terça-feira, outubro 17, 2006

Meu nome é Luiz Inácio Lula da Silva mas

Por: Helio Fernandes


Pode me chamar de presidente, e repetir 4 anos de retrocesso
Faltam pouco mais de 10 dias para a eleição, o 2º turno com a vitória anunciada de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2002, começando 4 meses antes da eleição, escrevi vários artigos, todos com o mesmo título, logicamente com textos diferentes, mas com igual convicção. Título geral: "Meu nome é Luiz Inácio Lula da Silva, mas pode me chamar de presidente".

52 milhões de eleitores confirmaram a esperança que se desprendia ou que surgia da alternância do Poder. Num país dominado pela elite, no Império e na República, um trabalhador no governo era mais do que uma experiência, era a consagração da democracia.

Isso foi dito com votos, com palavras, com expectativa, barulhenta ou silenciosa. E se 52 milhões de cidadãos "teclaram" o número de Lula em 2002, outros 52 milhões não fizeram isso, mas deixaram implícito e explícito: não davam a ele o voto na urna, mas emprestavam esse voto, na esperança, na compreensão, na divagação de que finalmente a República deixaria de ser um sonho arruinado, destroçado, desesperançado.

Durante esses quase 4 anos fui expressando minha decepção, minha inquietação, minha constatação de que nada aconteceria. Logo, logo não havia mais dúvida: Lula assumia com 2 projetos. Um, pessoal, que era de se impor através da exibição na televisão, ou então pelas viagens internacionais, dialogando com os donos do mundo. Nos primeiros meses ou até, digamos, 1 ano, seu charme, carisma, da vitória de um trabalhador pobríssimo que conseguira vencer tudo e chegar a presidente da República, se mantiveram intactos.

Mas logo se via que um outro esquema dominava o governo, o Planalto e o Alvorada, e por motivos os mais diversos arrastava o próprio Lula. Arrastava ou o mantinha inteiramente por fora de tudo? Lula continuava a se exibir na televisão interna e nos palcos externos, mas a desconfiança se consolidava. E imediatamente se materializava o grupo da ambição que se consolidava utilizando a corrupção. Pretendiam o que Hitler chamara de "Reich dos mil anos" e FHC os 20 anos, no mínimo do Poder pela entrega do patrimônio nacional.

Meu primeiro brado retumbante: quando o presidente Lula disse na televisão: "Fico esperando ansioso que o Palocci e o Meirelles acenem com o sinal verde para baixar os juros". Era muito, protestei abertamente. O regime é presidencialista, o presidente pode tudo, por que depender de dois subordinados? Por sua vez, subordinados ao FMI?

Em menos de 2 anos tudo desmoronou. Escândalos e mais escândalos foram chegando ao conhecimento geral. Eram de tal ordem, num volume tão extraordinário, que seqüestraram o próprio presidente Lula. Continuou negando, insistiu no monótono "não sei de nada", mas foi demitindo, desonrosamente, os principais auxiliares. Teve que expulsar com cartão vermelho aqueles que esperava que lhe acenassem com cartão verde.

Os 4 anos de Lula representam a maior e mais incoerente tragédia do que pode ser chamado sem qualquer hesitação de cópia do "fernandohenriquecardosismo". É terrível para um presidente que prometeu a esperança e a realização fazer tudo igual ao antecessor, que é conhecido pelo RETROCESSO DE 80 ANOS EM 8.

Ultrapassando logo o tempo e o espaço, estamos perto do 29 de outubro, do 2º turno e da nova vitória de Lula. No 1º turno teve 48,5% dos votos. Não vai perder 1 só desses votos e ganhará mais 6 ou 7%, chegando facilmente aos 55%. Alckmin pode chegar a 45%, que ilusão.

PS - Este artigo, bem antes da eleição inútil do dia 29 e do debate vazio do dia 27, pode ter, e tem mesmo, o título dos que escrevi em 2002. Mas o repórter, dominado pelo desalento, pelo desencanto, pela descrença.

