quarta-feira, outubro 11, 2006

UM VOTO CONTRA A CORRUPÇÃO

Por Antonio virgilio de Andrade

Procura-se: COMANDANTE PARA NAVIO SEM LENE E SEM DIREÇÃO.


UM VOTO CONTRA A CORRUPÇÃO


Procura-se: COMANDANTE PARA NAVIO SEM LENE E SEM DIREÇÃO.

Se esse anúncio fosse publicado nos classificados dos jornais, de todo país, na amanhã seguinte, haveria uma fila quilométrica na porta da redação.
Pode parecer utopia; mas é mais incontestável verdade.
Somos um navio sem leme. Um navio que de quatro em quatro anos carece de eleger um Comandante para o conduzi-lo pelo tortuoso mar das incertezas e guiá-lo para o inóspito porto das ?Terras do São Nunca?.
Cada um de nós, o mais elevado membro da tripulação ou o mais desprezível passageiro, tem o direito constitucional de postular o galardão de Comandante da paradisíaca e titaniaca galé chamada Brasil.
Advirto, no entanto, que, os postulantes que almejarem cumprir tão gloriosa e espinhosa missão, deve superar a única exigência para o cargo: estar em pleno gozo dos direitos políticos.
E neste contexto, não há muito para exigir. Se o Candidato souber soletrar o verbo gozar no indicativo presente do subjuntivo; ele é suficientemente competente para nos conduzir ao atoleiro. Nada se pode fazer.

NEM SÓ DE FALSAS PROMESSAS SE FAZ UM BOM CANDIDATO.
Se por um lado os candidatos não precisam de qualificação; de outro, logo descobrem que terão uma enorme dor de cabeça para escolher seus assessores e estrategistas de campanha. O mercado é frutífero. Oferece toda sorte de profissionais de qualidade duvidosa ou com prazo vencido. É por essa razão que a experiência nas cores partidárias sempre será o melhor e mais seguro caminho e ensinamento a ser seguido e buscado.
Caminhos ou vertentes partidárias são moedas de troca no mercado eleitoral. O Candidato não precisa se preocupar com a chamada fidelidade. Basta acordar. Acordar no sentido de fazer acordo. Um acordo aqui outro aculá e, tudo se resolve na mesa de um ?paraíso fiscal?.

Lições estratégias e outras artimanhas políticas podem ser aprendidas em qualquer manual de auto-ajuda. Contudo, três são imprescindíveis.
A primeira lição exige que o Candidatavel vista a máscara de cara-de-pau e nesse firme propósito seja capaz de enganar até a si mesmo.
A segunda, que, para separar o joio do trigo, a solução é plantá-los na mesma cova e rezar para que o pior não aconteça. Se eles se derem ás mãos e crescerem além da expectativa, certamente irá sufocar o Candidato. Aí, adeus Governo.
A terceira é uma variação das duas primeiras. Todo Candidato têm que saber chorar lágrimas de crocodilo como se fosse uma donzela desvirginada. E se for preciso, jurar que de nada sabia; que é tudo culpa da oposição, da opinião pública que se deixou manipular pelos meios de comunicação, ou de um bando de aloprados que querem desestabilizar os pais.
Assim, encerramos o capítulo das lições que não podem e não devem ser desprezadas por qualquer Candidato. Todavia, só existe uma única razão para que tudo o que foi planejado e executado atinja o resultado almejado: A pesquisa de intenções; também conhecida como IBOPE. Dizem os especialistas que essa é única ferramenta infalível para prever o imprevisível.

QUEM É CAPAZ DE PREVER O QUE O ELEITOR VAI DIGITAR NA URNA?
Este é um tema que merecia um capítulo especial. Contudo, considerando que a hora já é chegada, não temos tempo para achismos e divagações acadêmicas.
Votar é um ato insano; já afirmava Nicolau Copérnico. Não o matemático; mas o diretor do hospício das Sagradas obras de São Tomé. É preciso ver para crer.
O ato de votar é tão insano que você pode dormir eleitor e acordar derrotado. Basta que o eleitor, não vá votar por julgar que seu Candidato já ganhou. A experiência nas urnas não nos deixa mentir.
Mas esse não é o único temor a ser digerido pelo Candidato. No presente momento em que vivemos e assistimos o ressurgir de efeitos colaterais que podem jogar por terra toda uma estratégia de voto, até então bem sucedida.
Exemplificando: que tal o efeito dossiê; o efeito sanguessuga; o efeito mensaleiro; o efeito cadê meu dinheiro da cueca.
Ora direis, não me atinge.
Mas suponhamos que o eleitor resolva, com a passividade que lhe é natural, digitar um VOTO CONTRA A CORRUPÇÃO.
O que ocorreria? De certo, mingúem se elegeria.
Mas esse é um acontecimento impensável. Ninguém em são juízo, vai querer que o navio sem leme e sem direção fique, por quatro anos, sem comandante. Resta a vã esperança de, na pior das hipóteses, elejamos o menos pior.
Com bem sabemos, corrupção não tem cor nem bandeira. É possível encontrá-la nos quatros cantos da terra. Na torcida do Flamengo ou do São Raimundo. No inferno ou no paraíso. Alguém duvida? Se duvidar é porque já não é mais capaz de lembrar que Eva se deixou corromper por uma singela maça.

Antonio Virgilio Andrade
Publicado no Recanto das Letras em 29/09/2006
Código do texto: T252190




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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. 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Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. 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