sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Morte de taxista reacende o debate sobre o uso de Viagra

Aumenta o número de jovens e adultos que compram o medicamento sem receita


Carmen Azevêdo
Amorte do taxista Edson Bispo Klein, que pode ter sido causada pela combinação de medicamento para disfunção erétil e bebida alcoólica, reacendeu os debates sobre o uso destas substâncias e suas contra-indicações. Segundo especialistas no assunto, o Brasil é o segundo maior consumidor das substâncias no mundo: um comprimido de Viagra é consumido a cada quatro minutos – o que demonstra o aumento da demanda do medicamento, principalmente entre adolescentes e jovens adultos. Mas o uso não tem sido acompanhado dos devidos cuidados. As farmácias vendem os medicamentos sem receita médica e alguns já são encontrados no comércio informal da Avenida Sete de Setembro, no centro.
Segundo o urologista e chefe do departamento de andrologia do Hospital das Clínicas, Eduardo Lopes, o Viagra é um vasodilatador e pode causar efeitos colaterais, como calor na face, dilatação do esfíncter do esôfago e cefaléia. Se combinado com bebida alcoólica (que também dilata os vasos) ou outras drogas, tem seu efeito potencializado. “Com isso, a pressão do indivíduo pode ir a zero, ele pode sofrer infarto, desmaios, ou bater a cabeça no chão e ser vítima de um traumatismo craniano”, explica Lopes.
Outra situação recorrente, segundo o especialista, é o uso do medicamento por pacientes que apresentam deficiências cardíacas. “Eles sentem-se estimulados com a ereção causada pelo remédio e dão início a uma atividade física que não suportam. Com isso, podem infartar”, emenda. Não só as cardiopatias são contra-indicadas para o uso das substâncias contra a disfunção erétil, mas também o uso do cetoconazol, um antifúngico. Quando combinados, o indivíduo pode sofrer alterações no sistema imunológico, além de problemas auditivos e visuais.
Por causa disso, os médicos alertam para a necessidade de se consultar um especialista e evitar a automedicação, facilitada pela ausência de fiscalização do poder público. “Hoje, quem vai a uma farmácia sem receita médica consegue comprar o remédio. O Pramil, que veio do Paraguai, é vendido nos camelôs”, denuncia o urologista.
Caso o paciente não possa combinar o remédio para disfunção erétil com outro medicamento, a primeira medida adotada é tentar substituir o segundo por outra substância. Também existem drogas que podem ser injetadas na base do pênis, como o Alprostadil, no momento da relação sexual. Outra saída é a colocação da prótese de pênis, normalmente utilizada em indivíduos que não respondem ao tratamento medicamentoso ou apresentam qualquer contra-indicação ao medicamento.
Outra alternativa é o tratamento homeopático que, segundo especialistas na área, não tem efeitos colaterais. No entanto, não há fórmula de tratamento – cada indivíduo toma um remédio específico. “Como as causas são diversas – sistema nervoso, emocional, fraqueza do músculo, os tratamentos também variam”, explica a homeopata Maria Amélia Soares da Cunha. Segundo ela, cerca de 90% dos casos que atende no consultório são causados por ansiedade e estresse. Também há indivíduos que apresentam contra-indicações aos medicamentos alopáticos. “No caso da homeopatia não interessa se o indivíduo toma um medicamento sem receita médica, porque não há contra-indicação. O problema é que também não vai curar”, arrematou.
***Terapia com plantas
Terapias com plantas também têm sido adotadas por alguns homens que sofrem de disfunção erétil. Segundo o médico clínico Fernando Hoisel, que estuda há cerca de 30 anos os benefícios das plantas para a saúde, o primeiro passo é descobrir a origem do problema. “Ela pode ser física, como a hipertrofia benigna da próstata, ou emocional”, reforçou. Segundo o naturalista, existem plantas medicinais usadas para o tratamento da próstata ou para estimular a energia sexual.
Na América do Sul, existe a maca ou lepidium meyenni, que ajuda, entre outras coisas, a melhorar o desempenho sexual, tanto no homem, como na mulher. “Ela é uma espécie de tônico, que diminui os estados de depressão”, pontua. A planta é encontrada em farmácias naturais e de manipulação. Outra opção é o ginseng coreano, que tem ação semelhante à maca. Cada uma das plantas também devem ser usadas mediante acompanhamento médico, pois apresentam contra-indicações. “Mas é importante ressaltar que elas só são usadas enquanto a causa do problema não foi descoberta ou curada. Não adianta usar paliativos, como os Viagras, que causam dependência e não resolvem a origem”, concluiu.
Uma das causas da disfunção erétil é o estresse. Indivíduos estressados liberam uma maior quantidade dos hormônios adrenalina e noradrenalina, que impedem a ereção. Preocupações com auto-estima corporal também contribuem para a disfunção erétil. O que as substâncias alopáticas fazem é bloquear a liberação das substâncias inibidoras da ereção. Já a hipertrofia benigna da próstata representa o crescimento de um tumor benigno, em uma das partes da glândula.
***MEDICAMENTOS
Veja os principais remédios alopáticos utilizados
Viagra – Tem efeito entre quatro e seis horas. Apresenta mais efeitos colaterais, como cefaléias e rubores. Não pode ser associado com determinadas substâncias, como a cimetidina – usada para tratamentos de úlceras e gastrites – e bebida alcoólica. O indivíduo tem que ministrar o medicamento com o estômago vazio.
Levitra – Duração do efeito de oito a dez horas. O indivíduo pode ingerir bebida alcoólica, com limitação. E pode ingerir o remédio com o estômago cheio. Um dos efeitos colaterais é dor no estômago.
Cialis – É semelhante ao Levitra, com duração maior dos efeitos (entre 24 e 36 horas). Ele dá um pouco mais de dor nas costas e ela pode durar o mesmo período do efeito do remédio.
Vigamed – Os efeitos duram em média oito horas. Tem ação semelhante à do Levitra.
Pramil – Os efeitos duram entre quatro e seis horas, com ação semelhante ao Viagra. O Pramil é uma versão paraguaia, mais barata e proibida do Viagra.
Fonte: Correio da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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