PS 2 - Como não gosto de votar em branco ou anular o voto, e como votar em Alckmin representa a mesma coisa, ficou a opção a ser cumprida com tanta dor no coração, que o melhor mesmo é, antes da votação, colocar um marcapasso. Réplica do que colocaram no país, ESTAGNANDO-O ou CONDENANDO-O ao RETROCESSO.


Geraldo Alckmin

Outro que desaparece. Não tenho nada pessoalmente contra ele, só o que representa. Por isso o velório antes da morte, dia 29.


Meu artigo em defesa dos funcionários da AERUS, PETROS e AEROS, que são roubados na APOSENTADORIA COMPLEMENTAR, teve excelente repercussão. No sábado mesmo houve reunião-jantar, e quase ia saindo um acordo positivo. Ivan Barreto, presidente da AMBEP, tentou apoiar o lado bom da AEPET. Já fizera a defesa de Fernando Siqueira, diretor da AEPET e membro do Conselho Deliberativo da AMBEP. Mas logo o grupo ruim que assaltou a AEPET tomou providências.

O presidente da AEPET, Heitor Pereira, estava presente, mas quem falou foi o engenheiro Sidney Reis. Manda mais que o presidente, e se apresenta como ASSESSOR JURÍDICO. (Recado para a OAB: se ele não é advogado, pode ser ASSESSOR JURÍDICO?).

Como são malabaristas, na eleição da AMBEP, que não demora, querem tirar Fernando Siqueira do Conselho Deliberativo e colocá-lo no Conselho Fiscal. A AMBEP representa mais de 130 mil funcionários. Heitor Pereira continuará em silêncio.

A Sujíssima Veja errou mais uma vez. Garantiu que Alckmin é ameaça real (ou dólar?) ao presidente Lula.

Assim como engana o leitor na informação e na opinião, engana também na análise. Onde a surpresa? Lula não terá menos de 55% dos votos.

Alckmin contamina até amigos (?). Prometeu o Ministério da Fazenda ao corrupTASSO, ninguém foi tão derrotado quanto ele, principalmente no seu estado, o Ceará. Além disso, Alckmin que não ganha, prometeu em vão.

O presidenciável registrado pelo PSDB, mas com a cúpula desse partido com horror a ele, garantiu a Michel Temer que seria presidente da Câmara. Temer pretendia isso ou a vice do Serra, foi vetado por Quercia.

Temer já se julgava presidente da Câmara. Ficou em penúltimo lugar na legenda. Mas como 2 candidatos do PMDB foram impugnados e se elegeram, Temer, desesperado, vive a angústia de ser suplente. Se fosse no Senado, que maravilha viver. Não presidirá a Câmara.

Ney Suassuna, derrotado pelo povo do seu estado, e não reeeleito, faz agora apelo aos colegas: para que cassá-lo, seu mandato está no fim.

Não tem apoio, respondem: a cassação não é pelo tempo e sim pela credibilidade. O relator, Jefferson Peres, desconheceu os apelos, pediu sua cassação. Foi insultado, injuriado, agredido. Piorou a situação.

José Roberto Dutra é arrogante, pretensioso, incompetente. Perdeu para governador do Sergipe, não se reelegeu senador, ganhou de presente a Petrobras. Teve que ser demitido às pressas ou a grande empresa acabava.

Foi novamente candidato a senador, outra vez derrotado. Mesmo apoiado por Marcelo Déda, prefeito duas vezes e eleito governador.

Dutra sonha que Lula repita o 1º mandato e nomeie derrotados. Será salvo do ostracismo. Poderia ser ministro da Limpeza Pública, o cargo não existe.

Cristovam Buarque tem mandato no Senado até 2010. Tem dito a amigos que voltará ao governo do Distrito Federal. Como ganhar de Paulo Otavio (que será o sucessor de Arruda) ou até de Roriz?

Clodovil Hernandez não sabe mesmo o que irá fazer em Brasília. Começou esfogueado, foi aconselhado a "amainar", que palavra, "amainou".

