quarta-feira, outubro 11, 2006

ACM diz que mentira faz parte do governo Lula

Por: Correio da Bahia

Senador afirma que debate deixou claro que petista nunca teve condições morais de ocupar a Presidência

BRASÍLIA - O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) lamentou ontem, em discurso no plenário do Senado, que a mentira faça parte do governo do poresidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governo do Partido dos Trabalhadores. “A mentira é o mote principal do presidente Lula”, disse ACM. O senador afirmou que o presidente mente, de forma inacreditável, ao referir-se a declarações atribuídas ao candidato da coligação PSDB-PFL à Presidência, o tucano Geraldo Alckmin, de que, após eleito iria privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o Banco do Nordeste. “Enfim, tudo que não é verdade”, assegurou ACM.


O senador fez ainda uma avaliação da participação de Lula e Alckmin no debate de domingo, na TV Bandeirantes, quando ficou claro certos aspectos que tornam evidente o despreparo do presidente Lula em ocupar a Presidência da República. As evidências, segundo o senador, tornaram-se públicas durante o debate realizado no último domingo pela TV Bandeirantes, quando houve a “demonstração inequívoca de que o presidente da República deverá ser Geraldo Alckmin (PSDB/PFL)”.


“Era preciso, sim, um debate público para se ver ao final que o presidente Lula não poderia ser presidente e não poderá ser presidente porque não tem as qualificações indispensáveis para dirigir um país como o Brasil”, afirmou o líder político baiano. Para ele, o público teve a oportunidade de notar, desde o início do debate, que Geraldo Alckmin estava muito melhor preparado. “Por que está melhor preparado e por que não pode ser comparado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, completou.


O senador contou que assistiu ao debate, do início ao fim, pela TV. “Nunca vi em debate de televisão uma superioridade tão grande em todos os sentidos, do primeiro ao último bloco”, declarou, referindo-se ao tucano. Para ACM o presidente Lula não marcou um ponto, foi nocauteado do começo ao fim, uma derrota que começou com a pergunta: “De onde vem o dinheiro?”
A questão levantada pelo candidato do PSDB, referindo-se ao R$1,7 milhão que seria usado para a compra de um falso dossiê contra tucanos, atordoou o presidente da República, segundo afirmou o senador. “Aliás, até hoje ninguém sabe de onde veio o dinheiro”, observou. ACM referiu-se aos comentários de que os dólares e reais viriam dos Estados Unidos, mas policiais federais já admitem que o dinheiro pode ter vindo do jogo do bicho.


“Levando-se em conta que eram muito pequenas as notas, notas de jogador de bicho. Paira essa dúvida”. Para o senador baiano a pergunta era previsível, mas atingiu o petista. “Lula ficou grogue e, do princípio ao fim, não acertou coisa nenhuma”, completou.


Durante o pronunciamento, ACM aproveitou para discordar dos senadores que elogiaram a política externa do atual governo. “É o contrário. Há muito tempo a política externa do Brasil não vem dando certo, mas nunca esteve pior”, disse. O senador argumentou que a luta por um lugar no Conselho de Segurança faz com que o país atravesse situações dificílimas. “Cedendo coisas a todos os países e sempre sendo derrotado na política externa”, avaliou.


Durante o discurso, o senador exemplificou o caso da China, que negou apoio ao governo brasileiro, e com a Bolívia, cujo presidente Hugo Chavez sempre teve o apoio de Lula. “Foi assim com a Bolívia. Foi assim até com o presidente Chávez, para quem o presidente Lula deita-se para que ele passe por cima”, criticou. No caso da Bolívia, ACM lembrou que, durante o debate, o próprio Lula confessou que a Bolívia estava certa. “E que o Brasil deveria perder bilhões para o povo boliviano, que a Petrobras tinha de perder”.


Outro aspecto levantado pelo senador Antonio Carlos Magalhães foi em relação à insistência do presidente Lula em dirigir suas críticas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “A mania que ele (Lula) tem em relação ao ex-Presidente Fernando Henrique me faz perguntar: por que o presidente Lula não chama para um debate o presidente Fernando Henrique?”, sugeriu ACM.
O eventual debate entre Lula e FHC, segundo o senador baiano, poderia ser “interessantíssimo”. “Em vez de cobrar do presidente Alckmin, iria o próprio ex-presidente Fernando Henrique mostrar que ele, presidente Fernando Henrique, é o autor principal da auto-suficiência do petróleo”, afirmou.

ACM lembrou que foi o governo FHC o responsável pelo grande subida na exploração de petróleo no Brasil. “Fernando Henrique iria demonstrar que os números que Lula apresenta são falsos, tanto na saúde quanto na educação”.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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