quarta-feira, julho 28, 2021

Centrão quer recriar a pasta do Planejamento para comandar também o Orçamento Federal

Publicado em 28 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Ciro Nogueira

Nogueira mostra que o Centrão quer dominar o governo

Adriana Fernandes
Estadão

É ponto pacífico que o ministro da Economia, Paulo Guedes, perdeu um naco de poder no seu superministério com a reforma ministerial para dar a cadeira de comando da Casa Civil ao Centrão. Mas a maior disputa de poder na área econômica está em curso e concentrada em outro lugar: o antigo Ministério do Planejamento.

Depois de permitir que o Centrão demarcasse território para si por meio das chamadas emendas de relator, formando um orçamento paralelo sem controle, como revelou o Estadão, as lideranças dos partidos que formam o bloco de apoio ao presidente Jair Bolsonaro querem mesmo é ampliar os domínios sobre a Secretaria de Orçamento Federal, a SOF.

Até aqui, não conseguiram. Mas a pressão segue mesmo após o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressista, hoje o mais poderoso partido do Centrão, ser nomeado para a Casa Civil.,

A VOLTA DO TRABALHO – A ida do ministro Onyx Lorenzoni para o novo ministério do Trabalho e Previdência, que nasce do fatiamento do Ministério da Economia, é a consequência para garantir governabilidade ao presidente.

O momento é particularmente delicado porque falta um pouco mais de um mês para o envio do projeto de Orçamento de 2022. É nessa hora que o bicho pega na Esplanada para definir quem pode ganhar mais espaço no Orçamento do ano que vem, tempo de eleições em que as verbas precisam ser liberadas mais rápido no primeiro semestre em razão das restrições da Justiça Eleitoral e do próprio calendário da campanha. A gula aumentou como se viu no episódio do aumento dos recursos para o fundão.

A perda da SOF com a recriação do Ministério do Planejamento seria a capitulação da política econômica do ministro da Economia que esteve ancorada desde o início na ideia de que um superministério poderia garantir mais união em torno da implantação da pauta liberal.

GUEDES ENXUGA – Na reforma ministerial, Guedes resistiu, por enquanto, à pressão e está justamente promovendo um enxugamento na secretaria especial de Fazenda, sob o comando do economista Bruno Funchal, para fortalecer a aproximação e integração da SOF com o Tesouro com o objetivo de dar mais agilidade ao coração da área fiscal após a constatação de que o gigantismo da secretaria acabava tirando foco e retardando as respostas.

À frente do novo Ministério do Trabalho e Previdência, Onyx fica com a responsabilidade de tirar do papel a política de estímulo do emprego, peça de campanha eleitoral fundamental para os planos de reeleição do presidente.

Mas é um equívoco monumental imaginar que Onyx terá mais poder porque tem um orçamento de mais de R$ 700 bilhões, o maior da Esplanada, já que esse é um gasto obrigatório com o pagamento de benefícios que não muda a correlação de forças.

FGTS ENFRAQUECIDO – O Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS), que foi transferido da Economia para a estrutura do novo ministério, também não tem muita bala na agulha, já que nos dois últimos anos foram liberados R$ 80 bilhões – R$ 43 bilhões, em 2019, e R$ 37 bilhões, no ano passado.

O que vai pesar nesse equilíbrio de forças é o tamanho da carta que o presidente lhe dará para o pacote do emprego, que em boa parte já foi desenhado pela equipe de Guedes que segue no novo ministério.

Onyx terá de enfrentar o problema de sempre: o financiamento do programa que exigirá bilhões de reais em 2022 e que as entidades do Sistema S não querem pagar.

A BRIGA DE SEMPRE  – O teto de gastos, mesmo que mais largo no ano que vem por causa da inflação, continua jogando contra os projetos eleitoreiros com despesas maiores.

De alguma forma, a briga continua rodando o mesmo lugar. A diferença é que o próprio Guedes já disse que vai para o ataque para a reeleição. Vai testar seus próprios limites na hora de abrir o cofre.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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