Na verdade, quer um programa semanal na TV Globo, que até admite estudar. Se continuasse no pique em que ia, Clodovil estava ameaçado a nem chegar em Brasília. Ou sair muito antes.

Quando Sergio Cabral, com um projeto contra os gays, mudou de lado por questão eleitoral, alguém disse a ele, gozadoramente: "Você podia devolver tudo o que ganhou ilicitamente". E o candidato, rápido: "Se o Garotinho devolver, eu também devolvo". É um homem de convicções.

Que tristeza: Denise Frossard jogou fora uma eleição que precisava apenas dela passar para o 2º turno. Passou e fez tanta bobagem, que perdeu a grande chance da sua vida. E frustrou a expectativa do estado todo.

O PSDB do Rio e do Estado do Rio acabou, venho dizendo há meses. A liderança emergente é de Otavio Leite, que teve excelente votação.

Eduardo Paes, que cresceu na CPI contra corruptos, apóia Sergio Cabral. O PSDB não tem o governo, a prefeitura, os senadores. E bancada na Câmara Federal vai diminuindo cada vez mais. Sem renovação.

Continuo a análise (que comecei ontem) da revista "Piauí". Sigo apenas a exigência criada pela arrogância e pretensão dos banqueiros donos. Essa "Piauí" é um incrível desperdício. Para o público custa 7,90, para os donos muito mais, não importa, é dinheiro fácil.

Monótona, desinteressante, cansativa. Dois artigos tidos como alavanca e ponto de apoio: de Ivan Lessa, lembrando os 28 anos em que morou em Londres. 613 linhas, em 16 blocos indevassáveis, todas as linhas com 32 batidas. Memória inútil de Ivan Lessa, nada que valha a pena. Ninguém sabe o que faz ali. O tempo passou, Ivan Lessa acabou.

O melhor texto é de Dorrit Harazim, que escreve bem. Mas como editora da revista deveria ter percebido que ninguém vai se perder num emaranhado de 752 linhas na mesma diagramação da matéria do Ivan Lessa.

A atração (?) prometida era uma entrevista com Roberto Jefferson, feita pelo próprio banqueiro dono. Ficaram com vergonha, deixaram para o DVD que sairá dia 17 de novembro. Como o estilo é o homem, o banqueiro dono "aparece" escondido em diversas e inúteis páginas.

A revista não vai durar nem fechar. Será mantida pelo cacife do banco. Mas no máximo ficará como as revistas dominicais dos grandes jornais do mundo, que todos colocam de lado "para ler depois". E esquecem.

XXX

Flamengo e Vasco não saíram da mediocridade. Pegaram dois times na zona de rebaixamento, não tiveram piedade, não era para ter mesmo. Competição é competição.

O Fluminense acumula técnicos e derrotas, cada vez mais longe de qualquer objetivo positivo.

Só não está "garantido" no rebaixamento porque essa área já tem 3 donos certos. Mas é uma campanha lamentável.

Treinadores como PC Gusmão, Antonio Lopes, Geninho e outros não se destacam, mas pelo menos conhecem o Brasil inteiro. 1 mês em cada estado, que maravilha viver.

Contra esses timinhos que a seleção "enfrenta", Ronaldinho Gaúcho vai se reafirmando. Anteontem, pelo seu Barcelona, fez 1 gol de falta, como gosta. E mais 1 de pênalti, sem maiores dificuldades.

Deixa longe o outro Ronaldo, ex-fenômeno, que fez uma falta violentíssima, fora dos hábitos, o que contribuiu para a expulsão.

XXX

Para obter os votos que o PDT não tem, o ex-governador Alckmin se declara "contra a privatização". FHC não gostou, claro.

E qual a razão de Alckmin ter atravessado todo o furacão DOADOR do presidente FHC sem dar uma palavra, sem esboçar, pelo menos esboçar, um protesto?

Estamos assistindo total empulhação: a compra e venda de votos que não possuem.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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