paulo Souto (PFL).
Fonte: Correio da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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