quinta-feira, fevereiro 01, 2007

RAIO LASER

Aperto
A diferença de 16 votos entre o nome vitorioso à presidência da UPB, Orlando Santiago (PFL), e Carlos Brasileiro (PT) surpreendeu negativamente o comando pefelista, que esperava, pessimisticamente, 30 votos de frente para seu candidato, mas assustou governistas mais tensos, temerosos de uma contaminação na Assembléia Legislativa.
Susto passageiro
A chamada ala genuína da bancada de oposição respirou aliviada com a decisão dos deputados Elmar Nascimento e Ângelo Coronel, do PR, de defenderem abertamente o voto em Marcelo Nilo (PSDB) para a presidência da Assembléia, mas anunciarem que a postura não significava que iriam aderir ao governo.
Joio do trigo
Cotado para liderar na Assembléia a partir de amanhã o PFL, espécie de partido líder do grupo oposicionista, o deputado Gildásio Penedo fez questão de destacar a importância de separar o apoio ao candidato do governo da adesão à bancada governista entre os parlamentares da oposição que optaram pelo nome do tucano Marcelo Nilo.
Paralela
Apesar de ter dirigido críticas à proposta de apoio a uma chapa de consenso à presidência da Assembléia Legislativa na reunião que as oposições realizaram na terça-feira, o capitão Fábio Santana encontrou-se sigilosamente com a prefeita petista Moema Gramacho, no mesmo dia.
Entre os vices
Se não acontecer tropeço maior até à noite, Jota Carlos (PT) caminha para emplacar a segunda-vice-presidência da Assembléia Legislativa na eleição de amanhã com o apoio quase unânime na bancada petista e aval dos demais partidos que integram a base de sustentação do governo.
O que Geddel mais teme na vida
Do blog de Noblat, ontem: Quero falar com o ministro Geddel Vieira Lima - disse há pouco por telefone depois de discar para o celular do deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).- Aqui não tem nenhum ministro. Esse número é do deputado Geddel Vieira Lima - respondeu Geddel sem reconhecer minha voz. Depois que reconheceu, brincou: - Quem eu quero que me chame de ministro ainda não me chamou. Geddel é candidato a ministro com o apoio do governador da Bahia Jaques Wagner (PT) e da maioria do PMDB. Mas se você quiser irritá-lo, toque no assunto. - Não há nada que eu mais tema na vida do que o ridículo - dispara Geddel. Em seguida, muda de assunto.
Na mídia
Para felicidade da equipe de Eduardo Salles, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Portugal na Bahia, organizadora do encontro do governador Jaques Wagner com empresários portugueses em Lisboa, há uma semana, o Diário Econômico de Portugal, equivalente ao Valor Econômico brasileiro, classificou o evento como um sucesso.
Pão e água
Novo pupilo de Geddel Vieira Lima, Marcelo Guimarães Filho maturou com a família a decisão de sair do PFL em direção ao PMDB por mais de um mês. Por fim, prevaleceu o sentimento “doméstico”de que, se os pefelistas quisessem mesmo que permanecesse, teriam lhe dado melhor tratamento durante a campanha.
CURTAS
* Respaldo - Foi na condição de líder do PR escolhido na manhã de terça-feira pela própria bancada que Elmar Nascimento participou à tarde da reunião das oposições em que defendeu a composição com o governo para a eleição da mesa diretora da Assembléia Legislativa, abrindo uma fenda na estratégia da ala oposicionista que proclamava a todo custo o voto no deputado Jurandy Oliveira, candidato de Severiano Alves e de parcela do PDT à presidência da Casa. * Nova TV - Além de entregar o diploma dos deputados hoje, em ato simples preparatório da solenidade de posse amanhã, a Assembléia Legislativa inaugura o Canal Assembléia - que passará a compartilhar no canal 20, da NET, com a Câmara Municipal de Salvador -, na presença dos parlamentares, familiares e convidados. . * Por acordo - Defensor da candidatura de Marcelo Nilo à presidência da Assembléia, o deputado estadual eleito Leur Jr. (PMDB), que circulou nos últimos três dias pela Casa, acalentava até ontem a expectativa de que as bancadas de oposição e situação acabariam construindo o consenso para a sucessão. * Disputa - Trabalhada diretamente por caciques pefelistas como ACM, Paulo Souto e José Ronaldo, a região de Feira de Santana deu vitória folgada para Orlando Santiago na disputa pela presidência da UPB, confirmando a expectativa que os líderes do PFL alimentavam desde o início da disputa. * Empenho - Braço direito da candidatura do PT à presidência da União das Prefeituras da Bahia (UPB), o ex-deputado Josias Gomes teve seu trabalho em favor da eleição de Carlos Brasileiro reconhecido até pelos adversários mais ferrenhos do prefeito de Sr. do Bonfim. * Garra - Como operador político de Carlos Brasileiro, Josias Gomes teria caído para cima dos prefeitos com fúria de leão, prometendo o céu para quem votasse no prefeito de Senhor do Bonfim, motivo porque os números obtidos pelo petista na sucessão foram, em boa medida, atribuídos a ele ontem. * Campanha - Com o slogan “Com fome não se brinca”, foi lançada ontem, às 17h, na sede das Voluntárias Sociais da Bahia, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), a Campanha Carnaval sem Fome 2007.
Fonte: Tribuna da Bahia e equipe

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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