quinta-feira, abril 29, 2021

Braga Netto reclama de cortes no orçamento das Forças Armadas e nega “politização” em troca de comando


Braga Netto e comandantes participaram de audiência no Senado

Adriana Mendes
O Globo

 O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, reclamou nesta quinta-feira do corte no orçamento das Forças Armadas e alegou que “não teve politização” na troca de comando das Forças. O ministro disse também que quando o presidente Jair Bolsonaro faz declaração citando “meu Exército” ele fala como um cidadão comum. Braga Netto participou de audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado por cerca de quatro horas.

O ministro negou que houve aumento de recursos para Defesa no governo de Bolsonaro, destacando que esse é o maior problema hoje da pasta. Segundo ele, o Brasil está em 85º lugar no mundo em investimento em defesa e é o 7º na América do Sul, atrás de Colômbia, Equador e Uruguai.

RECURSO – Se os senhores me falarem: ‘ministro, me cite o problema da Defesa’. O problema da Defesa é exatamente recurso, porque capacidade, profissionalismo, tudo isso nós temos. Falta o recurso para implementar”, afirmou Braga Netto, completando que houve “diminuição”  de recursos  em virtude do teto de gastos.

Os  três comandantes das Forças Armadas: Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, do Exército; Almir Garnier Santos, da Marinha; e Carlos de Almeida Baptista Junior, da Aeronáutica, também participaram da audiência e reclamaram do orçamento. O comandante da Aeronáutica disse vai ter rever contratos, o que resultará em ”grandes consequências”.

“Acho que todos nós deixamos muito claro a necessidade de orçamentos previsíveis nos valores adequado pra que as Forças Armadas possam cumprir sua destinação constitucional”, afirmou o tenente-brigadeiro de ar Carlos de Almeida.

INVESTIMENTOS – Ao ser questionado pelo senador Carlos Vianna (PSD-MG) sobre os investimentos na indústria de defesa, Braga Netto voltou a reforçar sobre a falta de recursos e apontou preocupação com a  “perda de talentos” de profissionais da área.

O ministro afirmou também que  a participação dos militares brasileiros em missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU)  fica limitada devido ao problema orçamentário.

POLITIZAÇÃO – Na sessão, a senadora  Mara Gabrilli (PSDB-SP)  criticou a mistura de políticas de governo com políticas de Estado e destacou a tentativa de politização das Forças Armadas. O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) questionou declarações do presidente Jair Bolsonaro que em reiteradas vezes se referiu ao “meu Exército”.

Braga Netto substituiu Fernando Azevedo e Silva, demitido por Bolsonaro, que considerou que havia falta de alinhamento político A saída de Azevedo  foi interpretada como uma  tentativa de Bolsonaro de  enquadrar os militares. Depois, houve a troca dos três comandantes das Forças Armadas.

TROCAS – Indagado sobre as mudanças, o ministro disse que a troca foi por “questão de antiguidade”. “Não existe politização nas Forças Armadas, isso aí é uma ideia equivocada. Houve a troca dos comandantes, por uma questão até de antiguidade, os civis normalmente não entendem muito a questão da antiguidade, mas isso para nós é muito importante”,  disse o ministro.

Na audiência, Braga Netto  também saiu em defesa do presidente Bolsonaro que recentemente voltou a criticar as medidas de lockdown e toque de recolher. Bolsonaro disse considerar a hipótese de as Forças Armadas irem às ruas para garantir a ordem caso a política de  medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores contra a  Covid-19.  Inicialmente, o ministro disse que não comenta declarações, mas que emitiria uma opinião pessoal.

“Eu posso colocar uma posição minha. Quando nós falamos o meu exército, não é só o meu, é o meu, é o seu, é o nosso Exército  (…) são de todos os brasileiros, tá? Então eu acredito que quando o Presidente fala, mas é uma suposição, ele está se referindo a ele, como qualquer brasileiro deve se referir (ao Exército)”, disse.

PROJETOS –  O ministro e os comandantes também destacaram os projetos  estratégicos e a atuação  no combate à pandemia, com o  transporte de oxigênio para os estados, na vacinação de indígenas e para doação de sangue visando aumentar o suplemento dos hospitais.

A presidente da comissão, senadora Kátia Abreu (PP-TO) , abriu sessão informando que participação de Braga Netto atende à determinação do regimento interno do Senado, segundo a qual o ministro da Defesa deve prestar contas da situação da pasta ao colegiado a cada início de ano.

A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados aprovou ontem a convocação do ministro da Defesa  para prestar esclarecimentos sobre vagas de UTI ociosas em  hospitais das Forças Armadas. No Senado, o ministro negou que existam vagas ociosas nos hospitais e afirmou que o índice de contaminação de Covid-19 entre os militares é maior que na população em geral.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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