sexta-feira, julho 30, 2021

Um terço dos brasileiros tem medo de ir a bares e restaurantes, diz CNI

 Foto: Renan Calixto/Arquivo/GOVBA

Um terço dos brasileiros tem medo de ir a bares e restaurantes, diz CNI30 de julho de 2021 | 08:45

Um terço dos brasileiros tem medo de ir a bares e restaurantes, diz CNI

BRASIL

Um ano e meio após o primeiro caso de Covid-19 ser registrado no país, grande parte dos brasileiros ainda tem receio de frequentar lugares públicos, segundo levantamento divulgado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) nesta sexta-feira (30).

O estudo aponta que 34% da população sente medo grande ou muito grande de frequentar bares ou restaurantes. O índice cai para 17% quando a pergunta é sobre supermercados. Esses números eram de 45% e 26%, respectivamente, em abril.

Os dados foram coletados pelo Instituto FSB Pesquisa, que entrevistou por telefone 2.000 pessoas de todos os estados e do Distrito Federal entre os dias 12 e 16 de julho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, e o intervalo de confiança é de 95%.

No final de abril, chegava a quase 10% o percentual de pessoas totalmente vacinadas no país. Nesta quinta (29), eram 25% aqueles que tomaram a primeira e a segunda dose.

Além disso, nos últimos meses, a população começou a sentir os efeitos das imunizações: no dia 15 de julho, pela primeira vez em oito meses, o Brasil viu os casos de Covid-19 desacelerarem de forma constante, de acordo com o monitor da aceleração da Covid, da Folha. A plataforma mede a variação de novos infectados nos últimos 30 dias.

Esse cenário contrasta com o de abril, período inicial de comparação da pesquisa da CNI. No início daquele mês, o Brasil ultrapassou os 4.000 mortos por Covid em um só dia pela primeira vez na pandemia.

“A preocupação com a pandemia ainda é grande”, afirma o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo. Ele diz que os índices têm acompanhado a variação no número de contágios e mortes e a vacinação. Imunizar a população, portanto, é fundamental para a retomada a econômica, diz ele, em convergência com o que economistas e empresários têm defendido nos últimos meses.

“O avanço da vacinação vai fazer as pessoas se sentirem mais seguras e voltarem aos hábitos de consumo perdidos”, afirma.

O economista Marcelo Neri, diretor do FGV Social, lança uma dúvida sobre o retorno desses costumes. “O comércio eletrônico ganhou com a pandemia e deu um empurrão para as pessoas não precisarem ir ao shopping. Não só para a compra, mas antes disso, para a busca, por exemplo”, comenta.

Em 2020, as vendas do comércio eletrônico cresceram 41%, atingindo um faturamento de R$ 87,4 bilhões, de acordo com dados do relatório Webshoppers da Ebit|Nielsen e do Bexs Banc.

A despeito da sensação de segurança da população, que melhorou, a percepção dos efeitos da crise sanitária na economia tem permanecido em patamares altos. Em julho de 2020, auge do pessimismo, eram 89% aqueles que acreditavam terem sido muito grandes ou grandes os efeitos. Em julho desde ano, 87% tinham a mesma opinião, uma oscilação dentro da margem de erro da pesquisa.

Ao dividir esse índice por gênero, percebe-se que as mulheres têm uma percepção mais pessimista: 70% delas acham que o impacto da crise foi muito grande, frente a 54% dos homens.

“Um dos estudos que li chama a crise de 2008 de recession [recessão, em inglês], enquanto denomina a crise gerada pela pandemia de shecession [começando a palavra com she, ela, em inglês], uma crise delas”, comenta Neri. “Essa recessão teve um viés contra as mulheres, que desempenham esse papel duplo, de produtoras e cuidadoras.”

Em 2020, a crise deixou mais da metade das mulheres fora do mercado de trabalho. A taxa de participação na força de trabalho ficou em 45,8%, uma queda de 14% em relação a 2019. A evasão escolar é um dos motivos mais citados por especialistas para o retrocesso, uma vez que o cuidado dos filhos recaiu sobre as mães.

“As mulheres foram as grandes perdedoras da crise, porque elas tiveram que assumir outras funções. Os dados refletem a percepção de quem viveu uma situação mais adversa”, afirma Neri.

Daniela Arcanjo/Folhapress

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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