sábado, julho 31, 2021

Tesouro admite que o rombo das contas públicas em junho foi bem pior do que o esperado

Publicado em 31 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

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Charge do Amorim (Correio da Cidadania)

ROSANA HESSEL
Correio Braziliense

As contas do governo federal encerraram junho com deficit primário de R$ 73,6 bilhões, conforme dados do Tesouro Nacional divulgados nesta quinta-feira (29/07). O saldo foi pior do que o esperado pelo mercado para o resultado do governo central — que inclui Tesouro, Banco Central e Previdência Social. Conforme dados do Prisma Fiscal, do Ministério da Economia, a mediana das expectativas dos agentes financeiros era de um deficit de R$ 56,9 bilhões.

O resultado negativo de junho é o segundo pior da série histórica do Tesouro, iniciada em 1997, reflete a soma dos deficits de R$ 18,4 bilhões, nas contas do Tesouro e do Banco Central, e de R$ 55,1 bilhões, nas da Previdência Social. Vale lembrar que o desequilíbrio das contas públicas é recorrente, pois as despesas do governo superam as receitas desde 2014.

UM MÊS RUIM – O secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, evitou fazer comparações com o resultado primário de 2020, que apresentou os piores resultados da história por conta da pandemia, mas reconheceu que o saldo negativo de junho também foi muito ruim, apesar da melhora em relação aos dados do ano passado.

”As magnitudes das medidas envolvidas no combate à covid-19 tem dificultado as comparações do resultado do Tesouro. Neste mês, em particular, estamos comparando um deficit forte com o maior deficit da história. Não só temos um saldo negativo que é pior do que o padrão, como a base de comparação é muito depreciada para comparações pontuais”, disse.

SEM REAJUSTE SALARIAL – De acordo com o subsecretaria de Planejamento Estratégico da Política Fiscal, Pedro Jucá Maciel, a falta de reajustes salariais neste ano tem ajudado os órgãos do governo federal cumprirem com folga os limites de gastos previstos na regra do teto — que limita o aumento das despesas à inflação do ano anterior — no primeiro semestre de 2021.

Bittencourt reforçou a importância de o governo continuar respeitando as regras fiscais e defendeu o discurso da consolidação fiscal para reequilibrar as contas públicas. Mas ao ser questionado sobre os riscos de um desequilíbrio a partir do próximo ano, já que o presidente Jair Bolsonaro sinalizou que pretende conceder reajuste aos servidores, o secretário do Tesouro evitou comentar sobre o assunto.

O secretário do Tesouro considerou positivo a possibilidade de o governo reduzir o valor o rombo projetado na meta fiscal “para qualquer ano”, mas não confirmou uma iniciativa da pasta nesse sentido. “Sempre que pudermos alterar meta para melhorá-la, isso será visto com bons olhos”, disse Bittencourt.

DADOS CONFUSOS – Na avaliação do especialista em contas públicas Fabio Klein, da Tendências Consultoria, essa melhora dos resultados fiscais em 2021 em relação aos dados de 2020, que foram um ponto fora da curva por conta da pandemia, não é motivo de comemoração.

“Os dados ainda estão muito confusos e há um componente inflacionário que está ajudando a melhorar as receitas e que não é positivo, do ponto de vista estrutural. É preciso um olhar mais detalhado para os números para poder comparar melhor”, disse.

O analista lembrou que a inflação que está corroendo o poder de compra do brasileiro está ajudando o governo a registrar uma receita com tributos maior que é resultado dos reajustes de preços ao consumidor, principalmente.

EFEITO DA INFLAÇÃO – Além disso, a inflação também ajuda a melhorar a previsão da dívida pública bruta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que está diminuindo porque o denominador, que é o PIB nominal, está sendo corrigido para cima. Logo, uma base maior reduz a relação dívida-PIB, o que é um efeito contábil e que não necessariamente reflete uma maior austeridade do governo no combate ao aumento de despesas.

“A inflação explica, em grande parte, a surpresa no aumento da arrecadação federal, mas também ajuda a aumentar o PIB e, por conta disso, o país deverá encerrar 2021 com um percentual ainda abaixo do registrado em 2019, que foi 20,8% do PIB”, alertou. Pelas estimativas de Klein, neste ano, a arrecadação federal “não deve chegar a 20% do PIB”.


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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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