quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Wagner faz balanço positivo dos primeiros 40 dias de governo

Desafios, investimentos no Carnaval, geração de emprego e renda e segurança. Estes foram alguns dos temas tratados ontem pelo governador Jaques Wagner, durante entrevista ao apresentador Raimundo Varella, do programa Balanço Geral, para falar sobre os seus primeiros 43 dias de governo. “Eu faço um balanço extremamente positivo desse período. Tivemos algumas surpresas complicadas no começo mas, felizmente, com o espírito de equipe, conseguimos superar. Por exemplo, a questão do sarampo, para o qual rapidamente a Secretaria de Saúde conseguiu montar um processo de vacinação para evitar que o problema se alastrasse”, declarou Wagner. Ele iniciou a entrevista falando sobre a questão da segurança que, no seu entender, preocupa o País de norte a sul, “mas em especial no Sudeste, onde a violência e as quadrilhas organizadas têm apresentado um poder de fogo muito maior do que na Bahia”. Ele disse que o Estado tem, à frente da Secretaria de Segurança Pública, um delegado da Polícia Federal com 30 anos de carreira, um serviço de inteligência bem montado, uma Polícia Civil que está sendo remotivada e uma Polícia Militar que considera de Primeiro Mundo. O governador lembrou que este ano está sendo realizado um investimento de R$ 14,5 milhões na área de segurança para o Carnaval. “Mas a sociedade recebe de volta os frutos de uma festa popular que é a maior a céu aberto do mundo e com um número de incidentes bastante razoável, em relação ao número de pessoas que circulam durante o evento”, observou. Para Wagner, é fundamental o diálogo entre as polícias civil e militar e a sociedade, numa linha moderna de trabalho em sintonia com o governo federal, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública. “Temos a certeza de que poderemos melhorar ainda mais esse quadro e a Secretaria da Segurança tem conseguido êxitos fundamentais para afastar daqui o chamado crime organizado”, afirmou. Quanto ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governador disse que é um investimento da ordem de R$ 500 bilhões em quatro anos. “As bases estão lançadas e são o equilíbrio da economia, que já se sustenta. Veja o controle da inflação, os juros altos, porém caindo, uma reserva de mais de US$ 90 bilhões, coisa que nunca houve no Brasil, e superávit na nossa balança comercial”, elencou. Ele lembrou que a Petrobras tem uma parcela significativa nesse investimento, na ordem de R$ 170 bilhões. “Aí, eu chamo a atenção de que, quando nos chegamos ao governo federal, em 2003, a empresa vinha reduzindo seus investimentos. Em 2002, ela investiu R$ 6 milhões. Em 2006 foram R$ 16 milhões e vai investir R$ 50 milhões só em 2007”. Wagner disse que, dentro do PAC, há vários investimentos em infra-estrutura que alcançam a Bahia. “Nós assinamos um convênio no sábado, com a presença do presidente Lula, da chamada Via Expressa do porto de Salvador, no valor de R$ 190 milhões. Já temos também o dinheiro para fazer o acesso ao aeroporto e devemos ampliar para R$ 76 milhões os R$ 38 milhões que estavam previstos para essa obra e realizar o conjunto de viadutos necessários para o local”. Wagner lembrou ainda de outros grandes projetos que ainda estão sendo discutidos, como a hidrovia do São Francisco, o projeto executivo da ligação Brumado - Bom Jesus da Lapa e depois até Barreiras “e a sonhada ferrovia oeste-leste, para escoar os produtos do oeste”, concluiu.
Prejuízos da Ebal chegam a R$ 300 mi
O governador falou dos principais problemas enfrentados nos primeiros momentos do seu governo, dizendo que recebeu a Ebal totalmente quebrada, com um prejuízo acumulado de cerca de R$ 300 milhões, sendo R$ 80 milhões para fornecedores e referentes somente ao ano passado. “Estamos fazendo um trabalho corajoso para revitalizar e recuperar a empresa e já começamos a enxugar a sua estrutura. Para salvá-la, vamos ter que usar um tratamento empresarial, com um contingente que corresponda à necessidade de cada loja”, afirmou. Wagner falou também sobre as cheias do São Francisco e disse que a PM já mandou dois caminhões para Bom Jesus da Lapa e que os secretários de Infra-Estrutura e de Desenvolvimento Social irão supervisionar todas as áreas atingidas in loco. Outra questão apontada por Wagner foi a estrada da Serra do Marçal, na região de Vitória da Conquista, “que infelizmente, por desleixo de governos anteriores, teve a pista interditada, para evitar problemas maiores”. Ele disse que já foram construídas vias alternativas para reduzir os transtornos, com participação dos prefeitos da região e o Ministério Público. “Já está contratada uma obra emergencial para a área, um trabalho duro, porque é uma encosta muito alta que perdeu totalmente a sua sustentação”, apontou. Sobre a relação do Governo do Estado com os funcionários públicos, Wagner contou que já houve uma primeira relação com todos os representantes dos trabalhadores, aos quais foi enviada uma minuta do regimento da mesa de negociação permanente, que terá, no dia 6 de março, a primeira rodada. “Então, estamos apontando os pontos essenciais para, depois, começarmos os grandes investimentos”, declarou. Os investimentos federais também foram abordados durante a entrevista. “Eu creio que iremos receber o apoio do governo federal esperado pela gente baiana. Amanhã, inclusive, vou novamente a Brasília para discutir novos itens de investimento federal para o nosso estado”, revelou. Três governadores que foram eleitos com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão dispostos a acabar com a “rivalidade” entre Salvador, Recife e Rio de Janeiro, cidades que dizem fazer o “melhor Carnaval do mundo”. Jaques Wagner (PT-BA), Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ) e Eduardo Campos (PSB-PE) vão permanecer durante três dias juntos, acompanhando a folia nas “cidades rivais”. De acordo com o Palácio de Ondina (residência oficial do governo baiano), o “pacote turístico” envolvendo os três governadores já foi montado. No sábado, Jaques Wagner e Sérgio Cabral Filho serão recepcionados pelo governador Eduardo Campos, em Recife. Juntos, os três vão percorrer as principais ruas e avenidas da capital pernambucana para conhecer melhor o frevo. Na segunda-feira, Wagner e Eduardo Campos acompanham o desfile das escolas de samba no Rio —inicialmente, os dois governadores nordestinos deveriam embarcar para o Rio no domingo. O projeto foi alterado porque, em seu primeiro Carnaval depois de desbancar uma hegemonia de 16 anos do PFL na Bahia, Wagner preferiu ficar em Salvador para acompanhar os desfiles dos principais blocos e trios no Campo Grande (centro), onde está localizado o camarote do governo estadual. Na terça-feira, os três governadores estarão em Salvador para acompanhar os trios elétricos.
Liderança do governo na AL está entre Yulo e Waldenor
O governador Jaques Wagner, de acordo com a assessoria de imprensa, ainda não bateu o martelo na escolha do líder da sua bancada na Assembléia Legislativa. No entanto, nos bastidores políticos, esse nome estaria quase certo, apesar da disputa interna dentro do PT baiano. O embate estaria em torno dos deputados Yulo Oitica (até então líder do PT) e Waldenor Pereira, segundo vice-presidente na legislatura passada. Os parlamentares acreditam que hoje ou amanhã, antes do início da 16ª Legislatura baiana, seja definido o novo líder. O petista Zé das Virgens também estaria sendo cogitado, mas pelo fato de Waldenor já ter feito parte da Mesa Diretora, ele poderia ser o mais indicado para assumir a nova liderança do governo. Os dois também concorreram, internamente no PT, pela indicação da bancada para disputar a presidência da Assembléia Legislativa, que acabou não saindo. No entanto, Waldenor, militante e fundador do Partido dos Trabalhadores, da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Associação de Professores de Vitória da Conquista, não teria uma boa articulação entre os colegas parlamentares. Tarefa essa que tem credenciado o deputado Yulo Oitica para assumir a liderança da base governista. Mesmo tendo sido reconduzido à AL como suplente da legenda - com a saída do deputado eleito Valmir Assunção para a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza -, Yulo tem uma boa articulação com as duas bancadas da Casa. Waldenor Pereira nega que seu nome esteja no podium e afirmou, ontem, que se realmente ocupar a liderança será uma surpresa. “Confesso que será uma surpresa se isto acontecer. Nós decidimos na bancada do PT que apoiaria a escolha do governador, mas se eu for o indicado ficarei muito honrado”.
Deputado troca PFL pelo PTB
O presidente regional e vice-presidente da Executiva nacional do PTB, ex-deputado Jonival Lucas Júnior, desmentindo os rumores de que a mando do presidente nacional da legenda, ex-deputado Roberto Jefferson, a entrada de qualquer pefelista estava barrada, assegurou que a filiação de José Rocha, deputado federal até então pelo PFL, está praticamente acertada. “Eu e o Zé Rocha temos conversado muito. Acredito que falta apenas acertarmos alguns detalhes”, enfatizou. Além de Rocha, Jonival declarou que pelo menos quatro filiações estão por vir (duas no Legislativo federal e mais duas no estadual). Sobre as especulações em torno do nome de Cláudio Cajado, também do PFL, Jonival embora tenha se mostrado surpreso, não apresentou nenhum tipo de rejeição. “Isso para mim é uma novidade. Nós nunca conversamos, mas o que disser respeito à agremiações políticas, temos autonomia para analisarmos e posteriormente decidirmos “, disse, ressaltando que o Diretório Estadual tem liberdade para decidir sobre qualquer questão local. “Não há um bloqueio da Executiva nacional”, reforçou. Sobre a sua permanência no controle do partido na Bahia, o presidente regional, foi enfático ao declarar que tudo permanece inalterado. “Estive com o diretório no sábado e ficou acordado que o PTB continua no Estado sob a minha responsabilidade”. (Por Fernanda Chagas)
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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